sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Desmilitarização do ATC – Uma questão de ponto de vista!

Diante das novidades do próximo governo que se erigem no horizonte, arrisco a dar meu pitaco. Posso dizer que fui um privilegiado dentro do SISCEAB. Por força das circunstâncias conheci profundamente a infraestrutura e a operacionalidade tanto de São Paulo, quanto do rincão mais remoto e mais inóspito da Amazônia. Tive o prazer de comandar o DTCEA-FX no Xingu, onde se alocam antenas repetidoras de Dados, VHF e RADAR, e pude ver de perto que não basta espernear e querer para si um brinquedinho difícil de manter. As questões de logística, de provisionamento, de manutenção são extremamente complexas. Tornar um SISCEAB civil não significa apenas transferir controladores, alguns microfones e telas de visualização RADAR para as mãos de um paisano. Significa transferir os problemas estruturais, que não são poucos, e certificar-se que o aceitante conseguirá dar conta do recado.
Pare um instante! Pense na questão administrativa e responda para si mesmo: - Ao receber de presente um ATC plenamente civil, quem você empossaria nos postos administrativos e gerenciais do complexo? Quem trataria dos assuntos e acordos internacionais junto à ICAO? Seriam os “controladores de voo”? Se pensa assim, sinto muito em decepcioná-lo. Ainda não há esse profissional com capacitação para tal. O sistema continuaria sendo, por muito tempo, gerido por militares de alta patente da reserva da Aeronáutica e políticos ligados aos segmentos do transporte aéreo, todos com altos salários e situação empregatícia invejável. Traria consigo todo o "modus operandi" que você está acostumado a cumprir hoje. Já teve a curiosidade de analisar o currículo do atual staff da ANAC?
Se num passado não muito distante, a transição mal feita do Departamento da Aviação Civil para ANAC produziu uma ação normativa que contribuiu para um acidente de grandes proporções em Congonhas, o que esperar então do ATC onde as ações fluem em tempo real?
Então minha gente, como nada acontecerá da noite para o dia, e inicialmente "tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes", devagar com o clamor que a torre é de barro.
Dilma quer pasta forte ou secretaria só para cuidar de aeroportos e portos.

Celso BigDog

domingo, 21 de novembro de 2010

Tráfego aéreo – Entre o lapso e o colapso!

Sempre que uma ocorrência envolvendo o controle de tráfego aéreo torna-se pública, notamos um silêncio cômodo. Ninguém se pronuncia com propriedade. E já que aqueles que deveriam falar não falam, ouvimos por todos os cantos o zurrar oportunista e impune dos sacrílegos, com seus discursos verborrágicos, insípidos, insanos e leigos: – “A culpa foi do operador de voo da torre de comando”. E diante disso, a única manifestação que vem do Olimpo é um sorriso de soslaio, de canto de boca, amarelado pelo receio de ser lembrado. E justificam: -“Se a voz do povo é a voz de Deus, lavamos as mãos, pois quem somos nós para contestá-la?”
O mecanismo é simples. A mídia sacia o cidadão com sua logorréia. O sistema aproveita o momento e entoca, sem escrúpulos, suas falhas sistêmicas nas gretas que solapam o regulamento aeronáutico e a regulação da aviação civil. E assim, enquanto a opinião pública se farta devorando a honra e a dignidade “jomarceliana”, as instituições passam ao largo, absortas, impolutas e alheias.
É quase impossível precisar quantas revisões, emendas, erratas e reedições sofreu a biblioteca aeronáutica (ICA/IMA.../RBHA/RBAC... e os MOP das cias aéreas) depois dos acidentes de 2006 e 2007. Com certeza foram tantas que algumas até se descaracterizaram, mudaram de nome ou foram simplesmente revogadas. Para ser mais exato, uma delas, a IS-RBHA 121-189 não passou de uma “brincadeirinha”, acreditem!
Este mês os controladores e os pilotos envolvidos no episódio de 2006 começaram a ser julgados. Se foram necessários quatro anos de estudos e análises da justiça e das mais renomadas assessorias aeronáuticas para se chegar a uma conclusão sobre o que deveria ou não ter sido feito, o que poderíamos esperar daqueles que só tiveram alguns segundos, entre o lapso e o colapso, para analisar o cenário, a pertinência dos regulamentos, decidir e agir?
Se as autoridades aeronáuticas estivessem convictas da consistência de suas ordens em 2006, certamente aguardariam o desfecho jurídico de hoje para, só então, promover as alterações necessárias.
É assim que eu penso!

http://setoraereo.blogspot.com/2007/09/clipping-is-rbha-121-189.html
Celso BigDog

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Aeroportos de Segurança Máxima!

Deixando a eficiência aeroportuária em terceiro plano (em segundo está o comércio lojista aeroportuário) o Brasil investe pesado na segurança aérea. O primeiro passo foi colocar o controle de tráfego aéreo dentro desse complexo, de maneira que, qualquer que seja o fator de insegurança produzido por agentes de controle de tráfego, ações repressivas podem ser tomadas de imediato, abreviando o trâmite administrativo, dando agilidade à máquina no trato com seus parcos Recursos-Humanos.
Nenhuma explicação nos convence de que resultados positivos possam ser alcançados antes de promovermos o maior fiasco da história aeronáutica desse país. A fala gerencial mostra claramente que a gagueira desconexa do “Aeroleigus Sapiens” é sustentada por um cargo de raízes muito profundas, difíceis de arrancar. Ainda que haja uma assessoria a assoprar-lhe nos ouvidos, ao estilo “Grilo Falante”, estou certo de que o próprio interlocutor não acredita no que diz.
Podemos concluir facilmente que o problema está na falta de expertise administrativa fruto do apadrinhamento político. Está na sobrepujança dos princípios técnicos por princípios castrenses, e no infundado desprezo das autoridades pela experiência laboral. O problema não está na base, na “infra” estrutura aeroportuária. O problema, de tão envolto por interesses diversos, foi engolido e passou a ficar no meio, no cerne, na “INTRA” estrutura aeroportuária.
Faltando 30 dias para o pico de demanda sazonal do tráfego aéreo no país, autoridades aeronáuticas se reúnem para traçar um plano “anti-caos”. O transporte aéreo brasileiro não reagirá positivamente com inócuas mudanças, com experimentos de última hora, com devaneios e ilações. Pressionados pela ameaça da culpa por “Falha Humana”, mais uma vez, a fluidez do tráfego fica à mercê da capacidade individual e da coragem de controladores e tripulantes.
O Transporte Aéreo Brasileiro já não aguenta mais mudança. Precisa mesmo é de TRANS-FOR-MA-ÇÃO!

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), que representa mais de 200 companhias, fez ontem uma violenta crítica ao estado da infraestrutura do setor aéreo no Brasil, falando de "desastre" e de "vergonha".

Celso BigDog

domingo, 17 de outubro de 2010

20 de Outubro - Dia Irracional de Controlador do Tráfego Aéreo

Dois controladores confabulando sobre a festa do dia 20 de Outubro:

- E ae? Vai à festa?
- Que festa?
- A nossa festa ué!
- Mas esse ano não vai ter...
- Não vamos fazer?
- Fazer festa para comemorar o que?
- Ah não! Vamos dar um jeito nisso! Mobilização geral!

E foi assim que rolou...
ANAClara trouxe “Baba-de-moça” da doceira “D.A.C. aos Pedaços”. DulceSNEA apareceu com uma bandeja abarrotada de “Olhos-de-sogra” arregalados em direção ao céu. A lanchonete do aeroporto, para fazer uma média com a Infraero, mandou algumas dezenas de docinhos “Bem-Atrasados”, mas deu para notar que não eram frescos, pois estavam azedos demais. As empresas aéreas mandaram alguns lanches de bordo, daqueles em caixinhas plásticas que se abrem ao menor toque. Foi com tanta boa vontade que alguns deles já vieram até mordidos. Os saquinhos de amendoins, plagiando os perfumes "Contém 4Grãos", fizeram o maior sucesso no acompanhamento da cerveja cotizada pelos presentes. E as balas “7Belo” então? Recebemos cinco pacotes, mas um deles extraviou-se no trajeto. Ficamos muito apreensivos com as tais balas perdidas. Já o Governo Federal que havia prometido custear tudo, como era de se esperar, na “hora H” acabou "dando o bolo".
E assim seguiu a comemoração. Grupos de controladores se deliciando com os adocicados "Papos-de-anjo" gentilmente cedidos pela doceria "Coração 2A2.  E FABiana? Bem, a nossa FABiana, que não sabe fazer outra coisa, passou o dia enrolando brigadeiros e só apareceu já no final do evento com meia dúzia deles. Sumiram por completo assim que o pessoal rodeou. E quando todos voltavam para os seus lugares, pude observar um velho e experiente tenente “tererê” aconselhando um controlador novinho que passava de boca cheia: – "Cuidado meu filho, não abuse! Tudo o que é demais faz mal! Lembre-se que brigadeiro prende!"
Ah... esses tenentes!  Adoram pegar em "Pés-de-moleques"!

Aos meus Amigos, da atividade de controle de tráfego aéreo de todos os tempos, jurássicos, contemporâneos ou novinhos, o meu mais caloroso abraço. Aos que já foram substituídos, desejo que suas histórias rendam bons exemplos e boas risadas. Aos que ainda estão na linha de frente, a sorte de ter as Mãos do Senhor sempre atentas, para quando tudo mais falhar.

Feliz 20 de Outubro!
DIA IRRACIONAL DE CONTROLADOR DO TRÁFEGO AÉREO
Celso BigDog

No Kart Center em São José dos Campos, como sempre, haverá nossa Confraternização. Para confirmar presença ou mandar mensagem acesse: http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=117096685018065

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Congonhas – Mais do que um campo de pouso, um Campo Santo!

Se o pensamento de Confúcio que diz “O que eu ouço, eu esqueço. O que eu vejo, eu lembro. O que eu faço, eu sei” for realmente uma característica intrínseca da qualidade humana, então me julgo plenamente capaz de expor em meus devaneios uma opinião que ninguém poderá desprezar.
Acidentes e incidentes vem sendo registrados ao longo dos anos de existência desse nosso charmoso aeroporto. Cientistas de escrivaninha arriscam-se nas mais diversas e nababescas teorias de recuperação do status aeroportuário, quando na verdade o aeródromo continua sendo relegado ao terceiro ou quarto plano. Um aeródromo só rende taxas operacionais, enquanto o aeroporto com suas lojas, restaurantes, e serviços de toda a sorte, rendem um faturamento incalculável, diria até impublicável. Ora bolas! Poupem-nos! Poupem o povo brasileiro das falácias. Essa agrura, que faz talhar a esperança em um futuro promissor para o nosso tráfego aéreo, vem do perdigoto que brota no canto da boca dos oportunistas, que espirra para todos os lados quando tentam justificar a importância de seus projetos milionários.
Quando Congonhas e todos os demais “aeroportos civis” forem encarados como campos de pouso, aí sim, poderemos buscar soluções sérias para o transporte aéreo brasileiro. Mas enquanto esse pensamento não vier, e as restrições de segurança aplicadas a SBSP por ocasião do acidente do TAM 3054 continuarem sendo pulverizadas, só nos resta mesmo rezar. E não digo isso sem motivo. Já observaram quantos passageiros fazem o Sinal da Cruz nos segundos que antecedem o pouso em São Paulo?
Perdemos uma grande oportunidade de construir a nova Torre de Controle de Congonhas com uma arquitetura futurista, temática e, no mínimo, com a devida e justificável reverência.
O que eu faço, eu sei!

ADENDO: Mal o post caiu na rede e já há controvérsia. Perguntam-me o que fazer "então" com Congonhas? Muito pode ser feito, como por exemplo, reestudar o tipo de aeronave adequada para operar com segurança, levando-se em consideração as características físicas e topográficas do aeródromo. Ou ainda, resgatar os princípios operacionais de VDC - Voo Direto ao Centro, que ligaria apenas os aeroportos de Congonhas, Afonso Pena, Santos Dumont, JK e Pampulha, livrando Congonhas de qualquer conexão, de qualquer vínculo entre voos, eliminando sua maldição de "HUB". Isso diminuiria, de imediato, em 50% o tempo de ocupação do pátio.
Celso BigDog

domingo, 22 de agosto de 2010

L.R.O. - O Livro Proibido.

Apesar do meio aeronáutico ter descoberto há muito tempo a valiosa ligação lógica entre "demanda e capacidade", tanto da infraestrutura aeroportuária, quanto do controle de tráfego aéreo, não soube o que fazer com ela. Nada do que vem sendo publicado sobre gargalos na aviação civil brasileira é fato novo. O que estamos colhendo hoje é exatamente aquilo que vem sendo semeado nos últimos vinte anos.
Essa evolução é contada minuto a minuto, hora a hora, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano nos Livros de Registro de Ocorrências encontrados em cada Torre de Controle, em cada Controle de Aproximação ou Centro de Controle de Área. Foram criados com o propósito de canalizar informações entre controladores de tráfego aéreo e suas chefias. Guardam todos os fatos ocorridos dentro de um turno de trabalho e mostram “ipsis litteris” não só as informações da aviação civil e militar como também as deficiências da infraestrutura aeroportuária, da infraestrutura aeronáutica, da operacionalidade, dos recursos humanos, dos acidentes e incidentes aéreos ocorridos em todos os aeroportos brasileiros. Dessa forma, a história do tráfego aéreo brasileiro é escrita em tempo real e o L.R.O. é o único que pode revelar a verdadeira escalada do chamado "Caos Aéreo”.
É compreensível que a Defesa, por questões de "segurança nacional" mantenha esses registros com certo grau de sigilo, pois a aviação usa de termos específicos que, ao julgamento de leigos, podem causar apreensão, interpretações equivocadas, distorcidas ou o que é pior ainda, acertadas.
De qualquer forma, como sempre diz um velho e sábio amigo, se um dia eu puder e vier a publicar essa história, a capa eu já tenho!

P.S. Não adianta procurar na Bienal do Livro. Essa capa é mera ilustração fictícia. Já tenho pronta também uma capa - uma vez que a Aeronáutica liberou o assunto sobre OVNIS - com o título: "Meu chefe é um E.T."

Celso BigDog

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Apagão Aéreo – Parabéns pra você!

Com quem será?
Com quem será?
Com quem será que o Apagão vai se acabar?
Vai depender;
Vai depender;
Vai depender qual Governo vai querer...

Já cansei de falar desse assunto. Aliás, devo ter sido um dos primeiros a mostrar essa tendência ruim ainda na virada do milênio. Mas depois de tanto tempo, e com tantas promessas, numa breve análise podemos ver que:
- As restrições impostas ao Aeroporto de Congonhas em 2007 foram desfeitas;
- As pistas continuam operando com a mesma capacidade de absorção da época do acidente do JJ3054;
- Os pátios não aumentaram;
- O espaço mínimo entre as poltronas dos aviões não só não aumentaram, como se encaminham para viagem em posição fetal. Já se fala até em viajar de pé;
- O controle de tráfego aéreo faz sua parte na formação de pessoal preparando-o para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Mas pense bem... De que adianta o aumento da capacidade de controle se não há capacidade de absorção desse tráfego? De que adianta aproximar aviões simultaneamente para duas, três, cem pistas, se não tem onde estacionar? De que me adianta comprar uma pickup se em minha garagem só cabe um fusca?
Acredito que já não seja suficiente ativar uma “Sala de Crise”. Pelo andar da carruagem precisamos mesmo é de um “Teatro de Operações” para uma operação de guerra, onde caibam todos os dirigentes dos segmentos participantes do transporte aéreo brasileiro - CONAC, ANAC, DECEA, INFRAERO, DAESP, SNEA, CASAS BAHIA, ABAG, CENIPA, CGNA, CINDACTA I, CINDACTA II, CINDACTA III, CINDACTA IV, SRPVSP, SNA, SNTPV, EMBRAER, ATECH, SAIPHER - e, convocar controladores de tráfego aéreo da ativa, que ainda atuem no “Front ATC” para darem seus testemunhos das verdadeiras dificuldades do universo aeroportuário. Como já disse antes, quer queiram ou não, em termos de tráfego aéreo, só o controlador pode enxergar além do horizonte sem tirar os pés do chão.
Temos testemunhado as autoridades alardeando a calma nos aeroportos e o fim do Apagão na mídia. Fazem isso na entressafra, fora de temporada, demonstrando completo desconhecimento das áreas onde atuam. Gosto mesmo de ver sua criatividade “falaciana” nos períodos de pico, quando... Ôpa! É pico... É pico... É pico, é pico, é pico. Ra-tim-bum!
Celso BigDog

P.S. Estranhou a presença de CASAS BAHIA no rol de participantes? Eu também, mas veja o link:
http://economia.estadao.com.br/noticias/not_30372.htm

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Hoje tem marmelada?

Enquanto isso, no circo do tráfego aéreo:

- Bem. Agora que o efetivo da TWR está completo, vamos à chamada! Só tem 3S aí?
- Siiiiimmmmmm!
- Asssis?
- Aqui!
- Casssia?
- Sou eu!
- Edssson?
- É – dis-sson!
- Emerssson?
- Pronto!
- Casssandra?
- Aqui!
- Cosssta?
- osssta!
- Jusssto
- usssto!
- Nessstor?
- Ao seu dissspor!

Essa brincadeira me fez lembrar uma passagem com um grande amigo no início da década de 80. Recém-chegado ao SRPV - SP, o 3S Atílio... Ah!... Antes de continuar gostaria de abrir um parêntesis para explicar que no quartel costuma-se abreviar as graduações dos militares da seguinte forma: 3º Sargento é 3S, 2º Sargento é 2S e 1º Sargento 1S.
Bem, onde estávamos mesmo? Ah sim! Recém-chegado ao SRPV - SP, o 3S Atílio dirigiu-se à agência do Banespa no Torreão do Aeroporto de Congonhas para abrir a conta corrente por onde passaria a receber seus proventos. Depois de enfrentar uma longa fila, a um aceno de cabeça sentou-se em frente à atendente. Maravilhado com a destreza com que a moça dedilhava uma espetacular máquina Remington, passou a responder as perguntas:
- Conta Corrente?
- Sim
- Tec tec tec tec tec
- Aeronáutica?
- Sim
- Tec tec tec tec tec
- Seção?
- Torre de Controle
- Tec tec tec tec tec, trim zaaap!
- Nome?
- Atílio Rossi
- Tec tec tec... tec tec … tec … 2S?
- Como?
- Rossi 2S?
- Não, 3S
- 3S?
- Sim. 3S!
- Tec tec tec, zaaap! Prontinho! É só assinar aqui... Obrigado... Próximo!

E foi assim que o Banco do Estado de São Paulo ganhou seu cliente especial de nome:
Atílio Rosssi.
Ai ai ai ai ai! Pensa que é palhaçada é? Pensa?
Celssso BigDog

terça-feira, 20 de julho de 2010

Copa do Mundo de Futebol – Uma brecha na Lei para jogos de azar.

Presidente libera R$ 5,5 bi só para os aeroportos e garante crédito de 20% a mais além da Lei de Responsabilidade Fiscal para que os próximos alcaides das 12 cidades-sede paguem a conta. Então senhores... façam suas apostas! Mas “peraí”! Qual é mesmo o nome do jogo?
- É TRUCO!
- SEIS MARRECO!
- ENTÃO CORTA O ZAP PAPUDO! TE PEGUEI NO BALAIO DE QUEIJO, RATÃO!
Não! Não é Truco. O cacife está muito alto. Se fosse Truco o roubo seria aceitável, mas nesse País roubar é crime. Está parecendo mais um jogo de Pôquer, onde se pode apostar alto, blefar, trocar cartas, alterar o valor das apostas, pegar mais dinheiro com a banca e se endividar de forma indiscriminada. O Governo aposta alto no “Hexa”, mas é o povo que terá de pagar para ver. Êpa! Espera lá. Jogos de azar também são proibidos no Brasil! Ai ai ai ai ai! Acho que alguém está escondendo cartas na manga!

Agora, falando sério!

Ainda que as obras sejam concluídas nas vésperas da Copa, as operacionalidades dos novos layouts aeroportuários, dos novos equipamentos, das novas facilidades tecnológicas estarão expondo os profissionais da aviação a riscos ainda desconhecidos, a situações não experimentadas, a procedimentos não treinados. É imprudência colocar pilotos, controladores, comissários, operadores de rampa e catering, lado a lado com o improviso durante o período de maior volume de tráfego aéreo da história da aviação civil brasileira. Se o risco é conhecido, não há como alegar ingenuidade administrativa, desconhecimento, ou quaisquer outros argumentos que não sejam “imprudência e negligência”.
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/07/lula-vai-liberar-r-23-bilhoes-para-obras-da-copa-2014.html
Celso BigDog

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Era uma vez um tal de coronel OVLOV...

“- Eu sou caçador! - Fui treinado para matar! - Não sou de usar meias palavras.” Assim era conduzida uma reunião com meu chefe, um aviador que se gabava de pertencer ao seleto grupo de pilotos de caça da corporação. Exaltava suas qualidades desenvolvidas em incansável treinamento de guerra, e que notadamente, com certa frustração, nunca colocou em prática.
Certa vez, andando a pé pela cidade de São Paulo, mais precisamente pela Avenida Santo Amaro, parou em um ponto onde tomaria a condução para o centro da cidade. O movimento era grande e o espaço destinado à espera assemelhava-se a uma ilha cheia de gente acuada pelos coletivos, como tubarões, indo e vindo num movimento frenético. Parou no meio fio analisando um a um os letreiros dos itinerários das conduções quando alguém passa em sua retaguarda, lhe dá um encontrão e o projeta no meio da pista. Com os olhos esbugalhados, incrédulo, gritou: “Judith” - talvez sua esposa, mãe ou santa protetora - e absorveu o enorme impacto frontal de um ônibus. Desfalecido foi levado ao hospital mais próximo. Após exaustivos exames e algumas bolsas de gelo, concluiu-se que somente uma pequena sequela marcaria aquele fatídico acidente: um estranho quelóide na testa. O médico que o assistiu relatou que durante a inconsciência temporária, delirava e balbuciava palavras desconexas como: “estável na proa...” “prossiga Thor!” “Tempo para encaudamento...” “conta corrente” e terminava sempre com o nome dessa tal mulher: Judith! Judith! Judith!
O irônico e cruel destino, além de desprezar seus 30 anos de treinamento, não permitiu sequer que houvesse uma guerrinha para que o valente paladino pudesse aplicar seu belicoso aprendizado. Mas foi melhor assim. O pior de tudo para sua ufana carreira de caçador, foi que, além de não ter podido aplicar seu aprendizado, terminou sua saga implacavelmente abatido no chão, de frente, e marcado para sempre por seu algoz, que não era um Sukhoi, nem um Hornet, tampouco um Gripen, mas sim, um velho ônibus urbano da marca VOLVO.
Esta é uma estória de ficção que busca alertar o quanto pode ser perigoso e inútil querer aplicar conhecimentos e habilidades específicas no lugar errado.
Qualquer semelhança com pessoas ou fatos terá sido mera coincidência. Vuurrrrrruuuummmmm!!!!!!
Celso BigDog

sábado, 17 de julho de 2010

Humanizando a tecnologia na aviação – Já não era sem tempo!

Excelente matéria. Poderiam ter incluído o acidente do GOL 1907 X Legacy, onde a tecnologia relacionada ao acidente não estava a bordo.

Acidentes aéreos e falhas alteram tecnologia de aviação
Após tragédias, órgãos governamentais e independentes investigam causas para evitar acidentes semelhantes no futuro.
Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo
16/07/2010 08:10
Falhas mecânicas, erros de comunicação, colisões no ar, incêndio a bordo. São dos acidentes que surgem os avanços tecnológicos e de treinamento que aumentam a segurança aérea. Após um acidente, órgãos governamentais e independentes investigam as causas e, ao final da investigação, divulgam um relatório com recomendações para que acidentes semelhantes não aconteçam. Confira abaixo alguns acidentes que mudaram as normas de segurança aérea.
Parabéns ao jornalista Leandro Meireles Pinto
Matéria Completa:

Em 2008 apresentei na III Jornada Latino-Americana de Fatores Humanos e Segurança de Voo, em Recife, o trabalho intitulado:
Se tiver um tempinho basta clicar no link.
Celso BigDog

À caça de novos gestores para o transporte aéreo brasileiro.

Assim como já estamos em atraso com as providências para promover a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016, estamos também atrasados na escolha das novas vítimas, digo, dos novos gestores que promoverão a modernização do transporte aéreo brasileiro. Independente de quem ganhe a eleição presidencial, quem assumirá cada um dos três principais órgãos da Aviação Civil? Quem vai dar conta de, a tempo de assistir o pontapé inicial, gerenciar esse crescimento repentino e fazer essa aviação voar de maneira eficiente e segura? De reformular a regulação capenga que ainda não nos convenceu de sua eficácia? Quem? Por certo já deveriam estar se dirigindo ao embarque nessa canoa furada com uma caneca e uma colher de pau nas mãos. Com a caneca se busca esgotar a água que brota do casco sem parar, enquanto se rema freneticamente com a colher de pau tentando vencer a correnteza.
No meio militar, diante de situação semelhante, já vi um tenente, que ao ser convidado para uma "nobre" missão desse tipo, perguntar: “-Mas o que foi que eu fiz coronel”?

Mais importante do que analisar a retórica presidencial que nos leva a pensar sobre a imbecilidade do atual governo, é ter a certeza de que sobre os próximos escolhidos, que estarão assumindo em janeiro de 2011, não pairem dúvidas quanto à capacidade técnica e habilidade em debelar crises.
O fato é que, conforme lembrou esta semana o secretário geral da FIFA, "Temos de construir alguns estádios, estradas e aeroportos, além de colocar um novo sistema de comunicação e melhorar muito a condição de hospedagem". Só isso!
Celso BigDog

sábado, 26 de junho de 2010

Até onde a vista alcança?

O editor de um noticiário reproduziu uma frase pouco técnica e desnecessária, dita por um “pseudo especialista”, sobre a ocorrência airprox reportada pela TAM nesta semana: "Um dos aviões estava no lugar errado". O fato de o Sr. Mauro Gandra ter sido ministro não o credencia a falar sobre controle de tráfego aéreo, muito menos a vender conclusões, mesmo acreditando que o controlador não tenha contribuído para o incidente. Leigos falando com tanta propriedade na mídia levam o cidadão a questionar a real necessidade do SIPAER. Para que CENIPA se temos esses “ESPECIALISTAS” que, ostentando seus crachás vitalícios de majestade, antecipam as conclusões, atropelam as investigações e apresentam seus soberbos vereditos. Se analisarmos os problemas do transporte aéreo hoje, encontraremos, com certeza, mais gente no lugar errado do que aviões.
Nenhuma verdade existe numa ocorrência de controle de tráfego aéreo antes que se tenha a palavra do humilde controlador. É do front que chegam informações que alimentam a investigação e essa verdade se acentua em se tratando de uma torre de controle, porque, quer queiram ou não, em termos de tráfego aéreo, só dali se pode enxergar além do horizonte sem tirar os pés do chão.
Celso BigDog

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Manobra de avião com 171 passageiros evita tragédia

Que me desculpe o controlador envolvido na ocorrência, mas, apesar dessas manchetes mal formatadas, cheirando a sangue, prefiro que essas questões sejam levadas a público agora, enquanto ainda há tempo para mitigar a deficiência da infraestrutura aeronáutica e aeroportuária, e suprir os recursos humanos. Não podemos nos iludir com declarações sobre aumento de efetivo. Na verdade, quando anunciam que novos controladores estarão se formando no ano, omitem a informação de quantos estarão se aposentando e quantos mais sairão para carreiras alternativas nesse mesmo ano. Se tanto no grupo de proteção ao voo quanto no de aeronautas já se observa essa insuficiência hoje, o que dizer no furor da Copa 2014 e Olimpíadas 2016?
Além disso, a maior preocupação quando se fala em RH não é com a quantidade de profissionais, mas sim com a qualidade técnica deles. Ainda que no controle de tráfego aéreo já se alardeie que foi atingido o número de controladores necessários ao preenchimento das posições operacionais instaladas, suportar a demanda com segurança é outra história. Da mesma forma, o grupo de tripulantes vem sendo abastecido hoje com profissionais recém formados, com baixa experiência e, o que é pior, gerenciado por comandantes cada vez mais novos.
Mas fique calmo. Com minha larga experiência em controle de tráfego aéreo, posso garantir que, também morro de medo de viajar de avião.
P.S. Assim disse um jornal: -“Entre os tripulantes estava o senador Romeu Tuma (PTB-SP).” Poxa, ele foi Comissário de Polícia ou de Comissário de Bordo?
Celso BigDog

terça-feira, 22 de junho de 2010

Controlador de Tráfego Aéreo pensa, logo existe.

Passado o período de filiação partidária e candidaturas para o pleito deste ano, sinto que, uma vez mais, perdemos a chance de buscar uma cadeira que dê voz ao controlador de tráfego aéreo no cenário político nacional. Mas sou condescendente com a classe, pois são tantos os percalços que isso é plenamente compreensível. Para dizer a verdade, a confusão de valores morais que se instalou no País dificulta o entendimento do que é fazer política. Exercer a cidadania em sua plenitude chega a ser um pensamento utópico, até porque a condição militar castra qualquer iniciativa de levar a voz da caserna ao Plenário.
Mas, se um dia você se enveredar por esse caminho, dentro dessa idéia de renovação de que tanto falamos, quer seja como candidato, quer seja como articulador atuando nos bastidores, esteja atento a alguns requisitos. Não alardeie seus conhecimentos, sua educação, sua cultura, pois isso pode soar como uma “ameaça da elite dominante”. Preferencialmente alegue que há pouco tempo atrás tinha uma mera alfabetização funcional. Omita que nasceu numa grande capital, e ressalve que foi criado no interior do país, numa palhoça de um lugarejo que ninguém nunca ouviu falar. Ter passado fome também é um forte argumento. Se branco, não se esqueça de citar que o seu tataravô era afro-descendente e que se casou com uma índia pega a laço na beira de um rio. Caso tenha antecedentes criminais, exalte seus feitos, sua condição de ex-exilado, ex-terrorista, ex-assaltante de bancos ou que pelo menos, no passado, conspirou contra a Nação e que cometeu delitos indizíveis até mesmo sob tortura, mas veja bem, diga isso “rindo”. Se nunca foi preso, trate de arrumar uma cadeiazinha para melhorar seu escore. Lembre-se de dizer também que, no mínimo, se considera um alegre “S” do movimento GLS brasileiro. Tudo isso pesa a seu favor na busca por um lugar ao sol, pois caso contrário meu amigo, terá de competir com a esmagadora maioria da população brasileira, que luta com unhas e dentes por uma mísera vaga na universidade ou no mercado de trabalho.
Não, não é exagero. Se observar criteriosamente verá que a ética agoniza e a moral desanda aos pés dos formadores de opinião. A tolerância à incompetência administrativa em todos os segmentos públicos é complacente, perniciosa e dissimulada. A Constituição Federal do Brasil, que foi criteriosamente redigida, sofre com interpretações de conveniência, entupindo a Corte Suprema com recursos extremos, e o que deveria apenas garantir o respeito à exceção, coloca essa condição anormal como regra. O Estado ao proteger demagogicamente as minorias, se esquece de legislar em prol da maioria. Quero ter o direito de comemorar o “Dia do Orgulho Hetero”, mas não posso. Quero usar, sem retaliação, uma camiseta com os dizeres “100% Branco”, mas não posso. Quero ter um feriado relativo ao “Dia da Consciência Branca, Amarela, Parda”, mas não tenho. Quero poder comemorar o dia do “Cara Pálida”, mas não posso. Quero poder participar, sem ser molestado, de um comício em prol das “Indiretas Já!”mas não posso. Quero poder proteger com vigilantes armados minha propriedade rural das invasões bárbaras, assim como fazem os banqueiros em suas agências bancárias, mas não posso. Quero ver aquela família enlutada, que perdeu seu chefe num covarde assassinato, recebendo a mesma indenização que a família do facínora preso recebe, mas não vejo. Quero ver o pai de família, que sai de casa em busca de trabalho, ter o mesmo apoio de ONGs e do Governo que o ex-presidiário tem ao sair da cadeia, mas não vejo. Quero, ao pagar meus tributos religiosamente em dia, ter as mesmas vantagens dos inadimplentes, com prestações recalculadas a perder de vista, com perdão de multas e com 50 por cento de desconto, mas não tenho. Quero poder levar meu filho no local de trabalho, para que ele me ajude com pequenas tarefas e tome gosto pelo lavor, mas a “Lei da Infância e Juventude”, hipocritamente interpretada, proíbe o “Trabalho Infantil”, no entanto, permite que artistas nasçam no picadeiro, cresçam em frente às câmeras, aos microfones, nas telas do cinema e da televisão. Quero poder praticar minha cidadania começando por saborear o artigo 5 da Constituição Federal que diz...
<< Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes... CF >> ... mas não posso!

Das duas uma, ou o Estado Brasileiro se mostra capaz de zelar pelas garantias constitucionais do cidadão comum, ou estende de forma igualitária a todos os brasileiros os mesmos direitos que garante ao “cidadão incomum”.

Pois é... se um controlador de tráfego aéreo pensa, por que ainda não existe?
Celso BigDog

domingo, 20 de junho de 2010

Transcendendo o ATC.

Um típico dia ensolarado de domingo, mas o vento forte que assoviava nas frestas da janela da sala já dava idéia da tempestade que não tardaria a chegar. Do edifício onde moro pude ver no horizonte a aproximação das negras e ameaçadoras nuvens. Corri para fechar as vidraças dos demais cômodos e notei, do outro lado da rua, o vizinho que inocentemente preparava o quintal da casa para um churrasco em família. Coitado! Ele não podia ver o que se aproximava por trás de sua casa, nem podia sentir o forte vento, pois o edifício vizinho o bloqueava. Pensei em avisá-lo, alertá-lo para que não tivesse de correr da chuva, mas optei por fechar a cortina e deixar que as evidências o fizessem perceber por si só.
Algum tempo depois, no intervalo do jogo da Copa, incomodado com silêncio que dominava o ambiente, voltei à janela. A tempestade que ameaçava desabar passou ao largo. Abri as vidraças e cortinas e deixei entrar o sol que já se elevava e aquecia a brisa típica de João Pessoa. Olhei para o outro lado da rua e lá estava o vizinho feliz junto à sua família. A churrasqueira fumegante e o cheiro delicioso da boa carne dividiam o espaço com as crianças que corriam de um pequeno cão em volta do jardim. O dia nunca esteve tão perfeito para uma reunião como aquela. Um olhar camarada e um aceno sorridente vieram em minha direção completando o quadro. Retribuí o gesto, fechei a cortina e entrei.
Tenho acompanhado com preocupação e criticado o desenrolar do transporte aéreo brasileiro para suportar os megaeventos que se aproximam. Mas preocupar-me por que, se os gestores responsáveis pelas medidas inadequadas do passado já se foram? Se aqueles que deixaram de tomar as providências necessárias também já se foram? Diante da incapacidade e da inércia administrativa, da ganância das empresas aéreas e do jogo de interesse político partidário que dilapidou a infraestrutura aeroportuária brasileira, só nos resta fechar as janelas por uns tempos e torcer para que a tempestade passe ao largo.
Acredito que não haja mais tempo para soluções concretas, pois agora só nos resta correr da chuva, se ela vier. A vergonha a gente esconde sob a imensa lona da negligência. Com um pouco de criatividade, distrairemos o turista estrangeiro com lindas mulheres seminuas a sambar desvairadamente no checkout, e eles nem notarão que até a lona tem remendos.
E para terminar não me sentindo omisso, recomendo ao grupo de controle de tráfego aéreo reestudar e treinar exaustivamente os procedimentos defensivos e de degradação de sistemas ATC/ATM vigentes, de maneira que, principalmente nesse período, o controlador não fique exposto às incompreendidas falhas sistêmicas escritas "por aquele homem de um braço só!"

Gargalo? Que argumento antigo! Hoje a aviação civil brasileira não tem gargalos, pois ela mesma tornou-se, indiscutivelmente, um dos maiores gargalos no desenvolvimento do País. E sabe de uma coisa, esse papo de gargalo dá uma sede...
Celso BigDog

domingo, 30 de maio de 2010

A Velha TWR São Paulo – Um Templo ATC.

O velho Torreão vai ser substituído e tombado pelo seu inestimável valor histórico para São Paulo e para o Brasil. Uma nova TWR já brotou das entranhas do Planalto Paulista e prepara-se para, num só golpe, assumir a responsabilidade de, doravante, fazer pulsar o coração do tráfego aéreo brasileiro. Diante dessa contagem regressiva, recheada de saudosismo, resolvi prestar aqui o meu tributo.

Lembrei da minha tenra idade no velho Torreão. As descidas para o saguão central em meus minutos de descanso. Quanta gente bonita a tomar o famoso café do aeroporto. Eu também fazia pose, ainda que ninguém soubesse que era “eu” o rei do aeroporto. Peito estufado, nem tanto pela empáfia, mais pela insegurança que aprisionava nele, e desfilava garboso pelo glamoroso saguão de piso reluzente e imponentes colunas adornadas em mármore Carrara. Eu era o rei do aeroporto sim. Era a minha voz que ordenava aqueles aviões, assegurava o bem estar e a pontualidade na vida daquelas pessoas que partiam com suas saudades ou que chegavam para aqueles esfuziantes reencontros. Eu precisava acreditar que era o rei do aeroporto, pois só assim ganhava confiança para desempenhar, diante dos parcos recursos, a difícil tarefa de controlar o frenético movimento aéreo. Quanta saudade!

Tenho certeza que doravante, nos momentos operacionais mais difíceis, bastará o controlador da Nova Torre São Paulo olhar à sua esquerda, para aquela que repousa como um templo, e haverá de receber gratuitamente a inspiração, a força e o conhecimento que dela exala.

Nessa composição de Ivan Lins, de rara beleza poética, encontrei as palavras certas para homenagear aqueles que foram, que são, e aqueles que estão chegando para desempenhar anônima e heroicamente suas funções ATC na nova casa. Felicidades.
* E não se esqueçam de levar o boneco do Mr. M na mudança.

Novo Tempo
Ivan Lins (Ivan Lins / Vitor Martins)

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos os enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
No novo tempo...

Celso BigDog

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Era uma capacidade muito engraçada, não tinha pátio, não tinha nada!

A imprensa noticia que o espaço aéreo de São Paulo e Rio terá o dobro de capacidade em 2012, mas condiciona, no entanto que o aumento do número de voos depende da realização de obras de infraestrutura nos aeroportos.
Quando se trata de questão relativa ao transporte aéreo, um argumento capcioso fatalmente induzirá “alguém” ao erro. As normas mal elaboradas, os procedimentos mal concebidos, as relações que comparam demanda e capacidade aeroportuária ou capacidade de controle quase sempre maquiam uma deficiência sistêmica, que dificilmente será reconhecida lá na frente, quando tudo der errado. Nesse momento todo e qualquer vínculo com vícios sistêmicos desaparece dando lugar à terrível conclusão: “Foi falha humana”. Se as obras citadas na reportagem não forem executadas, quem arcará com os futuros entraves operacionais?
O espaço aéreo brasileiro é muito vasto. Não é difícil dobrar a capacidade de aeronaves nesse espaço. Aliás, posso dizer que seria até muito fácil quadruplicar o número de aeronaves. Pode-se fazer isso criando novas rotas RVSM. Pode-se implementar navegação “offset route”. Pode-se conduzir um voo entre São Paulo e Rio via Belo Horizonte. Pode-se fazer vetoração na FIR, ou até mesmo mudar a classe do espaço aéreo para Golf só para não ter que controlar o voo, assim como foi feito no espaço aéreo abaixo do FL100. Problema resolvido? Como resolvido? De que adianta dar agilidade ao tráfego, aumentar a capacidade do espaço aéreo, aumentar a capacidade de controle, insistir no aumento das linhas comerciais assim como vem sendo negociado com a União Européia, ou ainda como vem sendo insistentemente solicitado à Argentina pela própria ANAC? De que adianta se não há como absorver esse tráfego? Se não há onde estacionar aviões, pois não tem estrutura instalada? Se não há como fazer aproximações simultâneas, pois as pistas não têm a separação regulamentar adequada? Se não há como diminuir o tempo de ocupação de pista, pois não há saídas rápidas? Ufa! Fazendo uso da velha lógica, pergunto: “Se Congonhas, Guarulhos, Viracopos e Marte estão no limite de sua capacidade aeroportuária, de que adianta aumentar a capacidade do espaço aéreo?” Para deixar as aeronaves em órbitas? Queimando combustível e elevando o custo operacional das empresas? Expondo os profissionais, pilotos e controladores, ao jugo das falhas humanas?
A capacidade que falta aumentar no transporte aéreo brasileiro é a capacidade de trabalho conjunto, sem vaidades, sem revanchismos, onde CONAC, ANAC, DECEA, INFRAERO, SNEA e ABAG busquem a sintonia que falta para evitar um grande vexame, ou algo pior, num futuro já bem próximo.
Celso BigDog

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+servicos,capacidade-do-espaco-aereo-de-sp-deve-dobrar-ate-2012,20078,0.htm
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/05/26/economia,i=194625/ESPACO+AEREO+DE+SAO+PAULO+E+RIO+TERA+O+DOBRO+DE+CAPACIDADE+EM+2012.shtml

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lembrança boa que renasce!

Caro Amigo Renato Santos
O grupo de controladores do tráfego aéreo brasileiro ainda reclama a sua ausência. Muitas das situações que você nos ajudou a entender e a enfrentar já fazem parte do passado. Aquelas suas previsões malucas, quase todas, já deram seus sinais. Hoje novas questões nos provocam a todo instante, mas infelizmente já não podemos compartilhá-las com você.
Renato! O nome confirma a sina de um “highlander”, aquele que re-nasce sempre, por isso, apesar da sua partida, continuo a comemorar a data do seu nascimento em 26 de maio, sempre com boas lembranças e uma cerveja bem gelada. Hoje à noite, sob o céu da Paraíba cravejado de estrelas, erguerei mais um brinde a você.
Feliz aniversário bacana!
Celso BigDog

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aeroponto e Aerocirco - Soluções emergenciais para o Transporte Aéreo Brasileiro.

Tem gente tratando como sandices certas sugestões dadas aqui neste blog. Refiro-me às sugestões para safar o "Poder Público" da sinuca de bico em que o sistema de transporte aéreo brasileiro se meteu. A idéia de se construir um “Aeroponto” na calha do rio Tiete parece que incomodou profundamente algumas cabeças pensantes. Na verdade, o que mais incomodou foi perceber que alguns procedimentos, despreocupadamente idealizados para o uso do tal “Aeroponto”, realmente podem ser aproveitados. O conceito de brainstorming é esse mesmo! Explosão de idéias que se descartam, que se aproveitam, que se completam, que nos fazem rir, ou ainda, que pelo menos nos façam pensar. Já revelei aqui algumas visões para o mesmo problema ao anunciar a chegada do “Aerocirco”. Que tal aproveitar algo daí também? Olha que já ouvi muitas vezes gente do alto escalão do meio aeronáutico afirmar que a aviação tem duas opções, depende do insight: “Se cercar vira hospício - se cobrir vira circo!” Pois então!

Diante da destinação de vultosa verba pública para financiar essas questões emergenciais, uma análise publicada no “O Estado de São Paulo” questiona: - "Mudanças saudáveis. Mas serão factíveis?"

Vamos lá gente. Vamos continuar pensando. Que tal se ao invés de construirmos uma pista de concreto sobre o rio Tietê, construíssemos uma imensa balsa? Assim como um porta-aviões, modular, que pode ser aumentada ou diminuida, desmontada, e o que é ainda melhor, que flutua quer o rio esteja baixo ou transbordando. Que tal?
Não deixe de ler as vantagens do "Aerocirco"