segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aeroportos – Conforto pode mitigar e esconder a ineficiência operacional.

Entre uma e outra dolorosa injeção consigo tempo para elucubrar sobre esse imbróglio aeronáutico que assola o Brasil. Não sei o que me incomoda mais, se é a dor da picada ou a maneira amadorística que abusa da boa fé do cidadão para esconder os verdadeiros problemas causados pela incompetência administrativa no setor aeroportuário. Ainda que eu queira fugir do tema, ele está estampado nos jornais, revistas e nos noticiários televisivos, a me atormentar com um inconformismo inexplicável.
É fato que uma aconchegante sala de espera no aeroporto pode prolongar a paciência do viajante e torna-lo mais passivo diante de um atraso no voo, ainda que seja num “puxadinho”, maquiado, feito para durar quatro ou cinco anos, tempo suficiente para desabar nas mãos do próximo governante. Sabemos que para a concessionária é comercialmente bem vinda a situação de alguns voos atrasados ou cancelados. Os viajantes tem fome e formam filas nas lanchonetes de Fast-food. Conseguem tempo para comprar lembrancinhas nas lojas de importados, presentes e conveniências, movimento que justifica os altos aluguéis que a concessionária cobra de seus locatários.
Ah como é bom atirar pedras naqueles que herdam a tragédia.  Não falo somente do desempenho federal. Falo da integração e interesses de partidos diversos e seus candidatos de todas as alçadas, federal, estadual e municipal. De nada adianta um grande e funcional aeroporto se não houver como acessá-lo por terra. Vamos prestar atenção e conferir essa falta de parceria administrativa ao longo desse período que, além do crescimento previsto englobará o Encontro de Jovens Católicos com o Papa (cerca de Um Milhão de peregrinos) no Rio de Janeiro em 2013, às vésperas da Copa do Mundo. Até lá quem vai pagar a conta do aumento do custo operacional dos voos, nos atrasos pelas interdições das pistas para possibilitar manutenções dos 12 aeródromos envolvidos? Quem arcará com a gastança sem os ritos tradicionais das licitações? Tenho certeza que não serão as aéreas. Preparemos os bolsos.
Há pouco tempo ouvi um administrador, do mercado aeroportuário, gargantear que o Aeroporto de Congonhas foi reformado em tempo recorde sem prejudicar a operação. Ora meus amigos leigos, vocês não tem obrigação de saber que Congonhas opera das 06h00 as 23h00 tendo a noite toda sem o movimento de aviões para as reformas, caso diferente dos aeroportos envolvidos na Copa que operam 24 horas ininterruptas. Essa é mais uma maneira de mentir dizendo apenas verdades. Aliás, não vou tocar nem no assunto do JJ3054 que ceifou 199 vidas.
Já observaram as questões relativas ao destino dos aeroportos brasileiros? Concessões, privatizações, estatizações, contratos de comodato, empréstimo, jeitinho e outras artimanhas financeiras que serão abertas para ativar o setor. Já pensaram que “rabo de gato” será isso para a agência de fiscalização aeronáutica, uma vez que ela já não consegue sequer fiscalizar o modelo único hoje existente? Já souberam que só neste semestre o número de acidentes da aviação geral é recorde, e a prevenção deu lugar às lamúrias cada vez que acontece um sinistro? Já viram quantos acidentes com e sem vítimas tivemos este ano e efetivamente nada aprendemos com as conclusões do CENIPA? Os Relatórios Finais de Acidentes Aéreos servem para estatísticas que vergonhosamente ajudam apenas a vender jornais. Pouco nos importa se o piloto de helicóptero que caiu e matou cinco pessoas estava com a licença vencida há seis anos. Pouco nos importa que o piloto de outro helicóptero que caiu é um artista com licença só para cantar. Pouco nos importa, porque sabemos que a agência não ressuscitará os mortos e que tampouco receberá os tributos relativos às faltas cometidas, no entanto, não sabemos, já que esse órgão existe para fiscalizar aeronautas, aeroviários e aeronaves, por que não o faz?
Ainda assim, diante desse quadro tenebroso, abrem-se os céus entre Brasil e EEUU. Acordos de liberdade de linhas aéreas com a Comunidade Europeia são assinados. Modificações estruturais na administração do sistema aeroportuário brasileiro às vésperas dos grandes eventos são barganhadas, entre concessionárias distintas, públicas e privadas com objetivos diferentes, nacionalidades diferentes e modus operandi diferentes. O que o povo brasileiro não deve deixar passar despercebido e exigir que esses “inventores de modernidade” não se esqueçam de assinar um termo de responsabilidades que lhes cabem ao final de cada contrato, quanto aos riscos à segurança aérea, independente da condição de estarem ou não futuramente, exercendo funções no Governo.
Ao serem questionados sobre a Torre de Controle do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, ainda em construção, os vencedores do primeiro leilão aeroportuário simplesmente disseram: -“Podem ficar com a administração da Torre de Controle e do controle de tráfego aéreo”.
Não permitam que o Transporte Aéreo Brasileiro seja encarado como um investimento de valores em “contratos de risco”. Essa visão, se não for considerada uma imprudência, certamente, em caso de resultado desastroso, deverá ser classificada como um ambicioso crime contra a sociedade brasileira, pois, controladores de tráfego aéreo e pilotos continuarão sendo expiatórios do corporativismo político brasileiro.
Celso BigDog

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