domingo, 23 de janeiro de 2011

Acertando as contas.

Um controlador de tráfego aéreo ou bebe, ou fuma ou é veado! Era assim que se auto definiam os intrépidos precursores do ATC brasileiro. Com certa razão era esse o comportamento que dominava a classe naqueles tempos tão machistas. Éramos alegres, audazes, orgulhosos de exercer uma tarefa ímpar e de desempenho irretocável. Éramos capazes de identificar aeronaves numa tela de RADAR como pequenos grãos de arroz e, independente de quantas outras tivessem sendo controladas simultaneamente, saber o tempo todo quem eram, em que altitude estavam, seus destinos, velocidades e restrições. Nada de etiquetas ou correlações automáticas nos alvos. Na TWR nada de TARIS, apenas uma sequência de luz amarela e vermelha. Tudo dependia de atenção e criatividade. Por certo que hoje, diante da grande confluência de tráfego para as grandes áreas terminais, não seria possível trabalhar com aquele modelo, mas com certeza, o número de aeronaves controladas simultaneamente por um único controlador era infinitamente maior. O layout atual substituiu os antigos postos de controle que se resumiam em “chegada e saída” por vários setores distintos, com separação lateral e vertical, limitando o número de aeronaves dentro de cada um deles, onde atuam, com certo conforto, um controlador e um assistente.
Da mesma forma que hoje se racionaliza os conhecimentos de um piloto dando ênfase a sua atuação como operador de sistemas, já se fala também na extinção do ATCO. A evolução tende a criar gerentes de um sistema automatizado que permite uma interação eletrônica direta entre auxílios de solo, satélites e computadores de bordo sem qualquer intervenção humana. Um único piloto no cockpit seria apenas um backup para uma eventual falha do sistema. Um único gerente de fluxo seria necessário para monitorar sensores e atuar diante de imprevistos, intempéries, acidentes de uma determinada área ou setor. Já pensaram?
A propósito, iludido pela mídia e imitando os ídolos da minha juventude, fumei e bebi inadvertidamente por anos a fio. Hoje, como num acerto de contas, pago um alto preço por isso. Quanto àqueles controladores que nunca beberam e nunca fumaram, que sorte a deles! Como? Ah sim, claro... São veados, mas são meus amigos!
Celso BigDog

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A luz no fim do finger.

A aviação civil brasileira tateia na escuridão da incompetência administrativa e busca na base de tentativa e erro o caminho certo para suas necessidades vitais. Experiências internacionais são trazidas à baila como solução para os problemas tupiniquins, ledo engano. Já notaram que a criatividade e a ousadia de um brasileiro seguiu caminho inverso e tirou a TAP do buraco, tornando-a modelo de operação, excelência e pontualidade? Se a nossa capacidade de debelar problemas já deu mostras do quanto somos bons naquilo que fazemos, o que há de errado então?
Falta de tripulantes? Por que nossos aviadores militares não compõem tripulações comerciais como copilotos? Se assim procedessem estariam aprimorando seus conhecimentos e mantendo um alto grau técnico benéfico à Força. Por que mecânicos militares não estagiam em oficinas de manutenção da aviação civil. Quem sabe um dia não se chega ao modelo de países do primeiríssimo mundo, onde suas Forças Aéreas não aparecem, pois estão contidas na aviação comercial. Se acha isso impossível, que tal saber que a nossa FAB, durante a implantação da operação dos R-99, com o intuito de capacitar seus pilotos na operação do EMB145 colocou seus aviadores compondo tripulações em voos regulares nas aeronaves da Rio-Sul? Houve algum prejuízo ou alguma diferença operacional? Então por que alimentar essa ideia estapafúrdia de embarcar jovens especialistas em aviação virtual para copilotar e conduzir veículos com centenas de pessoas a bordo. Se levarmos em conta que a aeronave da TAM que se acidentou em Congonhas tinha em seu cockpit dois comandantes com milhares de horas de voo cada um, o que esperar de um comandante recém-promovido assessorado por um jogador de Flight Simulator quando tudo der errado.
Alardeia-se também o crescimento da aviação doméstica brasileira como efeito de mais um milagre econômico, incluindo a classe “C” no rol de usuários do transporte aéreo. Festejam esse feito como se fosse uma grande conquista, mas desconsideram negligentemente os danos irreparáveis que chegam a reboque dessa realidade. Essa fanfarronice endossada pelo jargão “nunca antes na história desse país” me faz lembrar as liquidações de lojas de departamento na primeira semana do ano, de pontas de estoque e peças com pequenos defeitos, sem qualquer garantia, onde o cliente não tem direito ao frete, nem à troca do produto. Para isso, sujeitam-se humildemente a filas quilométricas para conseguir um atendimento sem qualquer dignidade.
A luz que falta no fim do finger chama-se “coragem”! Coragem para transformar conceitos. Coragem para dissipar o ranço que há na relação entre civis e militares. Coragem para redefinir o conceito de hierarquia militar e aceitar opiniões subalternas, quase sempre verdadeiras e experimentadas. Coragem para assumir, quando necessário, posturas politicamente antipáticas e impopulares.
A Classe “C” que me desculpe, mas, penso que o transporte aéreo brasileiro não tem outra alternativa senão sobretaxar vigorosamente em 20 ou 30% nos próximos três anos suas passagens aéreas e recolher aos cofres de uma secretaria de infraestrutura. Possibilitar ações livres dos ritos de licitações vigentes, mas auditar diuturnamente pelos olhos do TCU para dar celeridade e lisura aos processos. Além de frear esse crescimento aéreo metastático, incontrolavelmente nocivo, permitiria que a infraestrutura aeroportuária recebesse a adequação necessária para atender não só aos grandes eventos de 2014 e 2016 como um crescimento aéreo planejado, responsável e seguro.
Coragem minha gente! Coragem!
Celso BigDog

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A aviação civil brasileira deriva, mas o governo não tergiversa.

Em aviação costuma-se dizer que só há duas formas de se fazer as coisas: a certa e a errada.
Por mais que se queira inovar é sempre bom medir a distância para só depois arriscar um salto. Tem sido assim desde sempre. A euforia em torno do automatismo, por exemplo, já fez muitas vítimas e coloca a tecnologia a dar marcha à ré sempre que um fato novo, sinistro, acontece. Foi assim com a transição tresloucada para a ANAC que, ávida por mostrar serviço dentro de um labor que mal conhecia, acabou por desregular velhos princípios de segurança. Foi assim com a desestatização da Infraero que se achou madura o suficiente para “se perceber como empresa” e excluir os aviões do rol de seus clientes. Foi assim com empresas aéreas que trocaram o mimo dedicado à expectativa do passageiro pela importância do lucro. Foi assim com a tecnologia embarcada, que metendo os pés pelas mãos transformou “rotina de apoio à decisão” em procedimento irrefutável ao comandante. Por essas e outras que as transformações na aviação não podem ser assim de supetão. Se o recuo do novo governo foi no sentido de tomar mais distância para impulsionar um grande salto e transpor um imenso obstáculo, parabéns! Isso demonstra que a equipe acaba de tomar consciência do tamanho do pepino.
A aviação moderna já não é tão simplista a ponto de buscar numa reta a menor distância entre dois pontos. Hoje o que se procura de verdade é o “melhor caminho” entre uma decolagem e um pouso.
Ainda que a opinião pública seja manipulada por interesses de través, a deriva do transporte aéreo brasileiro deve ser corrigida sempre, para que ao longo da trajetória não se afaste cada vez mais de seu objetivo básico, que é servir com segurança e eficiência.
Se durante a campanha eleitoral a candidata tergiversou sobre o aborto, hoje, como presidente eleita não tem mais dúvidas. Sentindo que a ideia da SAC se aproximava da V1 de forma desconfigurada e sem sustentação, valendo-se de suas prerrogativas de comando, “abortou a decolagem”.
Celso BigDog.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Trocando Aeroportos por Aeropastos e colocando o caos na frente dos bois.

Ano de 2017...
Cansado das desculpas esfarrapadas de seus ministros o presidente exige que seja marcado o dia, mês e  hora para o fim do “Frigo-Caos”: - "As filas nos açougues, os churrascos tocados à carne de segunda e o desrespeito com o paladar dos consumidores tem limites" - afirmou indignado.
Depois que o grande fiasco promovido pela aviação civil brasileira embaçou o brilho os eventos esportivos, o Brasil começa o ano de 2017 sem saber o que fazer com seus novos aeroportos. Inaugurados tardiamente, logo após o final da Olimpíada, agonizam diante do desinteresse demonstrado pela indústria do turismo. Para se ter ideia de como a coisa anda, até os gringos e as ONGs pararam de ajudar financeiramente as comunidades cariocas que, agora pacificadas, perderam a graça. Já se fala até em resgatar o "Caos da Segurança Pública".
No Planalto já há rumores de que o governo deverá estatizar alguns portos, aeroportos e rodoviárias colocando-os sob a tutela da Marinha, Aeronáutica e Exército respectivamente. O excedente será colocado sob as ordens do Ministério da Agricultura, que visando resolver o problema sazonal da falta de carne no mercado já pensa em reutilizar as áreas aeroportuárias ociosas, plantando capim e construindo instalações provisórias para confinamento de gado. Um relatório da ANCA – Agência Nacional de Criação e Abate dá sinais de que é favorável ao projeto. O novo CBA – Código Brasileiro Agropecuário, também em votação no Congresso, já contempla a figura de boiadeiros, açougueiros e profissionais de inseminação artificial, com uma ressalva bombástica: “Todos deverão ser CIVIS”. Regulamenta a função de boiadeiro-aprendiz, habilitando-o mediante comprovação de 30 horas em touro mecânico. Reza também a minuta do MRC - Marco Regulatório da Coisa a recriação de uma instituição específica para cuidar da infraestrutura, a INFRAPASTO, que já agita o meio político aliado para indicação do cargo de um CEO – Companheiro Extra-Oficial.
Uma fonte fidedigna confidenciou que toda essa mobilização tem um motivo: A candidatura do Brasil para sediar em Campinas o Campeonato Mundial de Rodeio em Touros de 2020. Na verdade o empenho das autoridades no sentido de atender às exigências dos organizadores esconde o receio de que, caso perdure essa situação caótica na pecuária, não sobrem bois nem mesmo para serem montados no evento.
Aeroporto de Virapasto/2020
Trocando um trem de pouso por um trem que pula!
Celso BigDog

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Abertura de Capital da Infraero é para ja! ou ju?

Janeiro ou Junho de 2012?
Depende de quem vem por ai para assumir a tal Secretaria. Depende de quem esse tal secretário nomeará para conduzir a instituição. Depende de quanta verdade existiu nas promessas eleitorais de se atribuir funções técnicas a técnicos. Depende de quanta autonomia terá esse superexecutivo frente à pressão política. Depende do que a nova governança desse país fará com a folha em branco que recebeu assinada pelo povo brasileiro para promover as mudanças que tanto alardeou. Depende de como as garantias serão apresentadas aos investidores desse fundo, que parece um sumidouro de tão fundo.
Por enquanto a empresa está sendo examinada por investidores como um matuto examina uma galinha de capoeira. Pega a bichinha pelos pés, de cabeça para baixo, abre suas asas e assopra para ver se tem a carne amarelinha e por fim aperta seu pescoço para ver se tem “gogo”. Dependendo do que sair quando ela abrir o bico, conseguiremos ou não a confiança que necessitamos.
A Infraero ainda não colocou faixas com os dizeres “Sob Nova Direção”. Por enquanto, por incrível que pareça, com tantos especialistas dando entrevistas esfuziantes nos saguões dos aeroportos, só o que vemos por todos os lados são plaquinhas com anúncios de: “Há vagas”.
Celso BigDog

Atlantis na mira do Planalto.

Depois da declaração do Presidente da República em que confessa ter vergonha de utilizar uma aeronave que necessita de escalas em suas viagens de longa distância, estrategistas já articulam a aquisição do ônibus espacial Atlantis. O martelo ainda não foi batido porque está sendo aguardado um parecer técnico de autoridades aeronáuticas sobre a operacionalidade da Atlantis. Há rumores de que a Endeavour seria a preferida dos militares, que já pensam no benefício da transferência de tecnologia para o PEB. Difícil está sendo conseguir a contratação de um astronauta estrangeiro, pois o único brasileiro definitivamente não quer mais nada com assuntos aeroespaciais, e hoje se dedica exclusivamente à sua fazenda de produção de feijão.
Além de estar sendo estudada a transferência da base de lançamentos do Maranhão para o DF, segundo afirmou o TiririkLeaks, (aquele mesmo que deixou vazar a prova do candidato que errou nove palavras de um ditado de dez) houve também manifestação favorável ao aluguel da Estação Orbital para reuniões estratégicas do “partido”.

Acho melhor dizer que tudo isso é brincadeira não é mesmo? Do jeito que a praça está infestada de pseudo-especialistas, vai que acreditam e acabam mandando o governo para o espaço numa viagem sem volta.
Celso BigDog
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1§ion=Pol%EDtica&newsID=a3127164.xml

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Um blog com espírito ATC.

"Celso BIG BLOG - Opinião ATC" completou seu segundo ano de existência e, sem qualquer artifício publicitário ou comercial, encerra o ano de 2010 com 22.000 acessos. Aos amigos que incentivaram essa proposta de trazer à discussão assuntos do universo aeronáutico, cultura aeronáutica, esclarecimento à opinião pública, diversão aos controladores, aeronautas e simpatizantes da aviação, os meus mais sinceros agradecimentos e os votos de um ano novo repleto de realizações. Que em 2011 não nos falte fraternidade na comunhão desse momento único da história do Sistema de Transporte Aéreo Brasileiro.
Boa sorte a todos!
Mário Celso Rodrigues
ATCO (ret) BigDog

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O que falta para o ATCO é postura!

Depois de um dia no Controle de Tráfego Aéreo você reclama de:
Dor nas costas? Dor na nuca? Dor lombar?
Seus problemas se acabaram!
Chegou o revolucionário Cervy Call.
O corretor postural de baixo custo.

Deslocamento em 3 eixos;
Rotação de 360º;
Visão frontal de 180º;
Não impede o uso dos óculos ou binóculo;
Não impede beijinhos nas coleguinhas de trabalho;
Não impede uma boquinha ou um cafezinho.

Não mande dinheiro agora.
Na compra de um Cervy Call você ganha inteiramente grátis um
Seat Velkro.
Recomendado para controladores que não param quietos nas posições operacionais.
Fazer "perninha" é coisa do passado!
Grude seu auxiliar na cadeira e fique tranquilo!
Use Seat Velkro!

E atenção, os primeiros 100 e-mails receberão também inteiramente grátis um
Boss-Detector.
Não seja pego de surpresa!
Boss-Detector avisa você assim que o seu chefe puser os pés na escada da Torre.

Sorria! Pois ninguém é de ferro!

Celso BigDog

A aviação brasileira como nunca civil!

Ao tentar concatenar os acontecimentos às minhas ideias, durante a composição deste texto, por várias vezes me vi obrigado a refazer alguns parágrafos. Primeiro porque me faltou compreensão do que se propõe a nova Aviação Civil Brasileira. Como sempre, procurei por uma imagem análoga e adotei um pintinho de galinha como símbolo da categoria. Galinha voa? Pois ao que me parece a Aviação Civil Brasileira não tem também a pretensão de alçar longos voos, ou pelo menos de voar como as grandes águias. Não vi uma manifestação sequer do setor empresarial em prol da modernização do conceito ATC/ATM brasileiro como se aviões voassem sozinhos. Ao fixar o olhar no próprio umbigo, o transporte aéreo como um todo, não precisará chegar até a Copa do Mundo de 2014 para comprovar sua ineficiência, ineficácia e antipatia perante a opinião pública. Preferir o "status quo" do ATC como forma de mascarar as justificativas para os "apagões" causados por overbooking, estouro de escala de crew, aeronave com manutenção preventiva atrasada, etc, não me parece uma estratégia sensata, muito menos segura. Em breve teremos notícias.
A aviação civil de um país continental como o Brasil não voará bem se não tiver um serviço de controle e gerenciamento aéreo de qualidade, com profissionais competentes, selecionados, preparados e engajados num processo de constante aprimoramento. A continuar por essa rota a malha aérea brasileira continuará sofrendo em mãos inábeis, amargando receitas negativas que irão reeditar histórias como a Panair, Real, Cruzeiro, Vasp, Transbrasil, Varig e outras que já se ajeitam medrosamente nos poleiros para transpor a cerca do galinheiro.
Não esperem que um simples agente que mal sabe separar um avião do outro, rezando para que o acaso não congestione seu setor, possa dar eficiência, economia, rapidez, e principalmente segurança ao voo. Dele, salvo raras exceções, só se pode esperar o servilismo castrense, pois o seu grau de servidão é que pontuará a ficha de avaliação que o fará “progredir” na carreira. Não falo em desmilitarização, mas falo sim de uma profissão cuja preocupação basal deveria se fundamentar na busca pela excelência e não por S. Excelência. Ainda que continue sob a batuta militar, não seria interessante rever a estrutura da carreira?
Já usei algumas vezes uma citação que deveria traduzir fielmente o pensamento da Força Aérea Brasileira que diz - “A hierarquia deve existir para definir níveis de decisão, mas nunca para afastar aqueles que vivem sob o mesmo juramento”. Esse pensamento seria uma afronta às autoridades não fosse dito pelo próprio Patrono da Força Aérea, o Marechal do Ar Eduardo Gomes!
Se por um lado a nova Aviação Civil já ensaia seus primeiros passos para fora do ninho, por outro, o ovo galado do ATC/ATM Civil dá mostras de que pode gorar. Sendo assim, enquanto as coisas não acontecem de fato, o melhor a fazer é formalizar parâmetros de segurança que salvaguardem o ATCO das fraquezas do sistema, pois no caso ATC, se observarem, o pinto ainda está dentro... do ovo.
Celso BigDog

sábado, 4 de dezembro de 2010

Tráfego Aéreo – Controladores com a faca e o queijo na mão.

“Já o controle de tráfego aéreo continuaria com a Aeronáutica, dada a falta de mão de obra especializada e recursos para montar uma estrutura à parte. Há ainda uma avaliação de que é uma área complicada, com riscos de paralisações, o que serve de justificativa para que a atividade permaneça com os militares.”
Semana passada cheguei a pensar que, pelo andar da carruagem, os nossos controladores de tráfego aéreo estavam "com a faca e o queijo na mão". Mas a coisa desandou e eu voltei à estaca zero nas minhas convicções depois das últimas notícias. Se essas justificativas tiverem alguma lógica, por que não pensar então na possibilidade de militarizar a Aviação Civil? Ficariam todos no mesmo barco, fardadinhos e bem distantes das greves que sempre ameaçam o setor. E olhe que não seria de todo ruim enquadrar também a saúde e a educação nesse pacote. As Secretarias Estaduais de Segurança Pública que se mobilizavam para extinguir suas polícias militares, pelo jeito voltaram atrás. Não só "não" as extinguiram como lançaram mão da truculência bélica das Forças Armadas com blindados, helicópteros e armamento pesado para “tentar” caçar bandidos em terras cariocas. Bem, mas essa é outra história.
Há necessidade de se ter cautela no trato com o assunto, pois além de englobar um universo técnico muito complexo, mexe com princípios que, de acordo com as autoridades da Força, não estão em negociação. Acredito que transformações ocorrerão naturalmente com o passar do tempo, vislumbrando até mesmo a possível extinção do “Controladoris Erectus” para dar lugar ao “Gerentis Pterofluxus”. Essa evolução já pode ser sentida se observarmos que o número de vagas oferecidas para o Curso de Formação de Oficiais Especialistas CTA é cada vez maior. Afinal, de quantos oficiais CTA o SISCEAB precisa no atual modelo?
Enfim, em minha opinião haverá alguma desmilitarização sim, mas só em torres de controle, assim como citou o brigadeiro Pereira, ex-presidente da Infraero. Penso inclusive que essa mudança pontual seria uma opção para facilitar o enquadramento do serviço dentro de um novo conceito de administração aeroportuária privatizada. Quanto aos demais órgãos do SISCEAB, se considerarmos todo o aparato técnico, de formação e treinamento que cerca os profissionais, não querendo arremedar o brigadeiro, são realmente grandes “pepinos”. Aí já viu né? Teria que separar o “pepino”, tirar a farda do “pepino” e isso realmente não é fácil.
No momento tudo não passa de especulação. O melhor a fazer agora, enquanto assistimos aos lançamentos desses criativos “balões de ensaio”, é ter cuidado para continuar com a faca e o dedo na mão.
http://fl410.wordpress.com/2010/11/19/dilma-podera-criar-secretaria-para-setor-aereo/

Entenda o caso da greve dos controladores espanhois (em 2 partes)
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=fRcgupe9ol4&feature=youtube_gdata_player
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=DCutbfDFQog&NR=1
Celso BigDog

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Desmilitarização do ATC – Uma questão de ponto de vista!

Diante das novidades do próximo governo que se erigem no horizonte, arrisco a dar meu pitaco. Posso dizer que fui um privilegiado dentro do SISCEAB. Por força das circunstâncias conheci profundamente a infraestrutura e a operacionalidade tanto de São Paulo, quanto do rincão mais remoto e mais inóspito da Amazônia. Tive o prazer de comandar o DTCEA-FX no Xingu, onde se alocam antenas repetidoras de Dados, VHF e RADAR, e pude ver de perto que não basta espernear e querer para si um brinquedinho difícil de manter. As questões de logística, de provisionamento, de manutenção são extremamente complexas. Tornar um SISCEAB civil não significa apenas transferir controladores, alguns microfones e telas de visualização RADAR para as mãos de um paisano. Significa transferir os problemas estruturais, que não são poucos, e certificar-se que o aceitante conseguirá dar conta do recado.
Pare um instante! Pense na questão administrativa e responda para si mesmo: - Ao receber de presente um ATC plenamente civil, quem você empossaria nos postos administrativos e gerenciais do complexo? Quem trataria dos assuntos e acordos internacionais junto à ICAO? Seriam os “controladores de voo”? Se pensa assim, sinto muito em decepcioná-lo. Ainda não há esse profissional com capacitação para tal. O sistema continuaria sendo, por muito tempo, gerido por militares de alta patente da reserva da Aeronáutica e políticos ligados aos segmentos do transporte aéreo, todos com altos salários e situação empregatícia invejável. Traria consigo todo o "modus operandi" que você está acostumado a cumprir hoje. Já teve a curiosidade de analisar o currículo do atual staff da ANAC?
Se num passado não muito distante, a transição mal feita do Departamento da Aviação Civil para ANAC produziu uma ação normativa que contribuiu para um acidente de grandes proporções em Congonhas, o que esperar então do ATC onde as ações fluem em tempo real?
Então minha gente, como nada acontecerá da noite para o dia, e inicialmente "tudo continuará como dantes no quartel de Abrantes", devagar com o clamor que a torre é de barro.
Dilma quer pasta forte ou secretaria só para cuidar de aeroportos e portos.

Celso BigDog

domingo, 21 de novembro de 2010

Tráfego aéreo – Entre o lapso e o colapso!

Sempre que uma ocorrência envolvendo o controle de tráfego aéreo torna-se pública, notamos um silêncio cômodo. Ninguém se pronuncia com propriedade. E já que aqueles que deveriam falar não falam, ouvimos por todos os cantos o zurrar oportunista e impune dos sacrílegos, com seus discursos verborrágicos, insípidos, insanos e leigos: – “A culpa foi do operador de voo da torre de comando”. E diante disso, a única manifestação que vem do Olimpo é um sorriso de soslaio, de canto de boca, amarelado pelo receio de ser lembrado. E justificam: -“Se a voz do povo é a voz de Deus, lavamos as mãos, pois quem somos nós para contestá-la?”
O mecanismo é simples. A mídia sacia o cidadão com sua logorréia. O sistema aproveita o momento e entoca, sem escrúpulos, suas falhas sistêmicas nas gretas que solapam o regulamento aeronáutico e a regulação da aviação civil. E assim, enquanto a opinião pública se farta devorando a honra e a dignidade “jomarceliana”, as instituições passam ao largo, absortas, impolutas e alheias.
É quase impossível precisar quantas revisões, emendas, erratas e reedições sofreu a biblioteca aeronáutica (ICA/IMA.../RBHA/RBAC... e os MOP das cias aéreas) depois dos acidentes de 2006 e 2007. Com certeza foram tantas que algumas até se descaracterizaram, mudaram de nome ou foram simplesmente revogadas. Para ser mais exato, uma delas, a IS-RBHA 121-189 não passou de uma “brincadeirinha”, acreditem!
Este mês os controladores e os pilotos envolvidos no episódio de 2006 começaram a ser julgados. Se foram necessários quatro anos de estudos e análises da justiça e das mais renomadas assessorias aeronáuticas para se chegar a uma conclusão sobre o que deveria ou não ter sido feito, o que poderíamos esperar daqueles que só tiveram alguns segundos, entre o lapso e o colapso, para analisar o cenário, a pertinência dos regulamentos, decidir e agir?
Se as autoridades aeronáuticas estivessem convictas da consistência de suas ordens em 2006, certamente aguardariam o desfecho jurídico de hoje para, só então, promover as alterações necessárias.
É assim que eu penso!

http://setoraereo.blogspot.com/2007/09/clipping-is-rbha-121-189.html
Celso BigDog

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Aeroportos de Segurança Máxima!

Deixando a eficiência aeroportuária em terceiro plano (em segundo está o comércio lojista aeroportuário) o Brasil investe pesado na segurança aérea. O primeiro passo foi colocar o controle de tráfego aéreo dentro desse complexo, de maneira que, qualquer que seja o fator de insegurança produzido por agentes de controle de tráfego, ações repressivas podem ser tomadas de imediato, abreviando o trâmite administrativo, dando agilidade à máquina no trato com seus parcos Recursos-Humanos.
Nenhuma explicação nos convence de que resultados positivos possam ser alcançados antes de promovermos o maior fiasco da história aeronáutica desse país. A fala gerencial mostra claramente que a gagueira desconexa do “Aeroleigus Sapiens” é sustentada por um cargo de raízes muito profundas, difíceis de arrancar. Ainda que haja uma assessoria a assoprar-lhe nos ouvidos, ao estilo “Grilo Falante”, estou certo de que o próprio interlocutor não acredita no que diz.
Podemos concluir facilmente que o problema está na falta de expertise administrativa fruto do apadrinhamento político. Está na sobrepujança dos princípios técnicos por princípios castrenses, e no infundado desprezo das autoridades pela experiência laboral. O problema não está na base, na “infra” estrutura aeroportuária. O problema, de tão envolto por interesses diversos, foi engolido e passou a ficar no meio, no cerne, na “INTRA” estrutura aeroportuária.
Faltando 30 dias para o pico de demanda sazonal do tráfego aéreo no país, autoridades aeronáuticas se reúnem para traçar um plano “anti-caos”. O transporte aéreo brasileiro não reagirá positivamente com inócuas mudanças, com experimentos de última hora, com devaneios e ilações. Pressionados pela ameaça da culpa por “Falha Humana”, mais uma vez, a fluidez do tráfego fica à mercê da capacidade individual e da coragem de controladores e tripulantes.
O Transporte Aéreo Brasileiro já não aguenta mais mudança. Precisa mesmo é de TRANS-FOR-MA-ÇÃO!

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), que representa mais de 200 companhias, fez ontem uma violenta crítica ao estado da infraestrutura do setor aéreo no Brasil, falando de "desastre" e de "vergonha".

Celso BigDog

domingo, 17 de outubro de 2010

20 de Outubro - Dia Irracional de Controlador do Tráfego Aéreo

Dois controladores confabulando sobre a festa do dia 20 de Outubro:

- E ae? Vai à festa?
- Que festa?
- A nossa festa ué!
- Mas esse ano não vai ter...
- Não vamos fazer?
- Fazer festa para comemorar o que?
- Ah não! Vamos dar um jeito nisso! Mobilização geral!

E foi assim que rolou...
ANAClara trouxe “Baba-de-moça” da doceira “D.A.C. aos Pedaços”. DulceSNEA apareceu com uma bandeja abarrotada de “Olhos-de-sogra” arregalados em direção ao céu. A lanchonete do aeroporto, para fazer uma média com a Infraero, mandou algumas dezenas de docinhos “Bem-Atrasados”, mas deu para notar que não eram frescos, pois estavam azedos demais. As empresas aéreas mandaram alguns lanches de bordo, daqueles em caixinhas plásticas que se abrem ao menor toque. Foi com tanta boa vontade que alguns deles já vieram até mordidos. Os saquinhos de amendoins, plagiando os perfumes "Contém 4Grãos", fizeram o maior sucesso no acompanhamento da cerveja cotizada pelos presentes. E as balas “7Belo” então? Recebemos cinco pacotes, mas um deles extraviou-se no trajeto. Ficamos muito apreensivos com as tais balas perdidas. Já o Governo Federal que havia prometido custear tudo, como era de se esperar, na “hora H” acabou "dando o bolo".
E assim seguiu a comemoração. Grupos de controladores se deliciando com os adocicados "Papos-de-anjo" gentilmente cedidos pela doceria "Coração 2A2.  E FABiana? Bem, a nossa FABiana, que não sabe fazer outra coisa, passou o dia enrolando brigadeiros e só apareceu já no final do evento com meia dúzia deles. Sumiram por completo assim que o pessoal rodeou. E quando todos voltavam para os seus lugares, pude observar um velho e experiente tenente “tererê” aconselhando um controlador novinho que passava de boca cheia: – "Cuidado meu filho, não abuse! Tudo o que é demais faz mal! Lembre-se que brigadeiro prende!"
Ah... esses tenentes!  Adoram pegar em "Pés-de-moleques"!

Aos meus Amigos, da atividade de controle de tráfego aéreo de todos os tempos, jurássicos, contemporâneos ou novinhos, o meu mais caloroso abraço. Aos que já foram substituídos, desejo que suas histórias rendam bons exemplos e boas risadas. Aos que ainda estão na linha de frente, a sorte de ter as Mãos do Senhor sempre atentas, para quando tudo mais falhar.

Feliz 20 de Outubro!
DIA IRRACIONAL DE CONTROLADOR DO TRÁFEGO AÉREO
Celso BigDog

No Kart Center em São José dos Campos, como sempre, haverá nossa Confraternização. Para confirmar presença ou mandar mensagem acesse: http://www.facebook.com/#!/event.php?eid=117096685018065

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Congonhas – Mais do que um campo de pouso, um Campo Santo!

Se o pensamento de Confúcio que diz “O que eu ouço, eu esqueço. O que eu vejo, eu lembro. O que eu faço, eu sei” for realmente uma característica intrínseca da qualidade humana, então me julgo plenamente capaz de expor em meus devaneios uma opinião que ninguém poderá desprezar.
Acidentes e incidentes vem sendo registrados ao longo dos anos de existência desse nosso charmoso aeroporto. Cientistas de escrivaninha arriscam-se nas mais diversas e nababescas teorias de recuperação do status aeroportuário, quando na verdade o aeródromo continua sendo relegado ao terceiro ou quarto plano. Um aeródromo só rende taxas operacionais, enquanto o aeroporto com suas lojas, restaurantes, e serviços de toda a sorte, rendem um faturamento incalculável, diria até impublicável. Ora bolas! Poupem-nos! Poupem o povo brasileiro das falácias. Essa agrura, que faz talhar a esperança em um futuro promissor para o nosso tráfego aéreo, vem do perdigoto que brota no canto da boca dos oportunistas, que espirra para todos os lados quando tentam justificar a importância de seus projetos milionários.
Quando Congonhas e todos os demais “aeroportos civis” forem encarados como campos de pouso, aí sim, poderemos buscar soluções sérias para o transporte aéreo brasileiro. Mas enquanto esse pensamento não vier, e as restrições de segurança aplicadas a SBSP por ocasião do acidente do TAM 3054 continuarem sendo pulverizadas, só nos resta mesmo rezar. E não digo isso sem motivo. Já observaram quantos passageiros fazem o Sinal da Cruz nos segundos que antecedem o pouso em São Paulo?
Perdemos uma grande oportunidade de construir a nova Torre de Controle de Congonhas com uma arquitetura futurista, temática e, no mínimo, com a devida e justificável reverência.
O que eu faço, eu sei!

ADENDO: Mal o post caiu na rede e já há controvérsia. Perguntam-me o que fazer "então" com Congonhas? Muito pode ser feito, como por exemplo, reestudar o tipo de aeronave adequada para operar com segurança, levando-se em consideração as características físicas e topográficas do aeródromo. Ou ainda, resgatar os princípios operacionais de VDC - Voo Direto ao Centro, que ligaria apenas os aeroportos de Congonhas, Afonso Pena, Santos Dumont, JK e Pampulha, livrando Congonhas de qualquer conexão, de qualquer vínculo entre voos, eliminando sua maldição de "HUB". Isso diminuiria, de imediato, em 50% o tempo de ocupação do pátio.
Celso BigDog

domingo, 22 de agosto de 2010

L.R.O. - O Livro Proibido.

Apesar do meio aeronáutico ter descoberto há muito tempo a valiosa ligação lógica entre "demanda e capacidade", tanto da infraestrutura aeroportuária, quanto do controle de tráfego aéreo, não soube o que fazer com ela. Nada do que vem sendo publicado sobre gargalos na aviação civil brasileira é fato novo. O que estamos colhendo hoje é exatamente aquilo que vem sendo semeado nos últimos vinte anos.
Essa evolução é contada minuto a minuto, hora a hora, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano nos Livros de Registro de Ocorrências encontrados em cada Torre de Controle, em cada Controle de Aproximação ou Centro de Controle de Área. Foram criados com o propósito de canalizar informações entre controladores de tráfego aéreo e suas chefias. Guardam todos os fatos ocorridos dentro de um turno de trabalho e mostram “ipsis litteris” não só as informações da aviação civil e militar como também as deficiências da infraestrutura aeroportuária, da infraestrutura aeronáutica, da operacionalidade, dos recursos humanos, dos acidentes e incidentes aéreos ocorridos em todos os aeroportos brasileiros. Dessa forma, a história do tráfego aéreo brasileiro é escrita em tempo real e o L.R.O. é o único que pode revelar a verdadeira escalada do chamado "Caos Aéreo”.
É compreensível que a Defesa, por questões de "segurança nacional" mantenha esses registros com certo grau de sigilo, pois a aviação usa de termos específicos que, ao julgamento de leigos, podem causar apreensão, interpretações equivocadas, distorcidas ou o que é pior ainda, acertadas.
De qualquer forma, como sempre diz um velho e sábio amigo, se um dia eu puder e vier a publicar essa história, a capa eu já tenho!

P.S. Não adianta procurar na Bienal do Livro. Essa capa é mera ilustração fictícia. Já tenho pronta também uma capa - uma vez que a Aeronáutica liberou o assunto sobre OVNIS - com o título: "Meu chefe é um E.T."

Celso BigDog

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Apagão Aéreo – Parabéns pra você!

Com quem será?
Com quem será?
Com quem será que o Apagão vai se acabar?
Vai depender;
Vai depender;
Vai depender qual Governo vai querer...

Já cansei de falar desse assunto. Aliás, devo ter sido um dos primeiros a mostrar essa tendência ruim ainda na virada do milênio. Mas depois de tanto tempo, e com tantas promessas, numa breve análise podemos ver que:
- As restrições impostas ao Aeroporto de Congonhas em 2007 foram desfeitas;
- As pistas continuam operando com a mesma capacidade de absorção da época do acidente do JJ3054;
- Os pátios não aumentaram;
- O espaço mínimo entre as poltronas dos aviões não só não aumentaram, como se encaminham para viagem em posição fetal. Já se fala até em viajar de pé;
- O controle de tráfego aéreo faz sua parte na formação de pessoal preparando-o para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Mas pense bem... De que adianta o aumento da capacidade de controle se não há capacidade de absorção desse tráfego? De que adianta aproximar aviões simultaneamente para duas, três, cem pistas, se não tem onde estacionar? De que me adianta comprar uma pickup se em minha garagem só cabe um fusca?
Acredito que já não seja suficiente ativar uma “Sala de Crise”. Pelo andar da carruagem precisamos mesmo é de um “Teatro de Operações” para uma operação de guerra, onde caibam todos os dirigentes dos segmentos participantes do transporte aéreo brasileiro - CONAC, ANAC, DECEA, INFRAERO, DAESP, SNEA, CASAS BAHIA, ABAG, CENIPA, CGNA, CINDACTA I, CINDACTA II, CINDACTA III, CINDACTA IV, SRPVSP, SNA, SNTPV, EMBRAER, ATECH, SAIPHER - e, convocar controladores de tráfego aéreo da ativa, que ainda atuem no “Front ATC” para darem seus testemunhos das verdadeiras dificuldades do universo aeroportuário. Como já disse antes, quer queiram ou não, em termos de tráfego aéreo, só o controlador pode enxergar além do horizonte sem tirar os pés do chão.
Temos testemunhado as autoridades alardeando a calma nos aeroportos e o fim do Apagão na mídia. Fazem isso na entressafra, fora de temporada, demonstrando completo desconhecimento das áreas onde atuam. Gosto mesmo de ver sua criatividade “falaciana” nos períodos de pico, quando... Ôpa! É pico... É pico... É pico, é pico, é pico. Ra-tim-bum!
Celso BigDog

P.S. Estranhou a presença de CASAS BAHIA no rol de participantes? Eu também, mas veja o link:
http://economia.estadao.com.br/noticias/not_30372.htm

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Hoje tem marmelada?

Enquanto isso, no circo do tráfego aéreo:

- Bem. Agora que o efetivo da TWR está completo, vamos à chamada! Só tem 3S aí?
- Siiiiimmmmmm!
- Asssis?
- Aqui!
- Casssia?
- Sou eu!
- Edssson?
- É – dis-sson!
- Emerssson?
- Pronto!
- Casssandra?
- Aqui!
- Cosssta?
- osssta!
- Jusssto
- usssto!
- Nessstor?
- Ao seu dissspor!

Essa brincadeira me fez lembrar uma passagem com um grande amigo no início da década de 80. Recém-chegado ao SRPV - SP, o 3S Atílio... Ah!... Antes de continuar gostaria de abrir um parêntesis para explicar que no quartel costuma-se abreviar as graduações dos militares da seguinte forma: 3º Sargento é 3S, 2º Sargento é 2S e 1º Sargento 1S.
Bem, onde estávamos mesmo? Ah sim! Recém-chegado ao SRPV - SP, o 3S Atílio dirigiu-se à agência do Banespa no Torreão do Aeroporto de Congonhas para abrir a conta corrente por onde passaria a receber seus proventos. Depois de enfrentar uma longa fila, a um aceno de cabeça sentou-se em frente à atendente. Maravilhado com a destreza com que a moça dedilhava uma espetacular máquina Remington, passou a responder as perguntas:
- Conta Corrente?
- Sim
- Tec tec tec tec tec
- Aeronáutica?
- Sim
- Tec tec tec tec tec
- Seção?
- Torre de Controle
- Tec tec tec tec tec, trim zaaap!
- Nome?
- Atílio Rossi
- Tec tec tec... tec tec … tec … 2S?
- Como?
- Rossi 2S?
- Não, 3S
- 3S?
- Sim. 3S!
- Tec tec tec, zaaap! Prontinho! É só assinar aqui... Obrigado... Próximo!

E foi assim que o Banco do Estado de São Paulo ganhou seu cliente especial de nome:
Atílio Rosssi.
Ai ai ai ai ai! Pensa que é palhaçada é? Pensa?
Celssso BigDog

terça-feira, 20 de julho de 2010

Copa do Mundo de Futebol – Uma brecha na Lei para jogos de azar.

Presidente libera R$ 5,5 bi só para os aeroportos e garante crédito de 20% a mais além da Lei de Responsabilidade Fiscal para que os próximos alcaides das 12 cidades-sede paguem a conta. Então senhores... façam suas apostas! Mas “peraí”! Qual é mesmo o nome do jogo?
- É TRUCO!
- SEIS MARRECO!
- ENTÃO CORTA O ZAP PAPUDO! TE PEGUEI NO BALAIO DE QUEIJO, RATÃO!
Não! Não é Truco. O cacife está muito alto. Se fosse Truco o roubo seria aceitável, mas nesse País roubar é crime. Está parecendo mais um jogo de Pôquer, onde se pode apostar alto, blefar, trocar cartas, alterar o valor das apostas, pegar mais dinheiro com a banca e se endividar de forma indiscriminada. O Governo aposta alto no “Hexa”, mas é o povo que terá de pagar para ver. Êpa! Espera lá. Jogos de azar também são proibidos no Brasil! Ai ai ai ai ai! Acho que alguém está escondendo cartas na manga!

Agora, falando sério!

Ainda que as obras sejam concluídas nas vésperas da Copa, as operacionalidades dos novos layouts aeroportuários, dos novos equipamentos, das novas facilidades tecnológicas estarão expondo os profissionais da aviação a riscos ainda desconhecidos, a situações não experimentadas, a procedimentos não treinados. É imprudência colocar pilotos, controladores, comissários, operadores de rampa e catering, lado a lado com o improviso durante o período de maior volume de tráfego aéreo da história da aviação civil brasileira. Se o risco é conhecido, não há como alegar ingenuidade administrativa, desconhecimento, ou quaisquer outros argumentos que não sejam “imprudência e negligência”.
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/07/lula-vai-liberar-r-23-bilhoes-para-obras-da-copa-2014.html
Celso BigDog

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Era uma vez um tal de coronel OVLOV...

“- Eu sou caçador! - Fui treinado para matar! - Não sou de usar meias palavras.” Assim era conduzida uma reunião com meu chefe, um aviador que se gabava de pertencer ao seleto grupo de pilotos de caça da corporação. Exaltava suas qualidades desenvolvidas em incansável treinamento de guerra, e que notadamente, com certa frustração, nunca colocou em prática.
Certa vez, andando a pé pela cidade de São Paulo, mais precisamente pela Avenida Santo Amaro, parou em um ponto onde tomaria a condução para o centro da cidade. O movimento era grande e o espaço destinado à espera assemelhava-se a uma ilha cheia de gente acuada pelos coletivos, como tubarões, indo e vindo num movimento frenético. Parou no meio fio analisando um a um os letreiros dos itinerários das conduções quando alguém passa em sua retaguarda, lhe dá um encontrão e o projeta no meio da pista. Com os olhos esbugalhados, incrédulo, gritou: “Judith” - talvez sua esposa, mãe ou santa protetora - e absorveu o enorme impacto frontal de um ônibus. Desfalecido foi levado ao hospital mais próximo. Após exaustivos exames e algumas bolsas de gelo, concluiu-se que somente uma pequena sequela marcaria aquele fatídico acidente: um estranho quelóide na testa. O médico que o assistiu relatou que durante a inconsciência temporária, delirava e balbuciava palavras desconexas como: “estável na proa...” “prossiga Thor!” “Tempo para encaudamento...” “conta corrente” e terminava sempre com o nome dessa tal mulher: Judith! Judith! Judith!
O irônico e cruel destino, além de desprezar seus 30 anos de treinamento, não permitiu sequer que houvesse uma guerrinha para que o valente paladino pudesse aplicar seu belicoso aprendizado. Mas foi melhor assim. O pior de tudo para sua ufana carreira de caçador, foi que, além de não ter podido aplicar seu aprendizado, terminou sua saga implacavelmente abatido no chão, de frente, e marcado para sempre por seu algoz, que não era um Sukhoi, nem um Hornet, tampouco um Gripen, mas sim, um velho ônibus urbano da marca VOLVO.
Esta é uma estória de ficção que busca alertar o quanto pode ser perigoso e inútil querer aplicar conhecimentos e habilidades específicas no lugar errado.
Qualquer semelhança com pessoas ou fatos terá sido mera coincidência. Vuurrrrrruuuummmmm!!!!!!
Celso BigDog