quarta-feira, 22 de abril de 2009

C:\O cockpit hoje! Nacele ou Workstation? [Enter]


Sei que muitos colegas aviadores da nova geração irão protestar contra esse meu comentário, mas gosto de ver certos assuntos discutidos, até porque, esse em especial é análogo ao assunto que tanto se debate na “Acholândia”: - “O futuro do controlador de tráfego aéreo”. [Enter]
Se o leitor ainda não teve a oportunidade de questionar quanto tempo um piloto efetivamente pilota uma aeronave comercial hoje, prepare-se para ter uma surpresa. Posso afirmar que a tarefa de guiar realmente o avião tem seu maior tempo gasto no solo, manobrando a aeronave no taxi e ligando e desligando seus motores no push back e nos calços. A rota é previamente programada e selecionada antes da decolagem. Os cálculos de velocidade, níveis de voo, peso e balanceamento são realizados por empresas especializadas. O computador da aeronave recebe periodicamente um upload de navegação aérea fornecido por empresas especializadas (http://www.jeppesen.com/), para qualquer tipo de voo, qualquer destino que se pretenda seguir, basta selecioná-lo. A pilotagem tem inicio durante o push e termina logo após o rotate, quando a alavanca do trem de pouso é acionada. Daí em diante e até a aproximação final do aeródromo de destino, só botões e clicks. Podemos afirmar sem medo de errar, que uma aeronave decolando para qualquer destino, será pilotada somente alguns minutos, incluindo o taxi, sendo que o restante obedecerá aos comandos de um operador de sistemas. [<- Bk Sp] digo, ...um operador de sistemas sênior auxiliado por um júnior. [Enter]
Com a proposta de introdução do CNS/ATM e dos recursos eletrônicos que vem sendo agregados ao sistema de gerenciamento de tráfego aéreo, controladores e pilotos precisam discutir sua situação futura, tanto para poder realizar um planejamento de vida, quanto para poder enfrentar essa pororoca conceitual “ATC X ATM” que se aproxima. [Enter]
Durante o XV Seminário de Aviação Civil promovido pela ANAC em setembro de 2008 em Recife, o Senhor Comandante do DECEA informou que a instituição ainda não tem o perfil do profissional que fará o gerenciamento aéreo. Será que o piloto também terá um novo perfil? [Enter]
Se ele que é ele, não sabe ainda, então nós podemos achar à vontade. E por falar nisso, o que você acha que eu acho? [Exit]
Celso BogDog

domingo, 19 de abril de 2009

Semear idéias, espargir conhecimento.


Gosto de discutir idéias abertamente. Sinto como se lançasse sementes ao vento. A natureza se encarrega de guiá-las para terras férteis, sob a luz do sol, onde um dia germinarão. Guardá-las comigo seria o mesmo que confiná-las num celeiro de avareza à mercê dos carunchos do egoísmo.
Desculpe. Não posso tratar esse assunto como se fosse simplesmente um caso de mesquinhez. Não posso tratar as pessoas que assim agem como se fossem egoístas, até porque boas idéias podem representar muito mais do que dinheiro, podem ser uma questão de sobrevivência.
Nos meus últimos anos na ativa da Força Aérea, coloquei em questão todo o conhecimento que adquiri em promover mudanças e tentei interferir positivamente no meu ambiente de trabalho. Tive muitas surpresas. Tive muitos conselhos do tipo: -“por que você não guarda isso para a reserva e monta uma empresa para prestar serviço para a FAB? ” Sei lá, respondia. E na verdade não sabia mesmo o porquê disso. Vejo hoje que empresas que servem a Aeronáutica têm uma produtividade altíssima, e que todo o corpo técnico de seus funcionários, resolvendo questões crônicas, é oriundo das fileiras da própria Força.
Certa vez, um dileto amigo, ouvindo minhas idéias para contornar nossas dores operacionais assim me disse:
Contam que numa comunidade aborígene australiana, que se dedicava a criar porcos selvagens, se deparou com um grande contratempo. Um enorme incêndio na floresta dizimou 90 por cento de sua criação. Como a carne crua e salgada do suíno era sua principal alimentação, um período de muita privação se anunciava no grupo. Tendo o estômago remoendo de fome, um jovem se deparou com um porco todo queimado. Não resistindo, pegou o pernil assado e com uma cara de nojo provou a iguaria. Sua surpresa logo se espalhou pela tribo e todos passaram a comer voluptuosamente os assados.
Com o sucesso da nova modalidade alimentícia, muitos incêndios foram provocados como motivo de festa e em pouco tempo, tanto os porcos como as florestas já eram escassos. Especialistas desenvolveram técnicas para aproveitar os melhores ventos nos incêndios. Outros se especializaram em descobrir a melhor umidade do ar. Também havia aqueles que se especializavam em procurar motivos para festejar. Foi então que, diante da vertiginosa escassez de matéria prima causada pelos incêndios indiscriminados, surgiu um visionário. Chamou o chefe, juntou alguns gravetos no chão, acendeu uma pequena fogueira, matou um leitão e o colocou para assar.
- Viu? - disse o jovem ao chefe. É um pequeno incêndio que assa um só porco por vez. Assim não há desperdício e não acabamos com a floresta...
- Espetacular, disse o chefe.
- Então vamos programar isso bondoso chefe?
- De jeito nenhum!
- Mas, por quê?
- Parece ser uma boa idéia, mas o que faremos com nossos especialistas em vento, em umidade e em festas?

Não há sistema que aceite idéias simplistas. Muito mais do que resolver problemas, precisamos entender a quem pode interessar cada solução.

Já que isso é uma realidade, eu continuo a espargir sementes e a alimentar sonhos de um Controle de Tráfego Aéreo próspero, seguro e livre de interesses abstrusos.
Celso BigDog


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Desenhos no céu.


Ah! quantos caminhos no céu eu vi.
Quantas retas transformei em curvas.
Guiando-te em meio a nuvens turvas,
por entre morros que não conheci.

Ah! quantas noites passei em claro,
a desenhar para ti essas rotas,
cuja importância por certo nem notas.
Nem imaginas o quanto me é caro.

Ah! quantos dias deixei a família
por máquinas de simular,
distante dos filhos, do lar,
para dar-te uma rota, uma trilha.

Ah! e quantas vezes tu me foste rude,
mas eu entendo essa tua maneira,
pois um dia, na tua cegueira
tentei ser teus olhos e não pude.

Essa é uma dolorosa homenagem deste velho controlador de tráfego aéreo ao amigo e aluno Décio Chaves, comandante do GLO 1907, em memória aos bons tempos de Transbrasil. Sei que Décio e Stefanini estarão juntos sempre que um arco-íris pintar e alegrar o céu cinzento.
Celso Big Dog

Falta de planejamento em recursos humanos ressuscita velhos riscos ao ATC brasileiro.


Sai a prudência experta, entra o arrojo imaturo.
Esse é o cenário das salas de controle de todo o país. Novos controladores, muito jovens e inexperientes, substituem de supetão o time principal nas posições de controle, e, inocentemente atuam com a falsa sensação de segurança que o parco conhecimento os permite sentir.

Não basta ler livros, apostilas, manuais. É preciso conviver com o antigo, ouvindo histórias e calibrando o senso de perigo à realidade operacional. Não bastam diplomas de cursos realizados seguidamente, sem o experimento real assistido, sem o cheiro da adrenalina a rondar nossos narizes, a suar nossas axilas em momentos decisivos e arriscados. O jovem quando aprende a andar de bicicleta tende a se libertar, a ousar fazer isso sem os pais por perto, sem as mãos, empinando sua bike, até que, um dente quebrado, a fratura de um braço ou escoriações mil, o chama à responsabilidade. Mas controlar o tráfego aéreo não tem o mesmo desfecho. Experimentar um erro significa muito dinheiro, muito atraso, muitos contratempos e, infelizmente, muitas vidas.

Já que essa incoerência organizacional se instalou no ATC brasileiro, há que se programar, por parte dos organismos responsáveis pela prevenção, um processo de imersão cultural a esses indivíduos, para que o amadurecimento se dê com brevidade, como uma estufa tecnológica nos moldes da educação continuada. Há que se correr atrás de compensações para essas burrices, para que não tenhamos de novo que assistir jovens controladores sendo aviltados em sua dignidade, atirados em bancos de réus de inquisições parlamentares leigas, sensacionalistas e eleitoreiras. E para que não tenhamos que ouvir também, de suas bocas trêmulas, a inocente defesa sistêmica que alega em juízo: “Isso é normal, Excelência!”

Vamos gente! O tempo urge!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O fim do "Dim Dom" nos aeroportos...


Infraero cancela aviso de voo sonoro em aeroportos
Empresa diz que objetivo é evitar poluição sonora nos saguões. Passageiros devem prestar atenção nos painéis eletrônicos. Desde a noite de quinta-feira (2), o silêncio impera nos aeroportos brasileiros. Lembra aquela voz que alertava os passageiros para a hora do embarque e do desembarque? Não tem mais. O serviço foi cancelado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
Quem estiver na área do saguão do aeroporto fazendo compras, lanchando ou circulando antes do embarque tem de ficar ainda mais atento para não perder o voo. O sistema de som da Infraero não anuncia mais os horários de chegadas e partidas dos aviões, nem faz as chamadas para os embarques.
A empresa diz que cancelou o serviço de chamadas para evitar a poluição sonora nos saguões dos terminais aéreos, já que o número de voos aumentou bastante nos últimos anos. Agora, só quando estiver na sala de embarque o passageiro contará com a mensagem sonora dada pela empresa aérea alertando para o horário do voo.
A Infraero recomenda: quem estiver no saguão não pode descuidar da leitura dos painéis eletrônicos que informam a posição dos voos. Mas o que acontece com os passageiros que têm deficiência visual? “A empresa aérea tem essa responsabilidade de conduzir o passageiro especial ou aquele passageiro que necessite de um apoio”, afirmou o gerente regional da Infraero, Nilton Souza.
Fonte: G1, com informações do Bom Dia Brasil (02abr09)
Silêncio é? Então escuta essa:
Estávamos aguardando numa fila imensa do check in de uma determinada empresa aérea em Congonhas, quando uma funcionária, em gritos quase histéricos, tentava a viva voz reunir os passageiros do voo para Curitiba, que estava para fechar. Cheguei a pensar que fosse uma desinteligência de algum passageiro com surto da síndrome aeroportuária, mas não era. Seria aceitável se essa situação fosse uma exceção, mas logo em seguida, volta a coitada aos berros chamando passageiros do voo para Belo Horizonte, e para Brasília, e para o Rio de Janeiro, e para... Enquanto a fila encolhia, sua voz gradativamente esmaecia num tom já rouco e ofegante. Naquele instante fiquei em dúvida se deveria ou não lamentar a ausência das chamadas “Dim Dom” que glamurosamente ecoaram no saguão de Congonhas em seus 64 anos de existência. “Dim Dom – Flight six four zero to Rio de Janeiro, now boarding gate four”.
Quanto mais tentamos inovar, mais nos surpreendemos com a ordem natural das coisas que nos cercam.
Se a moda pega...
Celso BigDog

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nasce uma estrela!

NASA divulga imagem de formação de estrela a 150 anos luz da Terra, captada por um satélite. O fenômeno, que lembra uma grande mão humana, azulada, tentando alcançar a nuvem vermelha, foi capturado pelo Chandra. Cientistas da NASA dizem que a névoa azul trata-se de um dos campos eletromagnéticos mais poderosos já encontrados.

Alguém deverá estar se perguntando – “O que esse assunto tem a ver com esse Blog?”
E eu respondo:
“Tudo!”
Por mais de três décadas vigiei o espaço aéreo brasileiro, zelando anonimamente pela segurança de irmãos desconhecidos, no céu e na terra. Vivenciei muitas situações de risco, indizíveis, que Graças à mão de um Ser Superior, inexplicavelmente, não se transformaram em tragédias. Que bom que agora a tecnologia já permite fotografar essa “Energia Cósmica” que arquiteta, cria, modifica e até brinca com os destinos do universo. Que bom estar vivendo esse momento único em bilhões e bilhões de anos luz.
Grandes obras se iniciam com pequenos gestos ou atitudes. Para começar, basta acreditar.
Obrigado Senhor
Mário Celso Rodrigues

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cérebro "avisa" antes de cometermos erros

Pouco antes de você cometer um erro, seu cérebro dá sinais de alerta, segundo estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. De acordo com os autores, essa descoberta poderá levar ao desenvolvimento de aparelhos que avisem aos controladores de trafego aéreo quando eles estão perdendo a atenção.

Antes de continuar a leitura, click aqui e conheça a notícia completa.


Agora vamos lá:

Tendo como exemplo o estudo da Universidade Americana, nossos pesquisadores não ficaram para traz. Um sistema que consiste de um tijolo amarrado num saco enquanto é sustentado por uma das mãos do controlador (porque a outra está segurando o microfone) é a grande sensação do momento. Muito mais barato e eficaz, esse complexo mecanismo, age diretamente no ponto vital do problema. Se o controlador relaxar e deixar cair o tijolo, o alerta é imediato, pois a ligação com o saco age em tempo real e desperta o indivíduo.
Usando essa técnica não-invasiva – chamada magnetoescrotografia, que é mais sensível que a tradicional vasectomia – os pesquisadores registraram as ondas cerebrais de controladores durante um teste monótono que exigia atenção e descobriram que, um segundo antes dos voluntários cometerem erros, todos já estavam de saco cheio. Descobriram também que os erros causavam mudanças imediatas na atividade sexual das cobaias humanas, que pareceu reduzir a libido. “É como se o saco estivesse falando ‘preste atenção!’, e, então, reduzindo a probabilidade de outro erro”, disse o pesquisador da CEAT (Central de Enteligência Aero-Técnica).

Os especialistas esperam que os resultados sejam traduzidos rapidamente para a aplicação prática, em consonância com o “Proctotest fingerless (sem dedo)” para profissões ou tarefas que exijam atenção constante, como o controle do tráfego aéreo. Além disso, segundo os autores, os resultados poderiam levar a novas terapias em outras especialidades com déficit de atenção e hiperatividade.

Não quero nem pensar no que estão preparando para nossas controladoras de tráfego aéreo!

Ora faça-me um favor!

domingo, 22 de março de 2009

Soluções para quem não quer pensar no ATC.

Esforço-me para não parecer satírico, mas quando vejo que o mundo que me rodeia parece não importar-se com o que penso ou deixo de pensar, rebelo-me e rasgo o verbo. Protesto contra a tese de que tudo o que pode ser simplificado é bem-vindo, independente do valor técnico que o justifique. Enquanto isso acontece, o sentido de labor se perde na automação desenfreada. Pensar para que, se a máquina faz isso por mim? Decidir para que, se o sistema decide por mim? Pesquisar por que, se existe um SQL para fazê-lo por mim?
Meus argumentos não se travestem de perguntas por razões filosóficas, mas por pura ignorância mesmo. Digo isso porque não conheço um sistema informatizado que responda judicialmente sobre meus atos na atividade ATC. Não existe um juiz cibernético para ouvir minha justificativa sistêmica quando algo sair errado, ou quando a rotina informatizada trocar o nível do avião sem que eu tenha solicitado ou concordado. Não existe um defensor público com inteligência artificial capaz de amealhar conhecimento e alegar jurisprudência de uma época retrô, onde a informática engatinhava em comPUTAdores ENORMES que ocupavam um prédio inteiro. Enfim, apesar da justiça imputar responsabilidades ao controlador sobre rotinas invisíveis de apoio à decisão, não existe nada no mundo virtual que garanta justiça aos controladores de tráfego aéreo, informatizando as percepções humanas, tampouco o “livre arbítrio”.
Sendo assim, reafirmo: - “Penso, logo digito!”

O fim de uma era. Já era!

A Northrop Grumman Park Air Systems vence contrato turnkey para fornecimento de sistema integrado de comunicações ATC ao Brasil

Refresque a memória: breve histórico

Notícia de hoje: 8 anos depois

Tutti per tutti ! tsc! tsc! tsc!

sábado, 21 de março de 2009

O ATCo no divã do Analista da Informação


Rotinas de Apoio a Decisão – Um remédio perigoso!
Podemos associar a automação generalizada das tarefas que compõem a rotina da atividade ATC com a crescente prescrição médica de drogas controladas que causam dependência ao usuário. Se por um lado tem sido adotada paliativamente para contornar crises, por outro esconde efeitos colaterais imprevisíveis e que a pesquisa laboral ainda não conseguiu pontuar. Sabidamente os efeitos mais comuns aos usuários são: dependência, complacência com situações de risco; falta de iniciativa; confusão de raciocínio e stress. Por mais que sejam analisadas ergonomicamente nos estudos IHM, as rotinas de apoio à decisão incorporam aos serviços executados em tempo real riscos que só serão revelados no decorrer de sua aplicação prolongada. Torna-se difícil conseguir respostas através da simulação de todas as possibilidades operacionais diante da imensa gama de variáveis encontradas no desempenhar da função. Fatores como a qualidade da infra-estrutura aeroportuária, variações climáticas, degradação de equipamentos e sistemas que compõem o conjunto, interferências externas como medidas gerenciais do CGNA podem causar vetores contrários ou efeitos cruzados que fogem dos objetivos estipulados nas arquiteturas desses sistemas. Se por um lado as tarefas que se realizam automaticamente disponibilizam mais tempo ao ato de controlar, por outro agregam a essa transparência a "dúvida entre uma decisão acertada e uma mais ou menos acertada". Atualmente os pesquisadores de gerenciamento e controle de tráfego aéreo, utilizando-se dos princípios da Tecnologia da Informação, buscam decifrar o peso e a importância de cada tarefa que circunda o personagem chave de todo o sistema aeroportuário: “o ATCO”. A atividade desse personagem, cuja característica é interagir com elementos em tempo real, é riquíssima em dados muito importantes ao gerenciamento, quer seja de aeroportos ou de empresas aéreas, de serviços aeroportuários como catering e reabastecimento de aeronaves, ou ainda de um grande complexo de navegação aérea. O Brasil, por conta de sua vasta extensão geográfica, e ao contrário de muitos países do primeiro mundo de modesta área territorial, apresenta uma necessidade individualizada de resolver seus próprios problemas de gerenciamento. Pode-se constatar que o crescimento do movimento aéreo doméstico se projeta na mesma proporção de suas dimensões territoriais. A crise mundial que vem fazendo recuar o crescimento da aviação civil internacional, teve seus efeitos minimizados no Brasil, que contrariando as tendências mundiais continua em ascensão, ainda que com índices menores do que o esperado. Ao analisarmos a atividade ATC, que tem por objetivo manter a segurança e o fluxo de tráfego aéreo rápido e ordenado, veremos que, impor mais tarefas ao controlador desviaria esse foco, e qualquer incremento nessa atividade “multitarefa” aumentaria consideravelmente sua carga de trabalho. Mas como explorar essa valiosa informação em tempo real sem causar um impacto na atividade ATC? A assertiva - “O aumento da Carga de Trabalho é inversamente proporcional ao índice de Segurança e Qualidade” - fica evidente quando nos aprofundamos nos estudos ergonômicos e de fatores humanos na aviação. Muitas propostas foram apresentadas como solução do problema, mas posso afirmar, no entanto, com conhecimento de causa, que poucas tiveram êxito em extrair essa importante matéria prima sem impor mais uma componente ao rol de tarefas do ATCO. A solução da empresa “Saipher ATC”, por exemplo, tem se destacado no aproveitamento total desses registros gerados pela operação do ATCO, atendendo as necessidades atuais do sistema aeroportuário e disponibilizando a interação total com as aplicações futuras via Data Link. O conceito “TATIC – Total Air Traffic Information Control”, originário da evolução tecnológica do consagrado SGTC – Sistema de Gerenciamento de Torre de Controle, racionaliza as atividades rotineiras do controlador e dessa automação capta registros preciosos ao planejamento, coordenação e gerenciamento do momento aeroportuário. Todo esse processo de filtragem de informação, endereçamento de dados, estatística, destinação tarifária, fiscalização e regulação, tramitam de forma invisível durante a atividade de controle do tráfego aéreo. Vale ressaltar a importância da transparência da automação ATC aos olhos do controlador, pois disponibiliza mais tempo para desempenhar sua atividade fim, porém, devemos zelar para que as “rotinas de apoio à decisão” só sejam efetivadas mediante o aval decisivo daquele que controla.
Se manter a vigilância no processo de automação ATC é a grande preocupação de quem desenvolve sistemas, então não posso deixar de vestir essa camisa.

Mário Celso Rodrigues
Controlador de Tráfego Aéreo
Analista Aeronáutico ATC/ATM

Eu poderia estar roubando, matando ou me prostituindo, no entanto estou sendo apenas um controlador pró-ativo.


Certa vez, sacolejando no ônibus Torre - Centro via APP, pude presenciar um fato inusitado que me surpreendeu. Apesar de ser comum encontrar aqueles personagens que no auge do desespero inovam formas de comunicação para vender idéias, deparei-me com um exemplar muito diferente. Entre gestos apelativos e uma oratória desconcertante, o indivíduo que se apresentava como controlador de tráfego aéreo clamava pela atenção de todos. Sua fala era chorosa, como se quisesse agregar a cada palavra dita um juramento de veracidade. “Alguém” muito especial um dia disse a Tomé - “Bem-aventurados aqueles que crêem sem ver”- mas se já é difícil pregar àqueles que não vêem, imaginem àqueles que, além disso, não conhecem e não querem ouvir? Mas ainda assim tentava:

- Nós temos um sistema de visualização RADAR que faz a varredura em síntese e num concentrador compila os dados dos radares para unificar a imagem digitalizada, agregada a um transponder que fornece dados referentes ao vôo. Quando um desses radares falha, acarreta blá blá blá...

- Nos temos deficiência de idioma, pois trabalhamos com aviação internacional e piriri pororó...

Depois de 15 minutos ininterruptos de pregação, o pessoal do ônibus, incomodado com aquele “papo de Pa-tro-pi”(sei lá, entende?) já começava a dar sinais de cansaço. E um burburinho se formava no coletivo, mas ele insistia.

- Nós temos também um sistema gerenciador de comunicações que cai quando menos se espera. Apesar do conceito “tutti per tutti” esse sistema não passa de tutti per niente, pois trololó e tralalá...

-CHEGA MANO!

- E por falar em tutti per tutti, temos aqui também “chicrets” de tutti-frutti e hortelã a um real e também trufas da Mike Mike, canetinhas do Volney, cocada do Alves, doce de goiaba do Bemildo, sanduíches “nojentinhos”do Bonk, ...

- AE COMPANHERO! AGORA MELHOROU!
- EU QUERO UM!
- ME DÁ UM NOJENTINHO SEM ALFACE!
- UM PRA MIM TAMBÉM!
- ME DÊ 5 TRUFAS!
- ESSA CANETA É DA CHINA É?
- SE EU COMPRAR A CAIXA INTEIRA VOCÊ PROMETE QUE CALA A BOCA?

Ta vendo? Isso é que é ser pró-ativo. Isso é que é inovar. Vamos descrever o que é o tráfego aéreo para aqueles que não podem ver. Vamos explicar o tráfego aéreo para quem não quer ouvir. Vamos repetir a ladainha até que a população entenda nosso penar. Mas se ainda assim não entenderem, pelo menos irão nos pagar melhor para que calemos a boca.
Eu poderia estar roubando, matando ou me prostituindo, no entanto estou sendo apenas pró-ativo.
Por Celso Bigdog

sábado, 24 de janeiro de 2009

São Paulo, 25 de Janeiro de 2009.


SÃO PAULO
455 Anos de Progresso
Para você eu fiz uma singela homenagem. Uns versinhos arrancados lá do fundo d'alma, onde tudo é tão caro, mas tão caro, que dinheiro nenhum pode comprar.

Ah! São Paulo és querida
por este teu filho pródigo
um bandeirante tem por código
correr mundo em sua lida.

Ah! São Paulo que eu te digo
cuidai bem de minha vida,
pois na ânsia da partida
meu coração deixei contigo.
Celso


Isso é São Paulo:

1- A MAIOR FROTA DE JATOS PARTICULARES, ULTRAPASSOU N.YORK ESTE ANO..(830.)
2- A MAIOR REVENDEDORA FERRARI NO MUNDO. A 2ª É LOS ANGELES.
3- A 4ª REVENDEDORA MASERATTI NO MUNDO, 2ª PORSCHE, 2ª LAMBORGHINI.
4- A UNICA COM FILIAIS ROLLS E BENTLEY NA AMERICA LATINA DESDE O MÉXICO.
5- A MAIOR FROTA DE HELICÓPTEROS PARTICULARES DO MUNDO. NEW YORK, TÓKIO....
6- A MAIOR FROTA DE AVIÕES AGRICOLAS DO MUNDO.
7- O MAIOR CONSUMIDOR DE YATCHES DE LONGO CURSO, FERRETTI - VIAREGGIO-LUCCA.
8- A ÚNICA CIDADE NO MUNDO QUE TEM 4 LOJAS TIFFANY´S.
9- A UNICA CIDADE NO MUNDO QUE TEM 3 LOJAS BULGARI.
10- A FILIAL LOUIS VUITTON QUE MAIS LUCRO DEU EM 2007. 43%.
11- A FILIAL MONTBLANC QUE MAIS VENDE CANETAS FORA DA SUIÇA.
12- 6 BUGATTIS VEYRON JÁ CIRCULAM PELA CIDADE. HÁ ENCOMENDAS PARA MAIS 5.
13- ENCOMENDAS DE 9 PAGANIS, 5 MILHÕES DE REAIS, LEVA 6 MESES PARA SER FEITO.
14- 80 MIL PAULISTAS TEM RESIDENCIA NA EUROPA E ESTADOS UNIDOS COMO 2ª OPÇÃO.
15- SAMPA É A CIDADE QUE MAIS CONSOME ROMANÉE CONTI NO MUNDO E VINHOS GRAND CRUS, BEM COMO OS CHAMPAGNES KÜG ROSÉ, CRISTAL E GRANDE DAME.
16- A MAIOR QUANTIDADE DE CAVALOS PURO SANGUE ARABES NAS AMÉRICAS INCLUINDO USA.
17- A MAIOR FROTA DE CAYENNES S, CARRERA DAS AMÉRICAS..PORSCHE.
18- A CIDADE QUE MAIS TOMA NA MÉDIA, VINHOS ACIMA DE US$ 87,00 POR GARRAFA NAS AMÉRICAS.
19- O GANHO MÉDIO DE UM GARÇON, PEGANDO-SE TODOS OS RESTAURANTES, É DE US$ 1700,00.
20- A CIDADE QUE TEM O MAIOR NÚMERO DE SERVIÇAIS, SEGURANÇAS DAS AMÉRICAS.

São Paulo já cresceu tanto que "emendou-se" com 38 cidades ao seu redor, sendo a população da Grande São Paulo por volta de 22.000.000 de pessoas. Vale a pena conhecer mais alguns detalhes dessa metrópole.

MAIS ALGUMAS ESTATÍSTICAS DE 2007
* População na cidade é de 10.434.252 milhões ( 3º maior cidade do Mundo ).
* A cidade de São Paulo tem um território de 1.530 km2. (Tamanho de Cuba)
* A taxa de alfabetização está em 95,4% da população.
* O PIB da cidade de São Paulo é de US$ 76 bilhões.
* A Região Metropolitana possui PIB de US$ 147 bilhões.
* São mais de 70 shoppings ( Maior número do Brasil ).
* Os shoppings da cidade recebem mais de 30 milhões de pessoas / mês..
* Táxis? 30 mil ( 3ª maior frota da América Latina). Londres tem 20 mil
* São mais de 5,5 milhões de automóveis circulando em toda a cidade.
* O Metrô de SP transporta 2,5 milhões de pessoas por dia.
* A cidade conta com mais de 5.000 mil pizzarias.
* As pizzarias da cidade de São Paulo produzem cerca de 40 mil pizzas por hora - algumas delas dentre as melhores do mundo.
* São produzidos, aproximadamente, 16..800 sushis por hora na cidade.
* A cidade tem mais de 5.500 cruzamentos com semáforos.
* O Metrô da cidade tem hoje uma rede de 57,6km de extensão em 4 linhas.
* Meio milhão de pessoas andam diariamente pela Rua 25 de Março.
* 60% de todos milionários do Brasil, vivem na cidade de São Paulo .
* Na cidade são efetuados 10 compras por segundo via cartão de crédito / débito.
* Pela Avenida Paulista passam mais de 5.700 carros e 1.400 ônibus por hora em horários de pico.
* A cidade tem mais de 205 Hospitais (Municipais, Estaduais, Particulares e Federais).
* A cidade tem mais de 120 teatros e casas de show, 71 museus e 11 centros culturais.
* São Paulo é a maior realizadora de eventos da América Latina, com 70 mil eventos por ano.
* Na cidade são mais de 100 peças teatrais por semana, ou 4.800 peças por ano.
* A cidade tem em torno de 1.500 agências de bancos nacionais e internacionais.
* Aeroporto de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos têm mais de 380 mil pousos e decolagens.
* Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos-SP) é o maior da América Latina, onde operam 39 companhias aéreas.
* Na cidade, no bairro do Itaim, existe uma Oficina Mecânica especializada somente em Ferraris.
* São Paulo é a 3ª maior cidade italiana do mundo.
* São Paulo é a maior cidade japonesa fora do Japão.
* São Paulo é a maior cidade portuguesa fora de Portugal .
* São Paulo é a maior cidade espanhola fora da Espanha.
* São Paulo é a 3ª maior cidade libanesa fora do Líbano.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Puxa que barril!

Está sendo testado um novo conceito em formação gerencial do Controle de Tráfego Aéreo Brasileiro. O sistema consiste em enfiar o maior número possível de espadas no barril sem que o ATCo pule fora. Esse equipamento, originário da versão “Pula Pirata”, tem sido adotado com grande êxito como simulador na preparação e formação de novos oficiais especialistas CTA e como “refreshment” no estágio de adaptação à chefia de DTCEA. Tem-se observado já na fase “OJT de chefe” um resultado bem mais positivo para aquele que faz o estágio no simulador, onde se contabiliza um número menor de elementos saltando fora quando essas espadas (atribuições) são adequadamente enfiadas.
Mas o progresso não para por ai. Já existe uma empresa especializada em informática, que não aceita críticas à sua tecnologia, desenvolvendo uma versão digital do simulador. O problema maior é que os analistas observaram que a emoção do usuário quando o controlador pula no simulador virtual, é muito menor do que na prática mecânica e isso pode interferir negativamente na formação “neuropsicomilicomecânica” do futuro chefe.
Ai Senhor! Essa tecnologia ainda acaba com a raça...

Um bicho australiano na Amazônia


A cena se passou em Manaus, entre o Controle de Aproximação e o Centro Amazônico. Enquanto atuava na posição “controlador”, tinha como assistente um experiente ATCo gaúcho, daqueles andantes que já havia atuado de Foz do Iguaçu ao nordeste. Enquanto controlava, observava a conversa se desenrolando ao telefone:

-Fala Centro!
- ...
- Como é que é? Coala 61 – FAB 8680 de Santarém para Manaus, navegação à baixa altura... Vem cá, o call sign é esse mesmo? Coala 61?
- ...
- Barbaridade tche! Com tanto bicho que tem na Amazônia esses caras vão batizar o vôo com um nome australiano?
- ...
Manda ele chamar aqui então! Obrigado.

- Olha aí Celso. Veja se tem cabimento. Vai te chamar ai esse tal de Coala 61. Ah Ah Ah !

- Controle Manaus FAB 8680?
-Prossiga FAB 8680!
- Procedente de Santarém navegação à baixa altura 500 pés sobre o terreno, 10 minutos fora.
- FAB 8680 confirme se tem indicativo de chamada?
- Negativo senhor. Estamos com o FAB 8661 na ala.
- Confirmando então é o FAB 8680 com ala do FAB 8661?
- Afirmativo Ah ah ah ! Parece que está havendo um mal entendido ai.
- Eu percebi ah ah ah! Ciente então FAB 8680 com ala 8661...

Só faltava o piloto ser o major Crocodilo Dundee.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Meio Ambiente Geral e Meio Ambiente do Trabalho - Uma visão sistêmica


No lançamento de seu primeiro livro o Sr. Procurador do Trabalho Dr. Fábio Fernandes aborda, entre outros, um assunto muito interessante e polêmico que inclui a realidade do Controle de Tráfego Aéreo Brasileiro, civil e militar.
O lançamento será em março, na Livraria Cultura da Avenida Paulista em São Paulo, com data ainda a ser firmada.
Com o título "Meio Ambiente Geral e Meio Ambiente do Trabalho - Uma visão sistêmica" pretende esclarecer alguns pontos controversos da realidade aeronáutica civil, com a visão clínica de um Agente do Ministério Público.
Esperamos com ansiedade.
Sucesso
Celso

Você já viu um OVNI?


Que tal contar-nos sua história? Se desejar poderá postar comentários como anônimo. Gostaríamos também de ouvir sua opinião na enquete da coluna ao lado.
Abraços
Celso

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Quem carrega o piano?


Mais complexa do que a elaboração da escala mensal é a distribuição do serviço dentro de uma jornada de trabalho. A escala quantifica o número de horas/mês, visando suprir as posições operacionais relativas à setorização existente, sem ater-se ao volume de tráfego esperado. Já a distribuição em sistema de rodízio pelas posições operacionais exige uma avaliação da capacidade individual de cada elemento da equipe. Nesse momento é que o supervisor baseia-se no conhecimento pessoal de cada membro de seu grupo, nas características do fluxo e volume de tráfego de sua área de controle, e supre as posições operacionais de forma que os turnos e setores mais complexos sejam guarnecidos com elementos adequadamente capacitados.
A exposição de controladores pouco experientes a setores complexos ou com tráfego acima de sua capacidade de controle pode, além de comprometer a segurança, causar males de ordem psicológica que irão perdurar pelo resto de suas carreiras. Por outro lado, a proteção excessiva pode retardar o amadurecimento profissional, trazendo também certos prejuízos ao indivíduo e ao restante do grupo, que continuará carregando o piano.
Não só para formação foram desenvolvidos os simuladores, fundamentais para o aprimoramento da fase que antecede ao OJT, mas também para testar e aprimorar os limites técnicos de controladores habilitados novatos ou não, tanto com alto fluxo de aeronaves como no treinamento de condições “não rotina” e no enfrentamento da “degradação de sistemas”.
Houve um tempo em que o controlador de chegada RADAR era "vaiado" se passasse “um avião que fosse” para o controlador RADAR final. Por sorte essa mentalidade se foi. Os homens provaram que podem ser expostos às pressões extremas com heroísmo, mas entenderam que na aviação civil essa conduta não é condizente com seus desígnios e diretrizes.
Em localidades de alta densidade de tráfego, torna-se muito difícil a inclusão no rodízio dos estagiários ou alunos em seções de OJT. Isso porque uma rendição na posição é relativamente demorada. Testemunhei ocasiões indescritíveis, bem verdade que noutros tempos, onde o controlador teve que aguardar cerca de 30 minutos para assumir o controle do setor, simplesmente porque o controlador a ser rendido não conseguia dar atenção ao seu substituto. Podemos afirmar também que essa rotina torna-se mais trabalhosa na mesma proporção da diversidade de proficiência e capacidade cognitiva dentro da equipe.
Para isso só há um paliativo eficiente, mas não eficaz:
1) Instruir, simular, treinar;
2) Instruir, simular, treinar;
3) Instruir, simular,...
4) Instruir,...
5) ...
Esse é um tratamento único para um mal crônico, característico do ser humano, para que o homem consiga desempenhar seu papel dentro dessa engrenagem crítica sem que suas fraquezas causem um grande mal aos seus semelhantes.
Rodou!

Se você acredita que nada mais pode ser feito...

... e perdeu as esperanças de um futuro profícuo no ATC, e não se empenha em resgatar para si e para o grupo o respeito perdido, e não se incomoda que as regras sejam mudadas sem ao menos dizer o que pensa, e não se atualiza alegando que não ganha para isso, mas que gostaria de ver mudanças mesmo sem participar do processo, aqui vai uma sugestão:
"- Enquanto espera, por que você não dá uma boa pintada na TWR"?

Agora, se você ainda tem esperanças de bons ventos, procure relacionar-se com controladores pró-ativos. Procure encontrar um espaço onde você possa ser útil. Procure participar de palestras, eventos aeronáuticos. Seja curioso, interessado. Procure ler a mídia especializada, elevando seu conhecimento técnico. Discuta se não concorda com algum ponto de vista, pode ser que você esteja certo no seu pensar. Deixe rastros por onde passar, pois no futuro, suas experiências serão como pegadas e servirão de guia aos mais novos, encurtando caminhos, sinalizando perigos e fortalecendo o espírito de corpo que devemos cultivar.
Ah! não quer saber mesmo? Então vai dar uma pintada na TWR, vai!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Desnível de proficiência na equipe e entre equipes ATC.


Já que estamos às vésperas de uma inspeção da ICAO, vamos rever algumas considerações sobre como é o ATC no Brasil:
- Despadronização na adoção e no cumprimento de normas e procedimentos nos órgãos e entre os órgãos ATC;
- Despadronização na adoção e no cumprimento de normas e procedimentos por membros de uma mesma equipe e entre equipes ATC;
- Desnível de proficiência entre membros de uma mesma equipe e entre equipes ATC.

A individualidade humana age vigorosamente e é mais notada em grupos de onde se espera um padrão homogêneo. Equipes de controladores de tráfego aéreo de grandes órgãos de controle desafiam a capacidade gerencial na busca de um nivelamento técnico/operacional para distribuir a carga de trabalho. A intenção é chegar a uma graduação média da capacidade de controle, para então setorizar ou redimensionar setores (subdivisão de uma determinada área destinada à atuação de um contolador e seu assistente, dentro de uma determinada jurisdição) e com isso atingir uma relação ideal entre capacidade de controle e capacidade aeroportuária, de onde se conseguirá extrair a capacidade de absorção do volume de tráfego. Poderíamos dizer que o Gerente de Tráfego Aéreo buscará preparar suas equipes, diferentemente de um técnico esportivo, de maneira que, ao chegar ao final de uma jornada de trabalho tenha conseguido um empate generalizado.
Um dos órgãos de controle brasileiro mais desafiador na tarefa de equalizar experiência, conhecimento e força, é o Controle de Aproximação São Paulo (APPSP). Suas equipes no passado, até a década de 80, eram homogêneas pois cresceram juntas e acompanharam paulatinamente o crescimento do tráfego aéreo. Dizia-se que em São Paulo, o pessoal era tão antigo, mas tão antigo, que um primeiro sargento era o chefe da faxina. A falta de visão ou falta de dados estatísticos dos postos gerenciais, permitiram que esse plantel envelhecesse sem renovação e a sobrecarga de trabalho em seus componentes não era notada diante de sua excepcional experiência e capacidade de controle. Mas o tempo passou e apesar das advertências sobre os rumos do grupo, uma avalanche de controladores se aposentou de uma só vez. Na década de 90 pudemos conviver com a disparidade de proficiência, pois só tinhamos três grupos de controladores: 40% de antigos e experientes, 50% de novos e inexperientes e 10% de alunos e estagiários. Nesse período instalou-se o “Caos”!

Os Controladores antigos adoeceram diante da desumana carga de trabalho. Escalas de reforço foram criadas e eles eram os mais requisitados. Faziam as vezes de controladores, acumulando funções de assistentes, supervisores, instrutores e chefes de equipe.
Os Controladores novos foram expostos à situações perigosas, tendo muitas vezes que assumir posições operacionais sem capacitação para tal. Os sinais disso foram as estatísticas de aumento de ocorrências de tráfego aéreo. Apesar de maquiadas, apresentavam um número crescente e assustador. Observou-se também a gritaria geral das empresas aéreas diante do inexplicável e repentino aumento do consumo de combustível e tempo de vôo, refletindo nos índices do custo operacional.
Os estagiários foram “aproveitados” bastando para isso a mudança da regulamentação. Numa simples canetada criou-se a função de “Assistente de Comunicação” que fazia as vezes de um Controlador Assistente apesar de sua completa incapacidade e imperícia para exercer a função. Suas habilidades básicas eram: “Saber escrever e falar ao telefone”. Foram protagonistas de uma imensa lista de ocorrências de extrema gravidade. Ao invés de conceituarmos a situação como sendo parte de “OJT” – On the Job Trainning, poderíamos assumir um “OJC” – On the Job Challenger. Não se deve aceitar a imposição de que foram responsáveis por isso, porque os verdadeiros responsáveis não estavam à frente de uma console e sim atrás de uma escrivaninha, revelando uma negligência sistêmica que nunca foi assumida.

E "para não dizer que eu não falei das flores", vamos lá:

Lembro-me com saudade de algumas características que exemplificam minhas considerações:
- A Equipe “Padrão”, que se apoiava inflexivelmente sobre normas e regulamentos e de certa forma, diante da inconveniente omissão regulamentar, engessava a aviação.
- A Equipe "Águia" que arrebanhava os “maus elementos” do ATC, mas que segurava o rojão. Apesar dos altos índices de fumantes, biriteiros e bagunceiros, tinha um nível de proficiência muito alto e gabava-se de ter o menor índice de ocorrências de tráfego, e da qual eu orgulhosamente fazia parte. Certa vez, logo após a instalação dos novos equipamentos THOMSON, a Divisão Técnica esqueceu-se de ativar as luzes de emergência na sala do RADAR. Dando mole para as leis de um tal senhor Murphy, faltou energia elétrica e ficamos às escuras, à noite, na hora do rush. Não fossem os isqueiros dos inveterados fumantes para iluminar parcamente as FPV (fichas de progressão de vôo), a aviação brasileira teria virado notícia em todo o mundo. Nossos isqueiros ficaram vazios, nossos dedos ficaram muito queimados, mas ninguém se importou com isso.
- A Equipe “Sal Grosso”, que por simples falta de sorte, detinha o maior índice de acidentes ocorridos durante seus turnos de trabalho. Foram personagens dos acidentes dos Mamonas, TAM 402 e muitos outros de menor repercussão. Confesso que, quando planejava viajar checava antes a escala para averiguar quem iria cuidar do meu vôo. (risos).
- A Equipe “Trem Fantasma”, assim chamada, porque como se fosse num parque de diversões, "a cada curva um grande susto! "
“Fulano de Tal para evitar tráfego faça curva imediata a esquerda proa 270! HUUUUUUU!!!
Por mais que se tentasse diluir algumas peças que compunham a equipe, mandando-as para outras equipes, através do mecanismo de trocas de serviço e o próprio rodízio de férias acabava por juntá-las novamente, quantas vezes fossem separadas.
- Equipe dos "Menudos" era formada por pessoal jovem e maduros com espírito jovem, universitários, “mauricinhos” e destemidos. Poucos permaneceram na FAB. Parte foi para a TASA, para Angola, mudou de ramo e foi para a iniciativa privada. Pode-se ver hoje muitos de seus componentes nos quadros da Infraero.
E finalmente na Torre Congonhas, por exemplo, tinha a "Equipe GOLF” que ..., bem ... deixa para lá. Essa é uma outra estória. Ou seria história?
Celso
N.B. Atendendo a insistentes pedidos, mudei o bicho que representa o ATCo. Melhorou? Ah, a propósito revejam o artigo: "Era uma vez uma inspeção"

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ninguém te dá bola? Então toma!

Você controlador, está preparado para assumir responsabilidades?
Não me refiro às responsabilidades rotineiras. Digo sobre aquelas que você acha que tem capacidade de assumir. Refiro-me àquelas atividades que ordenam, dirigem, planejam e fazem o ATC e ATM acontecerem no mundo. Refiro-me ao conhecimento administrativo, à capacidade gerencial e aos meandros obscuros das relações internacionais que alinhavam o tráfego aéreo mundial. Até que ponto sua visão permite enxergar?
Se você concordar que reuniões, palestras, simpósios, encontros, são ainda um minúsculo passo rumo a essa almejada condição de auto-suficiência, então podemos dizer que sua miopia global começou a diminuir.
Se almeja um posto de destaque dentro do ATC/ATM, estude. Não se contente com os cursos da EEAR, do ICEA, da SIAT, do "Tererê". Sirva-se dos cursos de Ciências Aeronáuticas, de Pós-graduação do ITA ou de Direito com vistas ao Direito Aeronáutico. Discuta. Participe. Opine, mesmo que as críticas sejam cruéis. Somente através dessa vivência independente da manipulação de um microfone e de um cursor de RADAR é que se pode atingir um bom nível administrativo dentro do sistema.
Agora, se você não estiver preparado para assumir, é melhor não pedir a bola, porque senão, toma!

Mário Celso Rodrigues
Controlador de Tráfego Aéreo
Analista Aeronáutico ATC/ATM

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Deus o ano velho!

O que poderíamos guardar de 2008? O que deve ser mantido vivo e o que deve ser sepultado nas prateleiras empoeiradas dos arquivos mortos? As mágoas não podem ser arquivadas pois são tão grandes que não cabem na caixa. As inverdades sobre o controle e os controladores de tráfego aéreo também não cabem. Apesar da mentira ter pernas curtas, por mais que se ajeite ela sempre acaba ficando com o rabo preso do lado de fora. O que poderíamos então guardar de 2008? Comigo restou um bocado de esperança, que poupei para o momento certo. É uma quantidade suficiente para repartir com quem acredita em evolução. Penso que não devemos esperar por “caridade”, como se e o amor pela atividade nos fizesse merecedores desse pagamento, dessa doação. Amor não tem preço. Quero merecer um ATC/ATM saudável, seguro, que eu ajudarei a construir. Quero conquistá-lo e agarrá-lo quando estiver forte o suficiente para não deixá-lo cair. Essa evolução virá através do constante aprendizado de programas de “educação continuada”. Até posso ver as pessoas que irão preencher os postos-chave desse sonhado ambiente civil. Não surgirão de outro lugar ou condição que não seja dos muitos cursos atualmente direcionados por Universidades e pelo ITA, abordando Tecnologia, Gerenciamento de Riscos e Fatores Humanos. Só alguns poucos postos serão supridos pelo Notório Saber, acumulado exclusivamente pela dedicação à carreira e um distraído desapego a títulos e diplomas.
Vejo a movimentação para iniciar o ano com um evento em Salvador como uma boa iniciativa. Espero que não seja o único. Torço para que os controladores consigam enxergar a importância do momento que vivemos. Torço para que demonstrem interesse em participar das discussões dessa metamorfose ATC/ATM que está em franca e silenciosa implementação. Omitir-se hoje, pode trazer grande arrependimento amanhã, pois o gerenciamento do futuro tráfego aéreo será suprido com profissionais forjados em ambiente universitário, com formação condizente com as necessidades básicas para garantir a segurança e a qualidade do serviço. O salário? Bem isso será só um detalhe para quem estiver trabalhando num ambiente organizado, respeitado, seguro e prazeroso.
Quanto aos que ficarem pelo caminho, acredito que não faltarão sargenteações nos Batalhões de Guarda e Segurança espalhados por esse imenso País.
Adotemos uma nova caixa, bem grande e resistente para guardar todas as iniciativas boas que tivermos em 2009. Acredito que só assim teremos motivos para realmente comemorar a chegada de 2010, e que Deus a abençoe.
Celso

Calculando Workload

Olha o burro ai de novo, gente! (risos)
Muitos já tentaram calcular a carga de trabalho ideal para um controlador, mas são tantas as variáveis tanto físicas, operacionais, técnicas quanto humanas, que essa fórmula em algum momento se mostrará inconsistente. Alguns a dividem em workload e taskload (carga de tarefas e carga de trabalho) para que todas as atividades laboriais sejam consideradas no cômputo geral da carga.
Numa operação RADAR por exemplo, um simples olhar do ATCo para a tela de planos de vôo, ou o simples deslizar do cursor eletrônico em busca de distâncias ou rumos, ou ainda a ampliação ou redução da área de visualização como parte de uma estratégia para o controlador planejar o sequenciamento dos vôos, caracterizam tarefas que não podem ser desprezadas. Um dos fatores que insisto em colocar em julgamento é a tarefa duplicada para quem opera com sistemas de visualização X-4000 e similares. Esses sistemas apresentam uma volatilidade que exige do controlador a necessidade de fazer backup com caneta e papel todo o tempo, tendo em vista que, caso haja queda do sistema, todos os dados serão perdidos, inclusive planos de vôos e identificação das aeronaves que estiverem sendo controladas. Isso nada mais é do que tarefa duplicada.
Ouviu-se dizer em controle simultâneo de no máximo 14 aviões, mas esse número mágico não pode ser considerado de maneira geral para todos os órgãos de controle, muito menos para todos os setores de um mesmo órgão de controle. Um dos fatores mais importantes na hora de se definir a capacidade de controle do setor, e consequentemente a carga de trabalho que pode ser aplicada ao ATCo, é a complexidade da área em questão. Quanto mais complexa, menor deve ser o número de aeronaves controladas simultaneamente.
Muitos estudiosos, no Brasil e principalmente no exterior, arriscam-se a sintetizar fórmulas que levem a conhecer o número ideal para cada localidade. Essas fórmulas facilitaram muito essa difícil tarefa, porém estão longe de expressar a real necessidade.
Algumas ferramentas foram incorporadas às instituições ATC internacionais com o intuito de diminuir essa margem de erro, o que no entanto, também esbarra em novos óbices quando a questão é a calibragem que deve ser aplicada à realidade de cada local analisado. (TAAM, RAMS, SIMMOD, ...)
Para os interessados em aprofundar o conhecimento com detalhamento técnico (de alto nível), sugiro visitar os sites das maiores autoridades no assunto: Carol Manning, Majumdar

Enquanto isso ficamos assim: "Se o burrinho sair do chão, nós tiramos a carga. Se ele ficar se frescando sob 3 patas para descansar uma, socamos peso no lombo do bicho."
Celso

A insegurança do Controlador de Tráfego Aéreo

Era uma vez um camundongo chamado Rátco... Ah ah ah ah ah ah! ... Essas estorinhas já estão dando no saco não? Mas eu me divirto com elas. Desculpem se tenho tratado de assunto tão sério com essa roupagem, mas até pouco tempo atrás permitimos que o fel da insatisfação amargasse nossas discussões sobre o tema e não progredimos nada, pelo contrário, tornou nossa sobrevivência mais difícil e nossa convivência mais chata. O ponto positivo desse pensamento é que, enquanto as coisas não se encaminham como se espera, a gente vai dando boas risadas.

Resgatando a seriedade que o assunto exige, alerto aos colegas controladores dos perigos que nos rondam por essa tortuosa e obscura estrada rumo ao CNS/ATM. Devemos estar atentos não só às propostas oferecidas, como as que virão alternativamente como complemento do sistema, em suas pequenas ramificações atendidas pelos demais serviços de tráfego aéreo. Explicando melhor, apesar de não conhecer o organograma do futuro sistema, preocupo-me que a paixão pelo trabalho venha a nos cegar para aceitar coisas que renegamos até hoje, e assim levando alguns colegas a caírem no mesmo buraco outra vez. Por certo que aquele aeroporto que a iniciativa privada não quer, e que o Poder Público continuará a gerir sem muito entusiasmo, terá sua torre de controle preenchida com Controladores de Movimento Aéreo, Operadores de Tráfego Aéreo ou ainda quem sabe, Controlador Aeroportuário.
Essas situações já começaram a se apresentar em algumas novas localidades, com provedores de serviços de tráfego aéreo que brotam de galhos, há muito julgados secos, da árvore aeronáutica. Essas oportunidades, enquanto encantam e atraem os colegas controladores aposentados ao som da “Flauta de Hamelin”, desempenham um papel interessante sob o ponto de vista da complementação salarial, mas... mas, se continuarem a proliferar nas citadas ramificações do sistema, podem ter certeza que no futuro será para onde encaminharão a “escória”, ou seja, aqueles que hoje carregam bravamente “o nosso ATC”.
Todas essas questões devem ser colocadas na pauta dos eventos que pretendemos promover. Para respondê-las poderemos respeitosamente convidar autoridades aeronáuticas. Para estudá-las podemos convidar pesquisadores. Para sabermos dos desdobramentos trabalhistas dessas transformações, e migrações, precisamos ouvir especialistas e autoridades do Ministério Público do Trabalho e da Magistratura.
Não se pode deixar que as coisas simplesmente aconteçam. Antes de tudo é preciso permitir que elas aconteçam.
Veja a projeção desse efeito pelo número de aeroportos deficitários do conglomerado INFRAERO. Pode relembrar também o artigo: "O nome do jogo"

Devemos estar atentos a tudo, porque se não... PLAFT!!!!!!

Celso

Leaving the well. May I?

Alguns colegas, como era de se esperar, não entenderam a figura do burro no fundo de um poço. Não sei se ficaria bem colocar ali um controlador fardado ou não. Se bem que, dizem que "o homem é o único animal que cai duas vezes num mesmo buraco". Em meu texto, o burro representa tão somente uma classe que precisa de ajuda e de iniciativa para buscar seus ideais. Quem sabe, se mexendo com os brios de alguns, tenhamos a força necessária para sair da inércia.
Enquanto isso, senta que lá vem estória...
Meu inglês é sofrível, mas cá entre nós, se passei incólume trinta e um anos controlando o tráfego aéreo e falando como se fosse Tarzan, ou sou um tremendo sortudo ou tenho o corpo fechado. De qualquer forma, nesse período pude testemunhar muitas situações embaraçosas, que o tempo, usando da máxima que diz “um dia a gente ainda vai rir disso”, caprichosamente, hoje me faz rir.
Um dileto amigo mineiro, com crônica dificuldade no idioma inglês, viu-se às voltas com um American Airlines:
- American naine six tri tani left reding uan tri ziro tu intercept localaizer córse, quei?
- Say again, São Paulo!
- Quei naine six tri, tani left reding uan tri ziro tu intercept localaizer córse, quei?
- Say again and speak slower, please!
- American naine six tri, tu intercept localaizer córse, ta-ni lé-fi-ti, ta-ni lé-fi-ti re-ding uan tri zi-ro, quei?
Assustado com o desencontro de informações, um estagiário que desempenhava a função de “assistente”, assistia ao duelo, observando o desespero do controlador quando o American, sem saber o que fazer, iniciou órbita sobre o NDB Perús.
- Fiadapu... Estragou minha sequência! disse o mineiro dando um soco na console. Olhou para o assustado assistente e disse:
- Avisa o controlador final que esse gringo tá mei enroladim! Vou passar pr'ele.
- São Paulo, your phraseology is “unreadable”
- O que foi que ele disse? Perguntou o estagiário!
- Disse que o meu inglês é horrivabou! Respondeu o nosso querido amigo mineiro.

Ai, ai, ai! Esse controle de tráfego aéreo brasileiro ainda me mata de tanto rir.
Celso

Auditório Vazio

Um palestrante entrou num auditório para proferir sua palestra quando se surpreendeu ao vê-lo vazio. Na verdade só havia um homem sentado aguardando pacientemente. Desconcertado perguntou-lhe se devia ou não dar a palestra só para ele, que gentilmente lhe respondeu:

- Sou um homem simples, não entendo dessas coisas. Mas se eu entrasse num galinheiro e encontrasse apenas uma galinha para alimentar, eu alimentaria essa única galinha.

Entendendo a mensagem, sem pestanejar iniciou a explanação conforme havia preparado. Quarenta minutos depois, ao concluir sua apresentação, perguntou ao homem:

- Então, gostou da palestra?

Olhe - respondeu o matuto - Como eu lhe disse, sou um homem simples, não entendo dessas coisas... Mas se eu entrasse num galinheiro e só tivesse uma única galinha, eu não daria o saco de milho inteiro para ela.

Uma das tarefas mais importantes na nossa vida profissional é saber mudar os planos, quando a situação muda. Todos têm um plano, mas nem todos sabem o que fazer quando ele não dá certo.
Haveremos de encontrar o melhor caminho na busca de nossos ideais. E pegando carona nessa parábola, devemos levar a informação sobre nossa atividade a quem a procura, na medida certa, com as palavras certas, através de canais adequados.
(Texto adaptado de autor desconhecido)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O nome do jogo!


O Mico: “... aeroportos médios e pequenos ...”
Em discurso, durante uma rápida solenidade de transmissão de cargo ao presidente interino da estatal, tenente-brigadeiro do ar, Cleonilson Nicácio Silva, Gaudenzi afirmou que a privatização isolada de aeroportos vai afetar o equilíbrio que permite à Infraero manter os aeroportos médios e pequenos em locais pobres e isolados do Brasil. (Leia mais)
Não se pode dizer que a questão da privatização dos aeroportos brasileiros não seja um jogo de cartas marcadas. Primeiramente porque os indicadores de produtividade, arrecadação e perspectivas futuras são claros. Mas o que mais me intriga nessa história é saber como as forças políticas se comportarão após a privatização. Será que o Governo Federal irá eximir-se de interferir nos destinos de cada aeroporto? Os incentivos federais não serão, de forma alguma, direcionados com fins eleitoreiros, privilegiando “quem for da família”? Acho difícil. Se hoje, por exemplo, a Azul já é apontada por receber alguns benefícios operacionais no Aeroporto Santos Dumont, e ainda estamos gerindo a coisa na esfera pública, imaginem no futuro, quando tudo estiver sendo gerido na privada.
Quero ver quem vai segurar o macaco peludo, subindo em sua cabeça, despenteando o seu cabelo, segurando em suas orelhas e enrolando o rabo no seu pescoço.

Conheça o movimento dos 67 aeroportos brasileiros administrados pela INFRAERO.

Como ingressar no ATC?



Antes de dar o primeiro passo é preciso que o candidato, definitivamente, não tenha alternativa. Descartadas todas as possibilidades de abraçar uma das muitas promissoras carreiras do serviço público, o candidato deve então preparar-se para concorrer por uma vaga, na base de 1/100 e torcer para que, após concluir o curso de dois anos em regime de semi-internato, não seja destacado para servir numa seção burocrática qualquer em um longínquo ponto do território nacional.
Após concluir o curso, se tiver sorte, o intrépido Controlador de Trafego Aéreo irá deparar-se diuturnamente com aquela condição que faz evoluir a raça humana, “lutar ou correr”, e esse estresse será incorporado nas entranhas de sua alma, perene e prazeroso. Nem o tempo ou outras oportunidades o libertarão do vício, e a carência por mais adrenalina trará a inexplicável volúpia pelo trabalho.
Ainda que alguns neguem, haverá dias em que tudo parecerá perdido, que enxames de aviões serão anonimamente controlados, seqüenciados e levados em segurança aos seus destinos. Ao contrário do que o leigo possa pensar, esses dias ficarão gravados na memória como sendo a única remuneração condizente com essa insólita atividade.
E finalmente, ao preencher todos esses requisitos, o controlador deve estar preparado para aceitar seus desígnios com abnegação, resignação e servilismo incondicional.
Portanto caro candidato pense bem antes de dar o primeiro passo.
Concurso