sábado, 5 de janeiro de 2013

A tecnologia aeronáutica aproximando o erro eventual do controle de tráfego aéreo da precisão de um acidente aéreo.


19/04/09 13:14
Antigamente o erro eventual do controlador era amainado pelos erros e oscilações das marcações magnéticas, e, pelos erros de calibragem e aferição presentes nas cápsulas aneróides dos altímetros das velhas aeronaves.

A automatização da aviônica nas aeronaves modernas, e nos auxílios à navegação com dados satelitais, tornou as rotas, as altitudes e os pontos de notificação compulsórios muito mais precisos. As oscilações das marcações magnéticas outrora recebidas analogamente dos velhos VOR, DME, NDB e broadcastings, que guiaram as velhas águias pelo espaço aéreo, deram lugar às sensíveis marcações digitais de inquestionável precisão. Diante dessa modernidade não podemos afirmar que houve um aumento da segurança aérea. O que houve, com certeza, foi a confiabilidade do exato posicionamento de um objeto no espaço tridimensional.

Presenciei muitas situações que contrariaram a Lei de Newton onde “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo”, mas uma delas marcou minha carreira. Em 1976, nos momentos derradeiros do extinto “Centro São Paulo”, durante meu estágio operacional, pude presenciar um fato que jamais esquecerei. Duas aeronaves a jato, uma da Aerolíneas Argentinas e uma da Cruzeiro do Sul, reportaram a mesma posição, no mesmo nível ao mesmo tempo. Naquela época, sem auxílio de RADAR, o controlador, Suboficial Izaguirre, estupefato com a situação, perguntou se as aeronaves se avistavam, e a resposta, que demorou uma eternidade para chegar foi a mesma, tanto em português quanto em espanhol: “NEGATIVO”. Foram segundos de intensa agonia até que pudessem ser separadas corretamente. Se isso acontecesse hoje, os pilotos só teriam tempo de reportar suas posições se tivessem equipados e operando com o TCAS, caso contrário a lei da impenetrabilidade estaria mais uma vez estampada nos matutinos de todo o mundo.

O trinômio “O HOMEM, O MEIO, A MÁQUINA” está carente de revisão. O meio, traduzido pelo redesenho do espaço aéreo, pela modernização dos aeroportos, das torres de controle e das salas de RADAR. A máquina foi reeditada em aeronaves que voam sozinhas, em radares multicoloridos e equipamentos de rampa e abastecimento ultra-eficientes. O homem, bem, esse ainda é o mesmo, assim como era o Suboficial Izaguirre, e continua estupefato diante de coisas inexplicáveis causadas pela natureza humana e suas limitações.

Acho graça quando as autoridades aeronáuticas mundiais, após atingirem a perfeição do posicionamento global das aeronaves no espaço, não sabem o que fazer com as características humanas e repensando os resultados até agora obtidos, decidem incluir de volta o velho erro de marcação às rotas ao instituírem o “OFFSET Procedure”. Diante disso o que poderia eu pedir, senão: - “Volta amigo Izaguirre!”
Celso BigDog



http://glo.bo/WqvF8M
04/01/2013 11h50 - Atualizado em 04/01/2013 11h55
Brasil fecha 2012 com novo recorde de acidentes aéreos, aponta Cenipa
Número preliminar mostra 168 casos no ano passado, contra 159 em 2011.
Acidentes com mortes crescem; 2013 terá redução, acredita oficial da FAB.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vende-se um trenó e nove renas!



Publicado em DOMINGO, 20 DE DEZEMBRO DE 2009.


Foi uma decisão difícil, mas Noel realmente não aguentava mais. Diante da quantidade de aviões, baixo preço das passagens aéreas e um trânsito aéreo caótico, o bom velhinho já cansado da luta anual, resolveu desfazer-se de seu transporte e optar por voos de carreira. Até mesmo o espetacular nariz vermelho de Rodolfo tornou-se obsoleto diante da escalada da tecnologia. Recebeu propostas para compra de aeronaves supersônicas, de elegantes jatos de fabricação nacional, mas qual o que. Em dezembro do ano passado as coisas se precipitaram quando:

- Controle São Paulo, aqui é o Noel Zero Uno, HO HO HO, cruzando 210 para 180...
- Noel zero uno mantenha a escuta...
- Fulano de tal desça ... Ciclano de tal reduza... Deltrano chame o controlador final em...
- ...
- [10 minutos depois...]
- ...
- São Paulo é o Noel Zero Uno!
- Prossiga!
- Passando fixo Celso agora, sigo na STAR DOG17?
- Negativo. Órbita em Campinas, mantenha 180...
- Mas controle, o nariz vermelho de Rodolfo permite me guiar diretamente para a cabeceira 17. Posso voar até na proa do Bahamas que fica bem no alinhamento...
- Negativo mantenha órbita.
- Ciente, ho, ho...
- ...
- [10 minutos depois...]
- ...
- Controle Noel zero uno, posso aproximar?
- Mantenha a escuta!
- Mas, as renas estão ficando enjoadas de tanto rodar. Rodolfo está com o nariz piscando; Corredora diminuiu a velocidade; Dançarina está com as pernas bambas; Empinadora nem levanta o pescoço; Raposa enfiou o rabinho entra as pernas; Cometa está meio apagado; Cupido está cabisbaixo; Trovão já não ressoa pois está ofegante e Relâmpago está por um fio...
- ciente, mantenha a escuta Noel!
- ...
- Controle... o Rodolfo que estava com o nariz vermelho piscando, acaba de vomitar... ho, ho, ai, ai...
- Ok. Autorizado então STAR DOG17.
- Noel Ciente, iniciando. A propósito, qual é o seu nome mesmo? Acho que algo endereçado a você caiu do trenó numa dessas órbitas... HO! HO! HO!
- Noel zero uno pode dizer o que foi que caiu do trenó?
- Não sei bem... Parecia ser um livro. Na capa dava para ler apenas algo como "REGUL... da PROF... AT... "
- P utz!

*

E já que controlador de tráfego aéreo e pardal tem no mundo todo, desejo aos amigos ATCOs, secretos ou não, um Feliz Natal, Gëzuar Krishtilindjen, Fröhliche Weihnachten, Shenoraavor Nor Dari yev Pari gaghand, Zorionak - Sretan Božić - Feliz Navidad - Felices Pascuas - Bon Nadal - Chuk Sung Tan - Gajan Kristnaskon - Hyvää joulua - Joyeux Noël - Nadolig Llawen - Kristas Shobas - Καλά Χριστούγεννα - Prettige Kerstfeest - Merry Christmas - Buon Natale - Merii Kurisumasu - Sreken Božić - Kung His Hsin Nien - Sarbatori Fericite - S prazdnikom Rozdestva Hristova - God Jul - Z Rizdvom Hrystovym.
Mário Celso Rodrigues
celsobigdog@yahoo.com.br

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Será que o Governo separou Infra e Aero para evitar “Venda Casada”?


O Controlador de Tráfego Aéreo é aquele filho problemático de um casamento desfeito. Sensível, complicado, perigoso, e frágil. Sensível quando não recebe a devida atenção. Complicado porque talvez use de termos técnicos não compreensíveis pelo alto staff leigo. Perigoso porque vive com a cabeça nas nuvens e muitas vezes isso lhe dá um ar inconsequente. Frágil, pois ao primeiro sinal de que algo não está bem, já pode ser tarde demais. É um filho muito lindo, mas que ninguém quer ter, pois para ele tudo tem que ser para já, na hora, AGORA!
Já disse certa vez aqui neste blog que o controlador é como se fosse o filho de uma mulher casadoira, que teve muitos maridos e por isso nunca recebeu um verdadeiro afeto de pai. 
Essa analogia foi necessária para chegarmos numa questão real que é a privatização aeroportuária, e a criação de uma nova estatal para continuar cuidando do coração de um aeroporto que é a parte operacional. Para que insistir nisso se já está comprovada sua falta de capacidade gerencial nesta área? A estatal prestará serviços como controle de tráfego aéreo, exploração comercial dos terminais, inspeção de bagagens e combate a incêndios. Penso que deve haver algo a mais nessa história que justifique essa novidade. Provavelmente a assessoria do Planalto tenha alertado quanto à possibilidade das concessionárias entrarem na justiça, caso as obriguem a prestar serviços que não desejam. Como assim? No Brasil temos a chamada “Venda Casada”. Aqui é expressamente proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 39, I), constituindo inclusive crime contra as relações de consumo (art. 36º, §3º, XVIII, da Lei n.º 12.529/2011), quando um consumidor, ao adquirir um produto, leva conjuntamente outro seja da mesma espécie ou não. O instituto da venda casada se caracteriza quando o fornecedor condiciona que o consumidor só pode adquirir um determinado produto se adquirir também outro, geralmente um "abacaxi". Será que é isso? Então por que não doar como... “brinde”? Quem sabe se usarmos o termo rural que diz "de porteira fechada” não resolveria o entrave? O que ganharemos com isso? Celeridade? Segurança? Empregos? E o DECEA, vai entregar a rapadura ou gerenciar o negócio como se fosse um conventilho?

Celso BigDog
DILMA CRIA ESTATAL PARA AEROPORTOS


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Aviação Civil de rabo preso.

Postado em 18 de Dezembro de 2011
Faz exatamente um ano!
Lendo um desses e-mails sensacionalistas, mas que de alguma forma deixa a gente mais atento, acabei por tirar algumas conclusões um tanto úteis. Dizia o e-mail, que se caso você fosse assaltado ou sofresse ameaça de algum delito, que não gritasse por socorro, não gritasse pega ladrão, não gritasse tarado, nem gritasse por ajuda, pois ninguém irá querer se comprometer. Pense que a situação de quem socorre pode levá-lo a ser testemunha, a ser alvejado ou a ser roubado também, então o melhor é ele fingir que não escutou e pronto. O negócio é não ficar com o rabo preso. Nesses casos, vez por outra, um candidato a herói se apresenta e aí sim, o coitado quase sempre se dá mal. Qual é a dica então? A dica é a seguinte: Gritar a todos os pulmões “FOGO, FOGO!” Você verá que usando uma palavra adequada, sairão todos os vizinhos de uma só vez e isso irá assustar o agressor e resolver o problema. Não é uma boa dica? Mas o que isso tem a ver com o transporte aéreo? Ah! Podemos aplicar essa técnica sim.
A tática consiste em esperar por uma reunião do CONAC - Conselho Nacional de Aviação Civil. Já que isoladamente as autoridades fingem não ter nada a ver com o assunto, façamos o seguinte: De posse de um megafone, passe gritando no corredor que dá acesso a sala de reuniões: - “CAIU MAIS UM! CAIU MAIS UM!” e verá que todos os Membros do Conselho sairão para ver até que ponto sua pasta tem o rabo preso com o evento. Não é interessante? Dificilmente com o grupo reunido não terá alguém que tentará buscar soluções.
Preciso de um relatório bem minucioso e sucinto, balbucia a SAC. Houve erro do ATC? Pergunta o DECEA. O piloto e a aeronave estavam em situação legal? Pergunta a ANAC. O acidente foi na pista? Pergunta a INFRAERO. Que empresa foi? Pergunta o SNEA. É regional? Pergunta a ABETAR. É executivo? Pergunta a ABAG. É Nacional? Pergunta a Casa Civil. E houve vítimas? Pergunta a imprensa. Querem água ou café? Pergunta a copeira.
Calma gente, calma! Avião? Que avião? Como é que é? Mentira? Mas quem está mentido? Ninguém disse que caiu avião. O que estava se anunciando era nada menos que a queda de mais um ministro, coisa tão corriqueira hoje em dia. Eu hein? Tratar com gente estressada é fogo, FOGO!

Hoje, depois de um ano nada mudou. Vejam declarações de quem sabe das coisas:
Assista: A Aviação Civil que o Brasil merece ter.
Celso BigDog

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Aviação Regional Brasileira e as falácias palacianas.



13/12/12 04:14
Fica muito difícil engolir a seco essas promessas inexequíveis, principalmente porque para cumpri-las, o atual governo precisaria entregar desde já, pelo menos, 33 aeroportos por mês durante os dois últimos anos que restam de seu mandato. Ou será que já está contando com a reeleição em 2014 e a volta do Mr. Lulla em 2018?
O que temos visto na história da aviação civil brasileira, é a penúria das Regionais desbravando novas rotas, desenvolvendo novos portos, e quando os tornam lucrativos são engolidas pelas grandes Linhas Aéreas.
Na década de 70, no início de minha carreira, soube de maneira não oficial de uma reunião das empresas aéreas, onde reinavam, Érick de Carvalho pela VARIG/Cruzeiro, o Governo do estado de São Paulo pela VASP e Omar Fontana pela recém criada TRANSBRASIL (Sadia). Entre os representantes das regionais VOTEC, VASPINHA, SADIA (Dart Herald e Bandeirante), e entre outras, uma tal de Regional Marília com seu dono Rolim Amaro. A reunião se encaminhava para absorção das linhas regionais pelas grandes, como se fosse um espólio. Num dado momento a VASP se pronunciou “– Nós ficaremos com a RM”. De um só golpe o comandante Rolim Amaro recolheu seus papeis, fechou sua pasta e dando um murro na mesa bradou: “- A Transbrasil e a VASP eu pago a vista. A VARIG eu preciso de 30 dias”. Levantou-se e foi embora.
Hoje essas manobras são feitas descaradamente pelo capitalismo selvagem, que compra a concorrente para fecha-la, ainda que de início traga um grande prejuízo. É como um leão, que mata a hiena, mas não come sua carne. Faz isso simplesmente para evitar a concorrência em sua área, ou ampliar seus domínios.
Se hoje não conseguimos sequer dar conta de 65 aeroportos, quer seja regulando, fiscalizando, provendo serviços e precisamos repassa-los a estrangeiros, que dirá 800... OITOCENTOS aeroportos. Ou seriam 800 pistas de pouso de terra batida? Ou talvez 800 rodoviárias.., mas e as estradas? Quem sabe 800 estações de trem... mas e os trilhos? Vamos contar a partir de hoje, quantos aeroportos regionais “novos” serão entregues até o fim deste mandato.
Depois perguntam, por que será que os investidores estrangeiros sumiram do País? Ah tenha a santa paciência... Conta outra.
Celso BigDog
Referência

sábado, 8 de dezembro de 2012

A Aviação Civil Brasileira "voa de dorso"



DIA 7 DE DEZEMBRO - DIA INTERNACIONAL DA AVIAÇÃO CIVIL
O voo cego da aviação civil brasileira prossegue. Um acidente grave é o que não precisamos nesse momento para confirmar que é péssima a qualidade técnica e administrativa do setor aéreo. Por certo, sequer sabem essas “autoridades” o que estão vendendo ou regulando. Não precisamos mesmo de um acidente para chegar a essa triste conclusão. Repetindo erros de um passado próximo, quando confundiram frotas de ônibus com frotas aéreas, ousaram modificar princípios vitais de segurança a seu favor, diminuindo as composições de tripulações, extinguindo determinados serviços e procedimentos de controle aéreo em espaços onde suas deficiências são gritantes, e criando “puxadinhos” nos aeroportos, como opção de acomodação quantitativa, quando os problemas maiores estão na operacionalidade dos aeródromos.
Um governo que não se define como sendo de direita ou de esquerda, que não sabe se cresce ou retrai, demonstra que está em voo invertido, pois quando se dispõe a ir para direita, acaba indo para a esquerda. Quando quer aumentar o crescimento econômico quase cai do Plano Cartesiano com um PIB risível. A única coisa que perceberam até agora, mas não sabem como se safar, é que, “quando puxa não cabra e quando empurra, não pica”.
Apesar de ser hoje o Dia Internacional da Aviação Civil, não há muito o que comemorar no Brasil.

Celso BigDog

domingo, 2 de dezembro de 2012

Tripulantes que clamavam por um emprego seguro receberão Seguro Desemprego.


Preparem-se! Vem aí a nova errata do RBAC121.
Com a diminuição do número de Comissários nas tripulações de cabine, passageiros que desejarem viajar confortavelmente nos bancos frontais às saídas de emergência (mais espaçosos) deverão comparecer à ANAC para curso de dois dias em mockup* de aeronaves para exame e aquisição da CVH 121.391H – COMISSÁRIO DE VOO HONORÁRIO. O pior é que temos que pagar a mais por isso.
Já pensaram como será?
... SIGAM AS LUZES! PEGUEM OS ASSENTOS FLUTUADORES! BRAÇOS CRUZADOS! JOGUEM-SE SENTADOS NO SLIDE, DIGO NO ESCORREGADOR! PESSOA COM DEFICIÊNCIA MOTORA POR ÚLTIMO? ESPERA AI! NÃO ABRAM AS PORTAS DA ESQUERDA, POIS ESTÁ VAZANDO COMBUSTÍVEL NA ASA! ...
Ah! Melhor viajar de pernas encolhidas mesmo.

* Mockup é uma imitação de um avião, com assentos alarmes e condições para que os comissários treinem emergências e evacuação da aeronave em 90 segundos em caso de acidentes.

Observação importante: Esses passageiros estarão desobrigados da tarefa de distribuir amendoins e barras de cereais na aeronave.

Referência:

Fim de operações da Webjet é irreversível, diz presidente da Gol


Canibalismo entre congêneres alimenta "Risco Aviário" no entorno aeroportuário.

elso BigDog

sábado, 1 de dezembro de 2012

GÁRGULAS AEROPORTUÁRIOS NO BRASIL.



Numa última cartada das autoridades aeronáuticas, do jeito que a criatividade gerencial "viaja", figuras funestas e mal encaradas podem estar sendo indicadas para o topo das instalações aeroportuárias neste momento, com intuito de continuar alegando que afugentam os espíritos malignos que rondam a área. Mas, coisa de gente mal informada é fogo. Facilmente continuarão sendo convencidos de que tais feições tenham influência na dispersão de maus fluídos, como as “carrancas” do Rio São Francisco, abrindo caminho seguro na proa das embarcações. Qual o quê? As tais Gárgulas muito comuns nas construções góticas do primeiro mundo, serviam para o escoamento das calhas, jogando o fluxo de água dos telhados para longe das paredes. Que triste constatação desse modismo importado para terras tupiniquins. Seu significado é bastante contrário aos interesses do transporte aéreo. Se buscarem mesmo essas soluções exotéricas do estrangeiro com certeza trarão de brinde, novos “gargalos”, sim gargalos, esse é o verdadeiro significado de gárgula para a já travada aviação civil brasileira. O quadro de constipação aeroportuária caminha para o entupimento generalizado no período dos grandes eventos que se aproximam e ainda não conseguimos sequer indicar pessoas habilitadas para os cargos de desentupidor de infraestrutura. Onde estão nossos engenheiros do ITA, Poli, UFRJ, USP... 
Não sabemos ainda quem vai gargalhar, ou "gargular" por último. Fica difícil estabelecer uma meta quando as regras do jogo são modificadas à conveniência e à revelia, lançando mão do critério da tentativa e erro. O certo é que, qualquer que seja o resultado final, quem não vai ficar satisfeito é o povo brasileiro, aquele que pagará a conta para a festa Alemã na Copa de 2014.
Celso BigDog

Assistam: A aviação civil que o Brasil merece ter

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Canibalismo entre congêneres alimenta "Risco Aviário" no entorno aeroportuário.



Carcaças atraem pássaros no entorno aeroportuário.
O perigo aviário agora surge também de uma nova fonte. A morte de jovens empresas. Identificadas pela cor do rabo, azul claro, escuro, verde, ou nas cores do arco-íris... não importa, uma a uma vão perecendo em consequência do injusto tratamento recebido. O modus operandi do mercado financeiro é o mesmo de sempre, como comprar o passarinho do vizinho, exterminá-lo sumariamente para que não ouse cantar mais bonito do que o meu. Que política é essa? Seria herança das lutas ente Tupiniquins e Tupinambás onde o grupo vencedor comia o vencido?
O cheiro lúgubre se alastra e convida urubus e carniceiros de toda a espécie para o banquete. Choros e lamentos dos funcionários desamparados quebram o silêncio das turbinas, pelos sonhos desfeitos, das famílias desprotegidas, da escola das crianças, do financiamento da casa própria e compromissos financeiros que todo membro de uma família tem. 
O “Perigo Aviário” se avoluma, senão pela negligência de governantes, pelo menos pela ignorância e falta de fiscalização quando da instalação de aterros sanitários, entrepostos pesqueiros, matadouros e frigoríficos em áreas proibidas por lei para esse fim.
Como dizia o poeta Gonzaguinha: “um homem se humilha se castram seus sonhos. Seu sonho é sua vida e vida é trabalho. E sem o seu trabalho, um homem não tem honra. E sem a sua honra se morre, se mata”. 

Enquanto meus incômodos não me permitirem expressar minhas ideias com clareza, vou utilizando meu blog de OPINIÃO ATC como um simples Clipping Aeronáutico. Continuo na luta pela vida e pela atividade. 
E a propósito... AO PESSOAL DA WEBJET, MEUS MAIS SINCEROS SENTIMENTOS.

Referências:


Celso BigDog

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tele-sena, Dupla -sena, Mega-sena...



Requentando a mesma ladainha de 2007/2008      (Publicado em 19/12/2008)
Assim como na Mega-sena, mais uma vez iniciaremos um novo ano com um volante de loteria nas mãos. Papai Noel existe e alimenta nossas esperanças de que uma chance a cada 53 milhões de apostas nos premiará profissional e financeiramente. É a imagem que vejo refletida nos olhos de meus colegas, apesar da gastura que carcome suas almas diante de tão insípida esperança. Afinal, sonhar ainda não paga tributo.
Qualquer que seja o enquadramento profissional, ou a denominação de atividade ou ainda o apelido que venhamos ter, nossos desígnios não vão além de um conveniente sacerdócio aos olhos dos poderosos. Nossa atividade atrelada a interesses inimagináveis e muitas vezes equivocados tornou-se saco de pancadas e motivo de galhofa da opinião pública, hoje propositalmente mal esclarecida. Por que trabalhamos compensando deficiências da infra-estrutura aeroportuária? Por que trabalhamos compensando a incompetência administrativa? Por que trabalhamos dando um jeitinho na legislação capenga da ANAC? Por que somos complacentes e cúmplices com a dissimulada, cínica e gananciosa cultura das empresas aéreas brasileiras? Também não sei responder, pois, ironicamente, apesar desses meus eternos questionamentos, foi exatamente assim que trabalhei por mais de 30 anos, controlando a incompetência aérea brasileira. Não há outro caminho para a categoria que não seja o de revelar os verdadeiros motivos de cada evento, ou seja, não suprindo as falhas de quem quer que seja, apenas prestando o serviço ATC como deve ser prestado, degradado ou não, mas com segurança. Qualquer tentativa diferente disso, através da costumeira iniciativa de “compensar”, quando bem sucedida apenas irá encobrir a incompetência alheia, atraindo para nós mesmos somente os resultados desastrosos.
Uma estória dos tempos da escravidão conta que uma Sinhazinha ao ser cortejada por seu prometido, inesperadamente, pressionada em demasia por seu apertado espartilho, deixou escapar um escandaloso flato. Mais que depressa, sua fiel e sempre presente Aia se adianta e diz: - “Desculpe Sinhozinho, mas o pum que a Sinhá deu, não foi ela, fui eu”.
É preciso abandonar esse costume servil e, através de nossas associações representativas, apresentar ao público interno aeronáutico, através de um canal específico e técnico, todo e qualquer evento que leve o ATC a prestar um serviço de má qualidade, dia-a-dia, a qualquer momento e contra qualquer segmento que descumpra os fins estabelecidos em seu próprio estatuto. Tenho certeza, que se bem elaborado, tornar-se-á, inclusive, uma excelente ferramenta de uso da autoridade aeronáutica para corrigir deficiências.
Dar segurança é nossa responsabilidade, mas agilidade aeroportuária, conforto, eficiência ou até mesmo satisfação com o conjunto que gerencia o transporte aéreo não é. Agindo dessa forma talvez os companheiros voadores na voz das associações de pilotos enxerguem onde está o real problema do setor e a quem devem encaminhar suas críticas e mágoas.
Enquanto a verdade não for explícita, resta-nos contentar com a alcunha de “Papagaio de Torre”, “Guarda de Trânsito Aéreo”, “Controlador de Vôo” de uma “Torre de Comando”.
É bom lembrar também que hoje o honroso termo “trabalho”, foi no passado uma degradante condição escrava de pessoas que labutavam sob açoites de um “tripálio”.
Longe de querer afrontar importantes estudos de grandes personalidades sobre relações sociais, ouso expor as minhas conclusões, tiradas ao longo da humilde vida dedicada ao ATC, que um apelido só pega realmente se você se aborrecer com ele. Infelizmente, como se pode notar, aprendi isso tarde demais.
Um forte abraço a todos vocês. Feliz 2009!
Cachorrão

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sem tato, companheiros!

Manda quem pode e obedece quem tem juízo!
Ou seria, obedece quem não tem juízo?

Diálogos comuns entre:

Piloto e PAX VIP
- O tempo está ruim senhor, melhor alternarmos para outro aeroporto.
- Negativo! Vá tentando aí. Preciso que esse avião pouse aqui!

Controlador e seu chefe
- A visualização RADAR está ruim senhor, melhor empregarmos os procedimentos de degradação de sistemas conforme prevê o regulamento no item 14.2.
- Negativo! Isso vai atrasar os voos. Nem pense nisso!

Supervisor da TWR e Centro de Gerenciamento
- Senhor, a pista está escorregadia. Melhor suspendermos as operações, pois não tem grooving.
- De jeito nenhum! Informe aos pilotos e transfira a decisão para eles. Por acaso grooving é requisito obrigatório?

Piloto e Coordenação da Empresa
- Ô coordenação, Congonhas "está nos mínimos". Acho melhor alternarmos Campinas.
- Sem chance comandante! Ou esse avião pousa aqui ou vai desmantelar nossa malha.

Piloto e mecânico
- Ô manutenção, tem um reporte aqui no RDT de Wing Anti-Ice LH acendendo em vôo. Melhor trocar não?
- Negativo comandante! Isso dará atraso. O senhor segue o voo e trocaremos a peça no próximo pouso.

Mecânico e Supervisor de manutenção
- Ô Máster, há uma trinca na porta da baia do trem de pouso... Como ficamos? AOG?
- De jeito nenhum! Cubra com uma fita aluminizada, libere a aeronave e deixe isso para o pernoite.

Abastecedor e Co-piloto
- Amigão, este avião abastece em galões ou litros?
- Hã? Vai abastecendo ai que eu já volto.

Assim como anda dizendo o noticiário: “Nevoeiro é uma das três possíveis causas do acidente aéreo na Rússia", afirmo que "NEVOEIRO NÃO DERRUBA AVIÃO!" Excetuando-se a interferência ilícita, os atos de vandalismos e uma ínfima parcela de fatalidade, o que pode derrubar um avião é a não observância das normas, o desconhecimento dos boletins de manutenção, o descumprimento dos regulamentos operacionais, a intervenção autoritária indevida, quer seja ela originária do meio civil ou militar, do setor público ou privado, sobrepujando a autoridade daquele que pilota, daquele que conserta ou simplesmente daquele que mantém ordenado, rápido e seguro o fluxo de tráfego aéreo. Em caso de acidente, somente desses três personagens serão cobrados os aspectos psicológicos, operacionais, técnicos, de iniciativa, de comando, de disciplina, de julgamento, de planejamento e de supervisão. Só deles...

Infelizmente para aqueles que não cedem a essas pressões restam as demissões e dispensas sem motivos, as promoções preteridas, as oportunidades de ascensão profissional frustradas e uma vida inteira para se questionar: - "Se eu fizesse, teria dado certo?"

http://www.abril.com.br/noticias/mundo/russia-piloto-presidente-kaczynski-ignorou-ordens-torre-548096.shtml

domingo, 7 de outubro de 2012

DIA DO AVIADOR - 23 DE OUTUBRO



23 DE OUTUBRO - DIA DO AVIADOR

Caros amigos aviadores,
Parabéns pela data comemorativa. Apesar de controladores e pilotos assemelharem-se a água e óleo, nós controladores não existiríamos sem vocês.
Que o elã jamais nos prive da camaradagem, amizade e responsabilidade.
Coteje!

Celso BigDog

20 DE OUTUBRO - DIA INTERNACIONAL DO CONTROLADOR DE TRÁFEGO AÉREO




AOS MEUS AMIGOS ATCO.
Não sei se poderei participar de algum evento comemorativo do Dia Internacional do Controlador de Tráfego Aéreo, mas gostaria que soubessem que estarei sempre ao lado de vocês, se não por melhores condições de trabalho, pelo menos alertar para que não sejamos novamente protagonistas de sinistros de origem sistêmica, quer seja de recursos humanos ou de infraestrutura aeronáutica. 
COMEMOREM!
Celso BigDog

domingo, 26 de agosto de 2012

ATC Brasileiro - A evolução de uma paixão.

Publicado em: 20/04/12 22:05

Caro Leitor,
O editor deste blog estará afastado por algum tempo para realização de um Check “C”. Haverá drenagem no sistema hidráulico para troca do skydrol. É provável que esteja liberado pela manutenção a tempo de participar da festa do "Dia do Controlador de Tráfego Aéreo" no Kart Center de São José dos Campos em 20 de outubro.
Enquanto isso fique com as imagens que mostram o ATC brasileiro de ontem e de hoje.
Até breve!

CelsoBigDog

Vai ter o PAD - Plano de Aceleração da Desmilitarização?

Publicado em: 26/03/12 15:20

Tenho me perguntado quanto tempo seria necessário para se reformular o controle de tráfego aéreo brasileiro. Já tivemos, em menor escala, algo parecido. Entre o período mesozoico e o pré-infraero as negociações entre a DEPV e a TASA precipitaram-se como um meteorito. Em meio à névoa da incerteza alguns poucos voluntários (saudade do Sr. Noronha) se arriscaram a tirar a farda partindo para uma nova vida profissional. Foi fácil para ambos os lados. Foi fácil também porque a FAB continuou com a batuta na mão, provendo a área técnica e de recursos humanos, tanto de civis como de militares. Na ocasião, para dizer a verdade, foi só trocar a camisa. Mas o que está sendo cogitado agora é algo muito diferente. O desejo da grande maioria de clientes internos e externos pode ser descrito verdadeiramente como um “big bang aeronáutico”. Seria apenas trocar de roupa novamente e assumir DECEA, EEAR, ICEA, ICA, GEIV, CGNA...? Não, com toda a certeza não!
Mas de que adianta debater o assunto sem um detalhamento específico da coisa. Não faço ideia do tempo necessário para se elaborar um marco regulatório delineando as normas, leis e diretrizes desses novos setores. E quantos setores? Arriscar um palpite agora é até divertido, diria até instrutivo, pois nos leva a pensar, mas seria pura perda de tempo. Se bem que, se fizéssemos como no passado quando, por comodismo, copiamos para nós a Constituição dos Estados Unidos da América, poderíamos aproveitar um modelo de marco regulatório já existente. Hoje seria bem mais fácil não? Que tal um copy/paste no da Suíça?
Somente um ATCO sabe o que é uma tela de RADAR cravejada de aviões em espera para um aeroporto subdimensionado, totalmente lotado, taxiways congestionadas, setorização insuficiente ou inadequada, controlando com um assistente sem habilitação ou mal formado, usando um sistema de comunicação fixa e móvel aeronáutico inadequado, a troco de um salário minguado e olhar para os lados, além de sua equipe de guerreiros não enxergar e não poder contar com mais ninguém. Nem com os idealizadores daquele circo de horrores, nem com o chefe do RH, ou com quem projetou o aeródromo, nem com quem licitou e comprou equipamentos, sistemas e instalações operacionais inadequadas. À frente do problema só resta o controlador e Deus.
Que me perdoem os muito otimistas, mas as transformações esperadas no controle de tráfego aéreo brasileiro não poderão tramitar a jato. Pelo carinho e preocupação que tenho com os controladores e pelo choro doído de quem já perdeu entes queridos em acidentes aéreos, espero que sejam a passos de tartaruga, cautelosas e sábias.
Quanto ao PAD, a única vantagem que vejo é que já vem com grooving incluso!
Celso BigDog

Brainstorming Aeronáutico: Para que serve a calha do rio Tietê?

Publicado em: 26/03/12 15:22

São Paulo é palco de grandes novidades aeronáuticas. Já que aqui se concentra o maior volume de tráfego aéreo do hemisfério sul do planeta, não poderia ser diferente. Para dar apoio à segunda maior frota de helicópteros do mundo já inventamos até serviço RADAR em torre de controle, único no mundo. Então qual é o problema? Agilidade? Dar vazão a um tráfego caótico, indisciplinado? Acho que o problema não está em facilitar o passageiro VIP, mas os usuários de aviação geral, de táxi aéreo, de ambulâncias aéreas. Quer agilidade? Então vamos mudar alguns conceitos. Que tal uma “Pista Suspensa” sobre a calha do Rio Tietê?

Vantagens operacionais:
- Localização;
- Topografia generosa com uma ZPA preservada pela calha do rio;
- Ligação Rodoferroviária (Metrô, Marginal) à mão;
- Possibilidade de implementação de um sistema de Air shutlle de helicópteros (GRU/Tietê/GRU) permitindo movimentação de passageiros e tripulantes nas estações chuvosas que inviabilizam o acesso rodoviário ao aeroporto internacional;
- Setor de aproximação e de decolagem não sobrevoa área residencial;
- Barulho aeroportuário minimizado pelas características topográficas do entorno;
- Torre de controle já tem, a da Ponte Pequena.

Condições de uso:
- Tempo máximo de ocupação do aeródromo para embarque e desembarque: 15 minutos;
- Proibido pernoite de aeronaves;
- Permitido somente para manutenção eventual;
- Não há serviço de reabastecimento;
- Ponto de apoio de emergências (UTI aérea, Policiamento e Inspeção de Trânsito);
- Operação estritamente VFR (diurno e noturno).

Inconveniente operacional:
- Podemos adiantar que deverão ser desenvolvidos mecanismos para minimizar a presença de aves ao longo do rio.

Vamos gente! Vamos pensar! Acham que viajei? Vocês ainda não viram nada...

O SISCEAB veste Farda!

Publicado em 21/05/11 18:47

Para entrar no assunto, visando auxiliar o entendimento dos leitores "simpatizantes do mundo aeronáutico" incluo aqui algumas Instruções do Comando da Aeronáutica para a atividade de Controle do Espaço Aéreo.
ICA 100-12 REGRAS DO AR E SERVIÇOS DE TRÁFEGO AÉREO
2 DEFINIÇÕES E ABREVIATURAS 
2.1 DEFINIÇÕES 
- AERÓDROMO CONTROLADO
Aeródromo no qual se presta serviço de controle de tráfego aéreo para o tráfego de
aeródromo. 
- ÁREA DE MOVIMENTO
Parte do aeródromo destinada ao pouso, decolagem e táxi de aeronaves e está integrada
pela área de manobras e os pátios.
O Brasil mantém um modelo retrô na aviação civil brasileira quando trata do assunto Controle do Espaço Aéreo.
Uma vez que o “aeródromo”, ou seja, as pistas de pouso e taxi, os pátios e as vagas de estacionamento de aeronaves, em pontes (finger) ou remotas, determinam o início e o fim de uma etapa de um voo bem sucedido, então por que a Área de Movimento não fica inteiramente aos cuidados do DECEA? Deixar que esses extremos fiquem nas mãos de profissionais operacionalmente leigos não me parece produtivo nem tampouco seguro. Ao absorver claramente essa “Faixa de Gaza Aeronáutica” o DECEA (quer seja ele militar ou futuramente civil) poderia deliberar as mudanças que se tornassem necessárias para a agilidade da integração operacional de que tanto reclama (1). Quando digo “ficar aos cuidados” refiro-me à responsabilidade não só operacional como de manutenção, modificação, ampliação, groovinização e no trato com os órgãos governamentais para se fazerem valer as regras de construção no entorno aeroportuário e garantir definitivamente a integridade das ZPA - Zonas de Proteção de Aeródromo.
A ANAC cuidaria dedicadamente da Regulação e Fiscalização do cumprimento das Normas da Aviação Civil e no seu trato com o passageiro. INFRAERO cuidaria dedicadamente do recebimento, estacionamento de veículos, acomodações, despachos de passageiros e cargas, catering,  reabastecimento de aeronaves, shopping, alimentação e serviços. Os Governos Federal, Estadual e Municipal cuidariam dedicadamente dos acessos, da segurança e dos meios de transporte de usuários e funcionários. Por fim o DECEA cuidaria dedicada e adequadamente da parte dinâmica da coisa. Definiria através do CGNA a relação Demanda X Capacidade e o responsabilizaria pelos atrasos e o alto consumo de combustível nas aerovias brasileiras, fazendo voar com economia, rapidez e segurança. Quando algo sair errado ficaria fácil identificar de quem cobrar uma explicação e a quem responsabilizar, se assim for estabelecido. Esse negócio de todos os staffs gerenciais ficarem assoprando a peninha para não deixa-la cair em seu terreno já deu nos nervos da população. Não há outra explicação.
Ainda que  a moda atual corra ousadamente no rumo das transformações radicais, a Aeronáutica caminha a minúsculos passos, como os de uma gueixa paramentada, quando o assunto é administrativo ou cultural.
A colagem ilustrativa acima mostra que pelo menos alguma mudança já começou a dar as caras. As mulheres invadiram o grupo militar ATC. O único fator dissonante é que o SISCEAB ainda veste farda.
Celso BigDog

(1) Portaria Nº 256 do Comando da Aeronáutica: Portaria

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Open Skies: - "Quanto mais eu rezo, mais a aviação aparece!"

Postado em 26 de março de 2012
Setorização dos órgãos podem trazer mais capacidade de controle, maior agilidade no fluxo de saída de aeronaves para EUA e Europa com o acordo chamado de "Open Skies", no entanto esconde um custo operacional infinitamente maior para as aeronaves que chegam ao Brasil, com órbitas em rota, e a famosa STAR “com bola ou sem bola”. O maior problema ainda não é esse. Os maiores são os que envolvem segurança. A formação em bateladas de controladores sem a mínima experiência laboral, lançados na rede com o doutrinamento de que fazem parte de um seleto grupo “NG”, formados em simuladores sequenciais de TWR, APP e ACC como se a experiência de uma atividade efetiva de OJT fosse coisa do passado. Que Deus nos livre e guarde. Não querendo bater na mesma tecla, mas sem outro meio de exemplificar, o controlador protagonista do acidente Legacy X GOL foi de uma das primeiras turmas a experimentar tal grade curricular. E, diga-se de passagem, sua homologação foi feita na canetada depois de ter sido reprovado operacionalmente pelo Conselho Operacional de Brasília por três vezes consecutivas. Só ele foi responsabilizado e condenado.
Pousar não significa que o piloto terminou sua missão. Do toque até o gate, vai uma eternidade, um pouco de sorte, a destreza do operador de pátio da Infraero e da envergadura da aeronave. Da habilidade do controlador do ground. É comum vermos filas em Taxiway, com o controlador instruindo, siga aeronave tal, faça taxi lento e aguarde definição de gate.
Acredito que em breve nossos amigos Americanos e Europeus vão descobrir que compraram uma coruja por papagaio. É bom que se diga que, falar ela não fala, mas presta uma atenção incrível!


Matéria completa, extensa, mas interessante:

BRASIL FECHA ACORDOS E 'ABRE OS CÉUS' PARA EUA E EUROPA, E TRÁFEGO CRESCE 50%
Cristiano Romero
De Brasília Valor Econômico - 18/03/2011

O Brasil vai liberalizar os voos internacionais com os dois principais mercados do país: a Europa e os Estados Unidos. A negociação do acordo com a União Europeia foi concluída ontem e deve ser assinado em meados de junho. O acordo com os EUA, cujas negociações foram concluídas em dezembro, será assinado hoje, em Brasília, pelos chanceleres dos dois países e será mencionado em discurso pelo presidente Barack Obama como um dos trunfos de sua visita ao Brasil no fim de semana. Os termos dos acordos foram antecipados ao Valor. No caso da UE, a liberalização total, conhecida no jargão da aviação como "open skies" (céus abertos), será feita em etapas e concluída em três anos, para dar tempo às empresas aéreas de se prepararem para a livre concorrência. No acerto com os Estados Unidos, a liberalização completa ocorrerá em 2015. A política de ampliação de voos internacionais e de liberalização desse mercado, posta em prática pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2007, aumentou em quase 50% o tráfego de passageiros nos últimos quatro anos. Segundo a Anac, entre 2000 e 2006, o tráfego internacional cresceu 4,5% ao ano no Brasil. De 2007 a 2010, a taxa de crescimento anual saltou para 8,1%. No ano passado, foram transportadas quase 15 milhões de pessoas nesse segmento do mercado, face a 7,8 milhões em 2000. O Brasil tem hoje acordos bilaterais de transporte aéreo com 15 países europeus. Com o acordo fechado ontem com a União Europeia (UE), passará a ter acesso a 27 países daquele continente. A liberalização completa, pelo sistema "open skies" (céus abertos), será concluída num prazo menor que o do contrato negociado com os Estados Unidos - em quatro fases, em vez de cinco. A data de implementação dependerá, no entanto, do momento em que o acordo for assinado entre o chanceler brasileiro e o comissário europeu. O acordo com os EUA, cujas negociações foram concluídas em dezembro, será assinado hoje, em Brasília, pelos chanceleres dos dois países. O superintendente de Relações Internacionais da Anac, Bruno Dalcolmo, diz que o acordo com a UE será assinado em meados de junho. Na primeira fase, que entrará em vigor imediatamente, será autorizado um aumento de 20% no número de voos semanais (ou frequências) para quaisquer aeroportos do país, à exceção de São Paulo. A mesma regra será aplicada em 12 a 24 meses depois da primeira liberação. Depois de 36 meses, a liberdade será completa. Na prática, os acordos facilitarão a conectividade de passageiros brasileiros com diferentes partes do mundo. Hoje, dos 83 acordos bilaterais firmados pelo Brasil, apenas 18 são "open skies". Com os contratos firmados com os Estados Unidos e a União Europeia, passarão a ser 20. Nos últimos quatro anos, a Anac fechou 41 acordos, dos quais, 28 já existiam e foram modernizados e 13 são novos. Graças a esses contratos, brasileiros podem fazer hoje voos, alguns diretos, para 17 novos destinos internacionais, entre eles, Istambul, Dubai, Doha, Cingapura, Hong Kong e Moscou. "O Brasil precisa de maior e melhor conectividade com o mundo. O que nós queremos é conectividade e mobilidade", disse Dalcolmo ao Valor. "Antes, eram poucos passageiros, poucos voos, poucas empresas e preços altos." O número de voos internacionais por semana avançou de forma significativa. Entre 2007 e 2010, cresceu 17%, desconcentrando um pouco os embarques e desembarques no eixo Rio-São Paulo. O aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, por exemplo, tinha 14 voos em 2007. Hoje, tem 54. Curitiba não tinha nenhum. Hoje tem sete. Até 2005, 90% dos voos eram concentrados no eixo Rio-São Paulo. No ano passado, esse percentual caiu para 60%. "Ainda é alto, mas já diminuiu bastante", diz Dalcolmo. No caso das rotas para os Estados Unidos, tem ocorrido um aumento nos voos para o Galeão. Em 2005, eram apenas sete voos para os EUA. Em 2010, chegaram a 41. Já o número de voos para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, passou de 116 para 120 no mesmo período.  A liberalização e a ampliação dos voos internacionais, uma política adotada pela atual presidente da Anac, Solange Vieira, cujo mandato termina amanhã, têm fortalecido, até o momento, as empresas nacionais. A TAM, informou Dalcolmo, não tinha voos para a Europa há cinco anos. Graças à política posta em prática pela Anac, detém hoje 23% desse mercado, que é menor apenas que o da portuguesa TAP, com 29%. Na América do Sul, a TAM é a líder, com 34% do mercado. A Gol, a segunda, tem 28%. A TAM tem posição de destaque também nos voos para a América do Norte. Responde por 27% do mercado, um ponto percentual apenas abaixo da posição detida pela American Airlines. Neste momento, segundo a Anac, a TAM está em fase de implementação de voos entre o Rio de Janeiro e Frankfurt, Londres e Nova York. Isso ajudará a empresa a reforçar sua posição nesses mercados. Por definição, explicou Dalcolmo, a política de "open skies" não inclui voos domésticos realizados por empresas estrangeiras. Este é um tabu existente em todo o mundo. Em geral, os voos locais, com exceção do mercado europeu, são feitos por empresas nacionais. Por outro lado, os acordos que o Brasil tem firmado lá fora estão permitindo estabelecer voos diretos que antes não existiam. No contrato feito com Cingapura, por exemplo, ficou estabelecido que a Singapore Airlines poderá transportar brasileiros para e a partir de Barcelona, na Espanha. Hoje, essa rota não existe. O sucesso da política de flexibilização de voos internacionais dependerá, no entanto, do desenvolvimento da infraestrutura dos aeroportos nos próximos anos. Sem isso, as empresas não terão como ampliar o número de rotas. É por essa razão que o governo Dilma Rousseff planeja investir pesadamente nessa área, com a criação da Secretaria Nacional da Aviação Civil ligada à presidência da República e a nomeação de um executivo do mercado para comandá-la.

domingo, 5 de agosto de 2012

AVIAÇÃO - Demanda sazonal, tentação capital!

Tentada pelos megaeventos vindouros, a aviação brasileira se deixa levar pelo inchaço operacional e arrisca sua estabilidade financeira e sua sobrevivência.
Na década de 80, o arrojo do saudoso Omar Fontana, apostando no crescimento brasileiro, agregou à Transbrasil oito ou nove B-707, escolhidos a dedo no deserto americano. De roupagem nova, espalhando o arco-íris pelos céus do país, a Transbrasil, mais ousada do que nunca, decolou! Levou a reboque, cada vez mais alto, seu custo operacional. A ineficiência aflorou pelo descontrolado contingente de profissionais, pela excessiva quantidade de panes, atrasos e dívidas. A renovação da frota chegou, mas já era tarde demais.

Há que se ter cautela com a audácia empresarial no setor. Parece-me que, nesse momento, realizar parcerias temporárias com empresas estrangeiras – e vale abrir aí um parêntese na questão do transporte de cabotagem – seria o mais indicado.

A Copa do mundo e as Olimpíadas apresentam-se nesse momento como um engodo irresistível diante da voracidade do mercado. Mas é bom ter em mente que essa piracema aérea é temporária, e a linha com certeza irá arrebentar, e como sempre, do lado mais fraco!
Longe ainda desses eventos, a fragilidade da infraestrutura aeroportuária brasileira já dá sinais do que podemos esperar. Veja a reportagem:
Cepta alerta para falta de investimentos e diz que setor prevê caos aéreo em 2012
O ano de 2012 poderá ser o mais caótico da história do transporte aéreo brasileiro, caso as obras de infraestrutura aeroportuárias não sejam implementadas. O alerta foi dado ontem por meio de uma nota oficial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e Políticas em Transporte Aéreo reproduzindo declarações de representantes do setor e publicadas na mídia.

Novas notícias em 26jun2012
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1110574-gol-deve-demitir-mais-1500-ate-o-fim-deste-ano-afirma-diretor.shtml


Celso BigDog

sábado, 7 de julho de 2012

MIELOMA MÚLTIPLO - "Enquanto ganhamos tempo a ciência nos alcança".



Olá amigos!

Meu nome é Mário Celso Rodrigues. Sou controlador de tráfego aéreo aposentado, 56 anos, casado, com 2 filhos, 3 netos e editor "ausente" deste blog. Venho aqui, despido de qualquer orgulho para pedir que vocês nos ajudem na guerra que travamos contra um mal imprevisível, doloroso e incurável: o "Mieloma Múltiplo". Essa doença é um tipo de câncer que altera as células da medula óssea e produz um efeito degenerativo nos ossos. Até o momento não tem cura, mas a comunidade científica se esforça em garantir uma melhor qualidade de vida aos desafortunados.

Fui surpreendido com esse triste diagnóstico em dezembro de 2010 quando ocorreu uma fratura espontânea de costela e a constatação da presença de lesões ósseas em todo o tórax, inclusive na coluna espinhal e bacia. Fiz um transplante de medula (autólogo) em outubro de 2011, mas a doença não me deu trégua e voltou a se manifestar 80 dias depois.

Venho a público para exercer a minha cidadania e alertar aos senhores que o meu, o seu, o nosso governo brasileiro não se sensibiliza com as necessidades de seu povo quando trata de doenças órfãs, raras, daquelas que expressam o pensamento de que: “se você é apenas um entre cem, então não é ninguém”.

O fármaco Lenalidomida, cujo nome comercial é Revlimid, já foi lançado há 4 anos e adotado em 80 países (75 deles menos ricos do que o Brasil) com comprovada eficiência no controle da doença e com baixa incidência de efeitos colaterais. Ainda que esses números expressivos nos deixem esperançosos, somos surpreendidos pela ineficiência burocrática da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA, que insiste em barrar o medicamento, mas alega que pode fornecer Guia de Importação diante de comprovada indicação médica. O produto custa em torno de, dependendo do câmbio, 20 a 23 mil reais a caixa com 21 comprimidos. Isso nos exclui de qualquer tentativa de desfazer-se de um patrimônio para arcar com os custos, pois trata-se de medicamento de uso contínuo. Se vendesse meu carro hoje, por exemplo, não compraria sequer uma caixa do medicamento.

Não há um número estimado de doentes no Brasil devido à dificuldade de diagnosticar a doença e da falta de organização de um banco de dados para coletar informações. É bom que se diga, que se tivéssemos um número estatístico de 5 mil pacientes, provavelmente menos de mil estariam clinicamente aptos ou com o perfil para receber o tratamento, o que põe os argumentos da ANVISA abaixo, quando fala do alto custo.

A comunidade médica diz ao portador de Mieloma Múltiplo, “ENQUANTO GANHAMOS TEMPO A CIÊNCIA NOS ALCANÇA”. Isso não tem sido muito animador, pois não temos acesso aos avanços da ciência!
Luto, não por mim, mas por uma causa que pode ser de qualquer um de vocês. Há menos de dois anos eu jamais poderia imaginar que hoje estivesse nesta situação. Com o sentimento de estar seguindo num corredor da morte, vendo minha hora cada vez mais próxima, e aquele que tem o poder de protelar nega-se a fazê-lo. Você se imagina?

A Constituição Federal de 1988 foi a primeira constituição brasileira a positivar o direito a saúde como direito fundamental, ou seja, é um direito constitucionalmente assegurado a todos, inerente à vida, bem maior do homem, portanto o Estado tem o dever de prover condições indispensáveis ao seu pleno exercício. Una-se a nós nessa cruzada de cidadania contra o descaso administrativo do Estado, que é eleito pelo povo com a obrigação de zelar pelo interesse público. Envie esse post aos seus amigos por e-mail ou pelas redes sociais. Com certeza mais pessoas estão aguardando ansiosas por essa corrente.

Quer participar do movimento? Basta acessar e "curtir" no Facebook APOIA BRASIL
Quer saber mais sobre a doença? IMF - International Myeloma Foundation
Obrigado.
Celso BigDog