domingo, 7 de outubro de 2012

DIA DO AVIADOR - 23 DE OUTUBRO



23 DE OUTUBRO - DIA DO AVIADOR

Caros amigos aviadores,
Parabéns pela data comemorativa. Apesar de controladores e pilotos assemelharem-se a água e óleo, nós controladores não existiríamos sem vocês.
Que o elã jamais nos prive da camaradagem, amizade e responsabilidade.
Coteje!

Celso BigDog

20 DE OUTUBRO - DIA INTERNACIONAL DO CONTROLADOR DE TRÁFEGO AÉREO




AOS MEUS AMIGOS ATCO.
Não sei se poderei participar de algum evento comemorativo do Dia Internacional do Controlador de Tráfego Aéreo, mas gostaria que soubessem que estarei sempre ao lado de vocês, se não por melhores condições de trabalho, pelo menos alertar para que não sejamos novamente protagonistas de sinistros de origem sistêmica, quer seja de recursos humanos ou de infraestrutura aeronáutica. 
COMEMOREM!
Celso BigDog

domingo, 26 de agosto de 2012

ATC Brasileiro - A evolução de uma paixão.

Publicado em: 20/04/12 22:05

Caro Leitor,
O editor deste blog estará afastado por algum tempo para realização de um Check “C”. Haverá drenagem no sistema hidráulico para troca do skydrol. É provável que esteja liberado pela manutenção a tempo de participar da festa do "Dia do Controlador de Tráfego Aéreo" no Kart Center de São José dos Campos em 20 de outubro.
Enquanto isso fique com as imagens que mostram o ATC brasileiro de ontem e de hoje.
Até breve!

CelsoBigDog

Vai ter o PAD - Plano de Aceleração da Desmilitarização?

Publicado em: 26/03/12 15:20

Tenho me perguntado quanto tempo seria necessário para se reformular o controle de tráfego aéreo brasileiro. Já tivemos, em menor escala, algo parecido. Entre o período mesozoico e o pré-infraero as negociações entre a DEPV e a TASA precipitaram-se como um meteorito. Em meio à névoa da incerteza alguns poucos voluntários (saudade do Sr. Noronha) se arriscaram a tirar a farda partindo para uma nova vida profissional. Foi fácil para ambos os lados. Foi fácil também porque a FAB continuou com a batuta na mão, provendo a área técnica e de recursos humanos, tanto de civis como de militares. Na ocasião, para dizer a verdade, foi só trocar a camisa. Mas o que está sendo cogitado agora é algo muito diferente. O desejo da grande maioria de clientes internos e externos pode ser descrito verdadeiramente como um “big bang aeronáutico”. Seria apenas trocar de roupa novamente e assumir DECEA, EEAR, ICEA, ICA, GEIV, CGNA...? Não, com toda a certeza não!
Mas de que adianta debater o assunto sem um detalhamento específico da coisa. Não faço ideia do tempo necessário para se elaborar um marco regulatório delineando as normas, leis e diretrizes desses novos setores. E quantos setores? Arriscar um palpite agora é até divertido, diria até instrutivo, pois nos leva a pensar, mas seria pura perda de tempo. Se bem que, se fizéssemos como no passado quando, por comodismo, copiamos para nós a Constituição dos Estados Unidos da América, poderíamos aproveitar um modelo de marco regulatório já existente. Hoje seria bem mais fácil não? Que tal um copy/paste no da Suíça?
Somente um ATCO sabe o que é uma tela de RADAR cravejada de aviões em espera para um aeroporto subdimensionado, totalmente lotado, taxiways congestionadas, setorização insuficiente ou inadequada, controlando com um assistente sem habilitação ou mal formado, usando um sistema de comunicação fixa e móvel aeronáutico inadequado, a troco de um salário minguado e olhar para os lados, além de sua equipe de guerreiros não enxergar e não poder contar com mais ninguém. Nem com os idealizadores daquele circo de horrores, nem com o chefe do RH, ou com quem projetou o aeródromo, nem com quem licitou e comprou equipamentos, sistemas e instalações operacionais inadequadas. À frente do problema só resta o controlador e Deus.
Que me perdoem os muito otimistas, mas as transformações esperadas no controle de tráfego aéreo brasileiro não poderão tramitar a jato. Pelo carinho e preocupação que tenho com os controladores e pelo choro doído de quem já perdeu entes queridos em acidentes aéreos, espero que sejam a passos de tartaruga, cautelosas e sábias.
Quanto ao PAD, a única vantagem que vejo é que já vem com grooving incluso!
Celso BigDog

Brainstorming Aeronáutico: Para que serve a calha do rio Tietê?

Publicado em: 26/03/12 15:22

São Paulo é palco de grandes novidades aeronáuticas. Já que aqui se concentra o maior volume de tráfego aéreo do hemisfério sul do planeta, não poderia ser diferente. Para dar apoio à segunda maior frota de helicópteros do mundo já inventamos até serviço RADAR em torre de controle, único no mundo. Então qual é o problema? Agilidade? Dar vazão a um tráfego caótico, indisciplinado? Acho que o problema não está em facilitar o passageiro VIP, mas os usuários de aviação geral, de táxi aéreo, de ambulâncias aéreas. Quer agilidade? Então vamos mudar alguns conceitos. Que tal uma “Pista Suspensa” sobre a calha do Rio Tietê?

Vantagens operacionais:
- Localização;
- Topografia generosa com uma ZPA preservada pela calha do rio;
- Ligação Rodoferroviária (Metrô, Marginal) à mão;
- Possibilidade de implementação de um sistema de Air shutlle de helicópteros (GRU/Tietê/GRU) permitindo movimentação de passageiros e tripulantes nas estações chuvosas que inviabilizam o acesso rodoviário ao aeroporto internacional;
- Setor de aproximação e de decolagem não sobrevoa área residencial;
- Barulho aeroportuário minimizado pelas características topográficas do entorno;
- Torre de controle já tem, a da Ponte Pequena.

Condições de uso:
- Tempo máximo de ocupação do aeródromo para embarque e desembarque: 15 minutos;
- Proibido pernoite de aeronaves;
- Permitido somente para manutenção eventual;
- Não há serviço de reabastecimento;
- Ponto de apoio de emergências (UTI aérea, Policiamento e Inspeção de Trânsito);
- Operação estritamente VFR (diurno e noturno).

Inconveniente operacional:
- Podemos adiantar que deverão ser desenvolvidos mecanismos para minimizar a presença de aves ao longo do rio.

Vamos gente! Vamos pensar! Acham que viajei? Vocês ainda não viram nada...

O SISCEAB veste Farda!

Publicado em 21/05/11 18:47

Para entrar no assunto, visando auxiliar o entendimento dos leitores "simpatizantes do mundo aeronáutico" incluo aqui algumas Instruções do Comando da Aeronáutica para a atividade de Controle do Espaço Aéreo.
ICA 100-12 REGRAS DO AR E SERVIÇOS DE TRÁFEGO AÉREO
2 DEFINIÇÕES E ABREVIATURAS 
2.1 DEFINIÇÕES 
- AERÓDROMO CONTROLADO
Aeródromo no qual se presta serviço de controle de tráfego aéreo para o tráfego de
aeródromo. 
- ÁREA DE MOVIMENTO
Parte do aeródromo destinada ao pouso, decolagem e táxi de aeronaves e está integrada
pela área de manobras e os pátios.
O Brasil mantém um modelo retrô na aviação civil brasileira quando trata do assunto Controle do Espaço Aéreo.
Uma vez que o “aeródromo”, ou seja, as pistas de pouso e taxi, os pátios e as vagas de estacionamento de aeronaves, em pontes (finger) ou remotas, determinam o início e o fim de uma etapa de um voo bem sucedido, então por que a Área de Movimento não fica inteiramente aos cuidados do DECEA? Deixar que esses extremos fiquem nas mãos de profissionais operacionalmente leigos não me parece produtivo nem tampouco seguro. Ao absorver claramente essa “Faixa de Gaza Aeronáutica” o DECEA (quer seja ele militar ou futuramente civil) poderia deliberar as mudanças que se tornassem necessárias para a agilidade da integração operacional de que tanto reclama (1). Quando digo “ficar aos cuidados” refiro-me à responsabilidade não só operacional como de manutenção, modificação, ampliação, groovinização e no trato com os órgãos governamentais para se fazerem valer as regras de construção no entorno aeroportuário e garantir definitivamente a integridade das ZPA - Zonas de Proteção de Aeródromo.
A ANAC cuidaria dedicadamente da Regulação e Fiscalização do cumprimento das Normas da Aviação Civil e no seu trato com o passageiro. INFRAERO cuidaria dedicadamente do recebimento, estacionamento de veículos, acomodações, despachos de passageiros e cargas, catering,  reabastecimento de aeronaves, shopping, alimentação e serviços. Os Governos Federal, Estadual e Municipal cuidariam dedicadamente dos acessos, da segurança e dos meios de transporte de usuários e funcionários. Por fim o DECEA cuidaria dedicada e adequadamente da parte dinâmica da coisa. Definiria através do CGNA a relação Demanda X Capacidade e o responsabilizaria pelos atrasos e o alto consumo de combustível nas aerovias brasileiras, fazendo voar com economia, rapidez e segurança. Quando algo sair errado ficaria fácil identificar de quem cobrar uma explicação e a quem responsabilizar, se assim for estabelecido. Esse negócio de todos os staffs gerenciais ficarem assoprando a peninha para não deixa-la cair em seu terreno já deu nos nervos da população. Não há outra explicação.
Ainda que  a moda atual corra ousadamente no rumo das transformações radicais, a Aeronáutica caminha a minúsculos passos, como os de uma gueixa paramentada, quando o assunto é administrativo ou cultural.
A colagem ilustrativa acima mostra que pelo menos alguma mudança já começou a dar as caras. As mulheres invadiram o grupo militar ATC. O único fator dissonante é que o SISCEAB ainda veste farda.
Celso BigDog

(1) Portaria Nº 256 do Comando da Aeronáutica: Portaria

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Open Skies: - "Quanto mais eu rezo, mais a aviação aparece!"

Postado em 26 de março de 2012
Setorização dos órgãos podem trazer mais capacidade de controle, maior agilidade no fluxo de saída de aeronaves para EUA e Europa com o acordo chamado de "Open Skies", no entanto esconde um custo operacional infinitamente maior para as aeronaves que chegam ao Brasil, com órbitas em rota, e a famosa STAR “com bola ou sem bola”. O maior problema ainda não é esse. Os maiores são os que envolvem segurança. A formação em bateladas de controladores sem a mínima experiência laboral, lançados na rede com o doutrinamento de que fazem parte de um seleto grupo “NG”, formados em simuladores sequenciais de TWR, APP e ACC como se a experiência de uma atividade efetiva de OJT fosse coisa do passado. Que Deus nos livre e guarde. Não querendo bater na mesma tecla, mas sem outro meio de exemplificar, o controlador protagonista do acidente Legacy X GOL foi de uma das primeiras turmas a experimentar tal grade curricular. E, diga-se de passagem, sua homologação foi feita na canetada depois de ter sido reprovado operacionalmente pelo Conselho Operacional de Brasília por três vezes consecutivas. Só ele foi responsabilizado e condenado.
Pousar não significa que o piloto terminou sua missão. Do toque até o gate, vai uma eternidade, um pouco de sorte, a destreza do operador de pátio da Infraero e da envergadura da aeronave. Da habilidade do controlador do ground. É comum vermos filas em Taxiway, com o controlador instruindo, siga aeronave tal, faça taxi lento e aguarde definição de gate.
Acredito que em breve nossos amigos Americanos e Europeus vão descobrir que compraram uma coruja por papagaio. É bom que se diga que, falar ela não fala, mas presta uma atenção incrível!


Matéria completa, extensa, mas interessante:

BRASIL FECHA ACORDOS E 'ABRE OS CÉUS' PARA EUA E EUROPA, E TRÁFEGO CRESCE 50%
Cristiano Romero
De Brasília Valor Econômico - 18/03/2011

O Brasil vai liberalizar os voos internacionais com os dois principais mercados do país: a Europa e os Estados Unidos. A negociação do acordo com a União Europeia foi concluída ontem e deve ser assinado em meados de junho. O acordo com os EUA, cujas negociações foram concluídas em dezembro, será assinado hoje, em Brasília, pelos chanceleres dos dois países e será mencionado em discurso pelo presidente Barack Obama como um dos trunfos de sua visita ao Brasil no fim de semana. Os termos dos acordos foram antecipados ao Valor. No caso da UE, a liberalização total, conhecida no jargão da aviação como "open skies" (céus abertos), será feita em etapas e concluída em três anos, para dar tempo às empresas aéreas de se prepararem para a livre concorrência. No acerto com os Estados Unidos, a liberalização completa ocorrerá em 2015. A política de ampliação de voos internacionais e de liberalização desse mercado, posta em prática pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2007, aumentou em quase 50% o tráfego de passageiros nos últimos quatro anos. Segundo a Anac, entre 2000 e 2006, o tráfego internacional cresceu 4,5% ao ano no Brasil. De 2007 a 2010, a taxa de crescimento anual saltou para 8,1%. No ano passado, foram transportadas quase 15 milhões de pessoas nesse segmento do mercado, face a 7,8 milhões em 2000. O Brasil tem hoje acordos bilaterais de transporte aéreo com 15 países europeus. Com o acordo fechado ontem com a União Europeia (UE), passará a ter acesso a 27 países daquele continente. A liberalização completa, pelo sistema "open skies" (céus abertos), será concluída num prazo menor que o do contrato negociado com os Estados Unidos - em quatro fases, em vez de cinco. A data de implementação dependerá, no entanto, do momento em que o acordo for assinado entre o chanceler brasileiro e o comissário europeu. O acordo com os EUA, cujas negociações foram concluídas em dezembro, será assinado hoje, em Brasília, pelos chanceleres dos dois países. O superintendente de Relações Internacionais da Anac, Bruno Dalcolmo, diz que o acordo com a UE será assinado em meados de junho. Na primeira fase, que entrará em vigor imediatamente, será autorizado um aumento de 20% no número de voos semanais (ou frequências) para quaisquer aeroportos do país, à exceção de São Paulo. A mesma regra será aplicada em 12 a 24 meses depois da primeira liberação. Depois de 36 meses, a liberdade será completa. Na prática, os acordos facilitarão a conectividade de passageiros brasileiros com diferentes partes do mundo. Hoje, dos 83 acordos bilaterais firmados pelo Brasil, apenas 18 são "open skies". Com os contratos firmados com os Estados Unidos e a União Europeia, passarão a ser 20. Nos últimos quatro anos, a Anac fechou 41 acordos, dos quais, 28 já existiam e foram modernizados e 13 são novos. Graças a esses contratos, brasileiros podem fazer hoje voos, alguns diretos, para 17 novos destinos internacionais, entre eles, Istambul, Dubai, Doha, Cingapura, Hong Kong e Moscou. "O Brasil precisa de maior e melhor conectividade com o mundo. O que nós queremos é conectividade e mobilidade", disse Dalcolmo ao Valor. "Antes, eram poucos passageiros, poucos voos, poucas empresas e preços altos." O número de voos internacionais por semana avançou de forma significativa. Entre 2007 e 2010, cresceu 17%, desconcentrando um pouco os embarques e desembarques no eixo Rio-São Paulo. O aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, por exemplo, tinha 14 voos em 2007. Hoje, tem 54. Curitiba não tinha nenhum. Hoje tem sete. Até 2005, 90% dos voos eram concentrados no eixo Rio-São Paulo. No ano passado, esse percentual caiu para 60%. "Ainda é alto, mas já diminuiu bastante", diz Dalcolmo. No caso das rotas para os Estados Unidos, tem ocorrido um aumento nos voos para o Galeão. Em 2005, eram apenas sete voos para os EUA. Em 2010, chegaram a 41. Já o número de voos para o aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, passou de 116 para 120 no mesmo período.  A liberalização e a ampliação dos voos internacionais, uma política adotada pela atual presidente da Anac, Solange Vieira, cujo mandato termina amanhã, têm fortalecido, até o momento, as empresas nacionais. A TAM, informou Dalcolmo, não tinha voos para a Europa há cinco anos. Graças à política posta em prática pela Anac, detém hoje 23% desse mercado, que é menor apenas que o da portuguesa TAP, com 29%. Na América do Sul, a TAM é a líder, com 34% do mercado. A Gol, a segunda, tem 28%. A TAM tem posição de destaque também nos voos para a América do Norte. Responde por 27% do mercado, um ponto percentual apenas abaixo da posição detida pela American Airlines. Neste momento, segundo a Anac, a TAM está em fase de implementação de voos entre o Rio de Janeiro e Frankfurt, Londres e Nova York. Isso ajudará a empresa a reforçar sua posição nesses mercados. Por definição, explicou Dalcolmo, a política de "open skies" não inclui voos domésticos realizados por empresas estrangeiras. Este é um tabu existente em todo o mundo. Em geral, os voos locais, com exceção do mercado europeu, são feitos por empresas nacionais. Por outro lado, os acordos que o Brasil tem firmado lá fora estão permitindo estabelecer voos diretos que antes não existiam. No contrato feito com Cingapura, por exemplo, ficou estabelecido que a Singapore Airlines poderá transportar brasileiros para e a partir de Barcelona, na Espanha. Hoje, essa rota não existe. O sucesso da política de flexibilização de voos internacionais dependerá, no entanto, do desenvolvimento da infraestrutura dos aeroportos nos próximos anos. Sem isso, as empresas não terão como ampliar o número de rotas. É por essa razão que o governo Dilma Rousseff planeja investir pesadamente nessa área, com a criação da Secretaria Nacional da Aviação Civil ligada à presidência da República e a nomeação de um executivo do mercado para comandá-la.

domingo, 5 de agosto de 2012

AVIAÇÃO - Demanda sazonal, tentação capital!

Tentada pelos megaeventos vindouros, a aviação brasileira se deixa levar pelo inchaço operacional e arrisca sua estabilidade financeira e sua sobrevivência.
Na década de 80, o arrojo do saudoso Omar Fontana, apostando no crescimento brasileiro, agregou à Transbrasil oito ou nove B-707, escolhidos a dedo no deserto americano. De roupagem nova, espalhando o arco-íris pelos céus do país, a Transbrasil, mais ousada do que nunca, decolou! Levou a reboque, cada vez mais alto, seu custo operacional. A ineficiência aflorou pelo descontrolado contingente de profissionais, pela excessiva quantidade de panes, atrasos e dívidas. A renovação da frota chegou, mas já era tarde demais.

Há que se ter cautela com a audácia empresarial no setor. Parece-me que, nesse momento, realizar parcerias temporárias com empresas estrangeiras – e vale abrir aí um parêntese na questão do transporte de cabotagem – seria o mais indicado.

A Copa do mundo e as Olimpíadas apresentam-se nesse momento como um engodo irresistível diante da voracidade do mercado. Mas é bom ter em mente que essa piracema aérea é temporária, e a linha com certeza irá arrebentar, e como sempre, do lado mais fraco!
Longe ainda desses eventos, a fragilidade da infraestrutura aeroportuária brasileira já dá sinais do que podemos esperar. Veja a reportagem:
Cepta alerta para falta de investimentos e diz que setor prevê caos aéreo em 2012
O ano de 2012 poderá ser o mais caótico da história do transporte aéreo brasileiro, caso as obras de infraestrutura aeroportuárias não sejam implementadas. O alerta foi dado ontem por meio de uma nota oficial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e Políticas em Transporte Aéreo reproduzindo declarações de representantes do setor e publicadas na mídia.

Novas notícias em 26jun2012
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1110574-gol-deve-demitir-mais-1500-ate-o-fim-deste-ano-afirma-diretor.shtml


Celso BigDog

sábado, 7 de julho de 2012

MIELOMA MÚLTIPLO - "Enquanto ganhamos tempo a ciência nos alcança".



Olá amigos!

Meu nome é Mário Celso Rodrigues. Sou controlador de tráfego aéreo aposentado, 56 anos, casado, com 2 filhos, 3 netos e editor "ausente" deste blog. Venho aqui, despido de qualquer orgulho para pedir que vocês nos ajudem na guerra que travamos contra um mal imprevisível, doloroso e incurável: o "Mieloma Múltiplo". Essa doença é um tipo de câncer que altera as células da medula óssea e produz um efeito degenerativo nos ossos. Até o momento não tem cura, mas a comunidade científica se esforça em garantir uma melhor qualidade de vida aos desafortunados.

Fui surpreendido com esse triste diagnóstico em dezembro de 2010 quando ocorreu uma fratura espontânea de costela e a constatação da presença de lesões ósseas em todo o tórax, inclusive na coluna espinhal e bacia. Fiz um transplante de medula (autólogo) em outubro de 2011, mas a doença não me deu trégua e voltou a se manifestar 80 dias depois.

Venho a público para exercer a minha cidadania e alertar aos senhores que o meu, o seu, o nosso governo brasileiro não se sensibiliza com as necessidades de seu povo quando trata de doenças órfãs, raras, daquelas que expressam o pensamento de que: “se você é apenas um entre cem, então não é ninguém”.

O fármaco Lenalidomida, cujo nome comercial é Revlimid, já foi lançado há 4 anos e adotado em 80 países (75 deles menos ricos do que o Brasil) com comprovada eficiência no controle da doença e com baixa incidência de efeitos colaterais. Ainda que esses números expressivos nos deixem esperançosos, somos surpreendidos pela ineficiência burocrática da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA, que insiste em barrar o medicamento, mas alega que pode fornecer Guia de Importação diante de comprovada indicação médica. O produto custa em torno de, dependendo do câmbio, 20 a 23 mil reais a caixa com 21 comprimidos. Isso nos exclui de qualquer tentativa de desfazer-se de um patrimônio para arcar com os custos, pois trata-se de medicamento de uso contínuo. Se vendesse meu carro hoje, por exemplo, não compraria sequer uma caixa do medicamento.

Não há um número estimado de doentes no Brasil devido à dificuldade de diagnosticar a doença e da falta de organização de um banco de dados para coletar informações. É bom que se diga, que se tivéssemos um número estatístico de 5 mil pacientes, provavelmente menos de mil estariam clinicamente aptos ou com o perfil para receber o tratamento, o que põe os argumentos da ANVISA abaixo, quando fala do alto custo.

A comunidade médica diz ao portador de Mieloma Múltiplo, “ENQUANTO GANHAMOS TEMPO A CIÊNCIA NOS ALCANÇA”. Isso não tem sido muito animador, pois não temos acesso aos avanços da ciência!
Luto, não por mim, mas por uma causa que pode ser de qualquer um de vocês. Há menos de dois anos eu jamais poderia imaginar que hoje estivesse nesta situação. Com o sentimento de estar seguindo num corredor da morte, vendo minha hora cada vez mais próxima, e aquele que tem o poder de protelar nega-se a fazê-lo. Você se imagina?

A Constituição Federal de 1988 foi a primeira constituição brasileira a positivar o direito a saúde como direito fundamental, ou seja, é um direito constitucionalmente assegurado a todos, inerente à vida, bem maior do homem, portanto o Estado tem o dever de prover condições indispensáveis ao seu pleno exercício. Una-se a nós nessa cruzada de cidadania contra o descaso administrativo do Estado, que é eleito pelo povo com a obrigação de zelar pelo interesse público. Envie esse post aos seus amigos por e-mail ou pelas redes sociais. Com certeza mais pessoas estão aguardando ansiosas por essa corrente.

Quer participar do movimento? Basta acessar e "curtir" no Facebook APOIA BRASIL
Quer saber mais sobre a doença? IMF - International Myeloma Foundation
Obrigado.
Celso BigDog

terça-feira, 26 de junho de 2012

O CENIPA subiu no telhado.


Defesa pode criar agência para investigar desastres aéreos no Brasil.
Ago2009
Tenho muito respeito ao trabalho e à corrente que forma o CENIPA, inclusive porque durante muito tempo fui um de seus elos. Mas essa situação incômoda, em que muitas vezes o órgão investiga a própria corporação a qual faz parte, coloca em dúvida a integridade do relatório final, ainda que seja costumeiramente fidedigno. De qualquer forma, se isso tornar-se realidade, está aí um departamento que, merecedor de todo o nosso respeito, encerraria suas atividades com “Chave de Ouro”. Parabéns CENIPA!


Celso BigDog

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Brasil deveria apostar no "Pré-Açúcar" como solução para a Aviação Civil?


Não vou falar de aeroportos! Esse assunto já se esgotou e esgotou a nossa paciência também. Então vamos a um novo ponto que mexe no bolso de... do... Ah sim, claro, do passageiro: "O Custo Operacional dos Voos".
Nosso povo realmente é muito pacato. Todos, e aí eu me incluo, abismados com as reservas petrolíferas do “Pré-Sal”, não atentamos para uma palavrinha complementar que até rima com essa mina de ouro negro: “abissal”. Não é sem motivo que as aéreas já estão pensando em mudar de rumo e até de ramo.
Empresas petrolíferas internacionais, com tecnologia mais do que experimentada para explorações oceânicas menos complexas, dão mostras de que um pequeno deslize pode levar a grandes catástrofes ecológicas. Agora mesmo, a Marinha do Brasil está investigando um grande vazamento de óleo na costa do Espírito Santo. A aplicação de multas astronômicas impagáveis não restitui o dano e corre par e passo com o prejuízo perpétuo causado à humanidade. Para as exploradoras basta pedir falência. 

Quem sabe um dia, pois já foi testado em aeronaves de pequeno porte, o álcool de cana de açúcar chegue realmente à Aviação Comercial como a salvação da lavoura. Por certo traria mais satisfação aos “Eco-Sheiks”.  Para eles, produtores de álcool e açúcar ou açúcar e álcool, dependendo da oscilação do câmbio, seria mais um mercado galopando nas rédeas da fanfarronice eleitoreira, que nos presenteia com governantes à cada dia mais compromissados, comprometidos e comprados pelo poder econômico. 

Resolvido! Vamos tentar então o “Pré-Açúcar”! Vamos buscar a energia na agricultura. Mas... E o povo?
O povo brasileiro certamente se contentará com o grande aumento de salário, pago com o que abunda na costa brasileira, o sal, abissal, etc e tal.

Se pensa que todo o Controlador de Tráfego Aéreo é biruta, o que diria de Descartes quando afirmou: - "Dubito, ergo cogito, ergo sum (Eu duvido, logo penso, logo existo)".
Eu... preciso continuar pensando.

Celso BigDog

Leia:
Segundo especialistas, combustível caro marca uma das maiores crises do setor aéreo do país.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dos 101 empreendimentos da Copa, 41 não saíram do papel.


As obras nos aeroportos das 13 cidades - as 12 sedes mais Campinas - somam 31 projetos, com investimento total previsto de R$ 7,4 bilhões. Além das cinco obras concluídas, 13 estão em andamento, seis em licitação e sete em elaboração de projeto. Cinco devem ser entregues ainda este ano, 16 em 2013 e cinco em 2014.
Já que é muito difícil para o governo brasileiro tirar esses empreendimentos do papel, por que não contratar um japonês mestre em origami? Para ele é muito simples fazer com que dobraduras públicas se convertam em privadas. Não há papel que ele não dobre, produzindo riquezas e adaptando, do jeito oriental, a solução à necessidade. Se conseguiram reconstruir as cidades de Hiroshima e Nagasaki em 70 anos, após os bombardeios atômicos, quando o prognóstico era próximo há mil anos; se reconstruíram o Japão no “day after” ao tsunami, pergunto:
-Por que não contratamos um “origamista”, que nos garanta a transferência de tecnologia, já que passamos a ser os maiores anfitriões de eventos do planeta?

- Hã? O que? Elefante? Ah, aquele é um elefante branco que vai sobrar depois dessa gastança. Pode não estar branco agora, mas garanto que vai desbotar.
- Hã? Varalzinho secando dinheiro? Aí eu não sei não. "Pergunta ali no posto Ipiranga!"
Celso BigDog

BRASIL - Ponte sob céus turvos.


A condução dos trabalhos de “reforma” do sistema de transporte aéreo continua em seu voo cego no espaço aéreo brasileiro. As concessões já nascem siamesas, “linkadas” (para ser mais moderno), com o único compromisso de obter lucro certo. Nada é mais importante mesmo do que o lucro, nem mesmo a pontualidade, o respeito aos usuários e principalmente à segurança aérea. Numa troca de ideias com pessoas de amplo conhecimento aeronáutico mundial, chego à conclusão de que estamos assistindo um jogo de tênis com um único jogador. Não há concorrência, cada saque é um "ace". 
Com as últimas notícias da imprensa, notamos que essas "brechas" que foram deixadas pela SAC, funcionam como ambiente propício a enxertos, onde as gemas do "World Business" brotam viçosas e encontram rentabilidade rápida e produtiva, e o que é pior, com financiamento bancado pelo dinheiro público.
A Ponte Aérea GRU/GIG, uma das mais movimentas do mundo, navega em céus turvos, incertos e que não oferece clareza de propósitos nem mesmo aos mais elevados "experts" da aviação civil.
Após Guarulhos, Invepar tem interesse na concessão do Galeão
Novo foco da Invepar nas próximas concessões de aeroportos no Brasil será o terminal do Galeão, no Rio de Janeiro, segundo disse à Reuters o presidente-executivo do grupo, Gustavo Rocha. (Estadão 22 de maio de 2012)
Notícia completa
Celso BigDog

sexta-feira, 18 de maio de 2012

COMISSÃO DO SENADO FEDERAL ADMITE INSEGURANÇA AÉREA


SENADO FEDERAL - AVIAÇÃO CIVIL
Brasil precisa Aperfeiçoar fiscalização e melhorar condições dos trabalhadores, dizem especialistas.
"Se o Brasil quiser garantir a segurança dos passageiros da aviação civil, são necessários o aperfeiçoamento da regulação e fiscalização do setor, além de melhorias nas condições de trabalho, salários e capacitação e treinamento dos trabalhadores. Essa a conclusão dos senadores que participaram da audiência pública da Subcomissão Temporária sobre Aviação Civil na tarde desta terça-feira (15).

As Comissões Parlamentares já deram provas, num passado não muito remoto, de falta de expertise em assuntos do universo aeroespacial e conseguiu inverter certos conceitos pétreos de segurança aeronáutica em prol de soluções políticas.
Apesar da atual situação antecipar estudos de problemas, assimilando um leve estilo “prevencionista”, o tempo urge e as medidas reparadoras já não serão ideais para a tranquilidade que se almeja durante os grandes eventos que devem inflar a demanda do tráfego aéreo. Porém, antes tarde do que nunca.
Um fato novo, e bem visto, é a participação mais efetiva de especialistas, da OACI - Organização da Aviação Civil Internacional, da ITF - Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, da IATA - Associação Internacional de Transporte Aéreo e do comparecimento de entidades representativas de trabalhadores do setor.

Uma coisa é dizer que no jogo de Xadrez a “Pedra do Cavalo” desloca-se em “L”. Outra coisa é explicar “quando” ela deverá se deslocar.
Celso BigDog

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado) 
O brigadeiro da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e ex-secretário-geral da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), Renato Cláudio Costa Pereira, afirmou que o Brasil tem grande tradição em transporte aéreo e sempre foi considerado um país do “primeiro grupo” do setor, tendo sido um dos países fundadores da OACI, em 1944. Ele disse que o Brasil forma profissionais competentes para a aviação, mas não oferece bom treinamento para as áreas gerenciais, o que leva os trabalhadores a apreenderem “na prática”. Para o brigadeiro, o país precisa estimular a criação de cursos que supram essa carência, investindo na transferência de conhecimento dos mais experientes ou dos estudaram em centros internacionais.
O brigadeiro reclamou que os problemas operacionais dos aeroportos brasileiros “são os mesmos” há mais de vinte anos. Renato Pereira disse ser preciso exigir dos profissionais que ocupam cargos de regulação e fiscalização da aviação civil uma “base adequada de conhecimento de transporte aéreo”. 
Monopólios
Já o secretário regional da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), Antônio Rodriguez Fritz, cobrou das autoridades brasileiras o fomento à “livre concorrência com regras mais claras” na aviação. Ele disse que o “crescimento extraordinário e constante” do transporte aéreo no Brasil, na última década, deve beneficiar principalmente os cidadãos, trabalhadores e empresas do país. Fritz disse ser necessário impedir monopólios que prejudiquem a concorrência. O objetivo, disse, seria aumentar o número de voos e o de cidades atendidas, sem impedir que empresas estrangeiras possam contribuir.
O representante da ITF antecipou aos senadores que um grande estudo sobre a realidade dos trabalhadores brasileiros da aviação civil será concluído em breve pela entidade. Alguns dos dados já finalizados apontam problemas como excesso de jornada de trabalho, baixos salários e falta de condições adequadas. Tudo isso, afirmou Fritz, influencia na segurança dos próprios voos. Ele cobrou condições trabalhistas adequadas e melhor capacitação e treinamento para os trabalhadores aeroviários.
Fiscalização
O diretor da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Carlos Ebner, explicou que uma das prioridades de sua entidade é garantir a segurança e a comodidade do viajantes e um transporte aéreo “seguro e bem sucedido”. A IATA, da sigla em inglês para International Air Transport Association, ressaltou o diretor, tem 243 empresas como membros, abrangendo mais de 80% de todo o tráfego aéreo mundial.
Ele informou que a associação busca regular e regrar o setor instituindo diretrizes para, por exemplo, indenizações a familiares de vítimas de acidentes aéreos, segurança de voos, gerência das empresas e busca de menores preços para os passageiros. Nas duas últimas décadas, afirmou, o preço das passagens áreas teve significativo decréscimo, em virtude de avanços tecnológicos, melhores treinamentos de pessoal, aperfeiçoamento da área gerencial e aumento da produtividade e da eficiência dos trabalhadores.
O representante da IATA avaliou que os níveis de segurança da aviação melhoraram em todo o mundo nos últimos anos, mas, nesse quesito, a América Latina ainda não chegou aos níveis europeus e norte-americanos. Ebner também declarou que a IATA e as empresas aéreas de todo o mundo estão preocupados em diminuir os impactos ambientais da atividade aeronáutica.
A aviação, informou Ebner, gera 1% do PIB nacional, com 684 mil empregos, pagando R$ 5,3 bilhões em tributos por ano. Para ele, os desafios imediatos do Brasil são nos quesitos de segurança operacional, segurança e facilitação dos procedimentos dos passageiros e melhorar a fiscalização do transporte de cargas, inclusive das bagagens pessoais.
Ele também reclamou que o Brasil tem desrespeitado alguns tratados e acordos internacionais que regulam tráfego aéreo internacional de passageiros. E lembrou que o preço do combustível no país é um dos mais caros.
A condução da audiência da subcomissão, que funciona no âmbito da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), foi revezada pelos senadores Vicentinho Alves (PR-TO), que a preside, Valdir Raupp (PMDB-RO) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). Delcídio do Amaral (PT-MS) também participou dos debates. Na plateia estavam comandantes e pilotos militares e civis, representantes de sindicatos, associações e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Foi a sexta reunião neste ano do ciclo de debates para subsidiar o aperfeiçoamento da legislação e das políticas públicas para a aviação civil.
Agência Senado
http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/05/15/seguranca-aerea-brasil-precisa-aperfeicoar-fiscalizacao-e-melhorar-condicoes-dos-trabalhadores-dizem-especialistas


quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Aviação Civil Brasileira pisando em ovos.


"Segundo interlocutores, a presidente Dilma Rousseff está muito preocupada em garantir que não haja problema com a infraestrutura aeroportuária durante a conferência (entre os dias 13 e 22 de junho), de olho na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016." O GLOBO

O Brasil tornou-se um palco internacional de megaeventos, mas mantem a aparência daqueles velhos cinemas de outrora que servem hoje como templos religiosos ou salões de forró e boi-bumbá. Se a infraestrutura, principalmente a aeroportuária está carecendo de ajustes urgentes, não acho muito inteligente arrumar ou acomodar mais eventos intermediários que atrapalhem o andamento das coisas. Testar em junho? Será que a Senhora Presidenta está ciente da programação? Tenho certeza que se esse teste estiver sendo feito com firme propósito, vai se decepcionar tanto que desistirá de sediar a Copa do Mundo. Não se pode esquecer também do Encontro de Jovens Católicos com o Papa em 2013, logo após a Copa das Confederações. Segundo a igreja Católica, será o maior evento da história da cidade do Rio de Janeiro. Tenho fortes suspeitas que não aguentaremos o movimento aéreo e teremos que, mais uma vez, assimilar a pecha de incompetência operacional, sendo novamente comparados com a Europa e EUA.
Tenho certeza que há boa intenção nisso, mas há uma cachoeira de empresas com a única intenção de dominar o dinheiro público e a palavra de especialistas e doutores no assunto não faz o menor sentido para o Governo Federal diante do canto dessa sereia. Os três poderes batem cabeça para chegar à conclusão nenhuma que resolva o problema com celeridade. Tudo é para amanhã, depois do recesso ou depois do feriado.
Os tentáculos da aviação civil, coniventes com as empresas aéreas, pisam em ovos procurando fazer o menor estrago possível para que não sejam notados e nem recebam o olhar austero daquela conhecida sobrancelha de reprovação de nossa mandatária a procurar um ou os responsáveis.
Omitir pode ser até tolerável, mas mentir é no mínimo uma traição, levando-se em conta que partem de cargos de CONFIANÇA escolhidos pela própria Presidência da República Federativa do Brasil.

Agora só uma pergunta: O que "pensa" o DECEA? Aquilo que diz por dizer, para satisfazer a indignação da opinião pública não nos interessa. Se o Controlador de Tráfego Aéreo não faz parte da solução, merece saber então em que parte do sistema do transporte aéreo brasileiro ele é o problema.


Celso BigDog

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Aviação Civil faz terapia tricotando uma nova malha.


O Brasil se vê acuado diante das propostas e contrapropostas dos interessados na compra de aeroportos. Os preços oscilam. Investidores analisam e se vão em boa hora balançando a cabeça. Regras são mudadas no meio do jogo. Quantas diretrizes são modificadas nos Editais de cada licitação?
O ATC se confunde com a sogra problemática que é recusada por todos. Seria viável asilar o grupo na iniciativa privada, dirigida futuramente pelo “mesmo” status quo de terno e gravata. 
Palpiteiros de plantão arriscam-se em apresentar soluções “aeroportunistas”, aumentando ainda mais os custos astronômicos, que já foram multiplicados por três. Enquanto esse devaneio é veiculado e rediscutido, os prazos se espiram e entra o vilão, adorado pelas contratadas que operam em regime de urgência, o RDC – Regime Diferenciado de Contratações Públicas.
Enquanto tudo isso não sai do lugar, incautos estrangeiros, acreditando na eficiência dos “céus abertos”, continuam apresentando planos de voo para novas linhas rumo ao Brasil, confiando que essa tricotagem fará uma malha consistente. É líquido e certo que, se não suporta o menor enrosco hoje, logicamente se desfiará deixando, durante os grandes eventos que se aproximam, o movimento aéreo descoordenado. Com suas linhas embaraçadas para serem desemaranhadas pelo Centro de Gerenciamento de Nós Aéreos e um grupo de controladores de tráfego aéreo desesperados, amparados por uns poucos dinossauros ATC, que teimosamente se recusam a vestir o pijama. Pilotos? Ah esses parecem não ter opinião, pelo menos não as manifestam diante do assédio moral que sem o menor pudor lhes mostram a porta da rua.
Tirando aprendizado com os entraves ocorridos na África do sul, e levando-se em consideração as diferenças geográficas com o Brasil, não podemos estimar quantos torcedores perderão os jogos em decorrência de transporte aéreo, ou acesso aos aeroportos, mas estejam preparados. Um celular com recursos de TV digital é uma boa pedida.
Estamos às vésperas da Copa Do Mundo e, como narraria Fiori Gigliotti, saudoso radialista de futebol, "Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo..."; "O tempo passa..."; E no seu bordão "Crepúsculo do Jogo" seremos submetidos a mais um teste, como ele mesmo dizia: "Aguenta coração”! 
Celso BigDog

domingo, 6 de maio de 2012

Se cercar é aeródromo. Se cobrir é aeroporto.






Para não dizer que compartilho da tese que classifica a realidade aeronáutica brasileira como reduto de loucos e palhaços, onde se permite que os devaneios de certas autoridades tratem o cidadão como sendo seu “desrespeitável público”, procurei na literatura popular algo que definisse essa bagunça “aero-porto-náutica” que vivenciamos e encontrei uma situação análoga. O mundo aeronáutico desenvolve-se em área específica que quando cercada é um aeródromo e destina-se a pousos, decolagens e taxiamento de aeronaves. Em complemento a isso se cobrirmos parte dessa área teremos então um aeroporto, onde é investido um capital muito alto em lojas de comércio varejista e serviços, pois o retorno financeiro é garantido. Ah, já ia me esquecendo, essa área coberta também serve para embarque, desembarque de cargas, bagagens e passageiros, quase sempre protegidos das intempéries e do sol agressivo desse nosso imenso País tropical.
Bem, certamente alguém irá perguntar, “e o espaço aéreo”? Esse não é muito importante, até porque é possível duplicar (com ou sem qualidade) sua capacidade num estalar de dedos. Voar no imenso espaço aéreo brasileiro não é o problema. A questão é entrar na fila e esperar sua vez, mantendo a separação regulamentar com a aeronave à frente para que chegue pontualmente aos seus destinos e pousem com segurança nos aeródromos. É bom lembrar que aviões não param no espaço aéreo. Interessante é que, comprovadamente, todos os principais aeródromos estão subdimensionados para a demanda que foi autorizada pela própria autoridade aeronáutica ligada à Aviação Civil. Interessante também é notar que os problemas dos aeroportos são os mesmos das rodoviárias, das estações ferrovias e metrôs, dos portos marítimos e fluviais que dão acessos a esses locais de embarque. Assim podemos concluir que antes de se tornar um problema de Infraestrutura temos no Brasil um claro problema de “INTRAestrutura”, onde banqueiro cuida da Infraestrutura Aeroportuária. Graduado em Turismo cuida da Regulação da Aviação Civil e por aí vai... 
Hoje, abandonando a ideia de se construir módulos nômades que poderiam ser montados e desmontados de um local para outro, já se fala em aproveitar os hangares e instalações das cias falidas para acomodar passageiros. É aquela história, “- Não reparem a bagunça. Nós somos pobres, mas somos limpinhos”.
Se o Governo Federal conseguir terminar os aeroportos e estádios para a Copa 2014 – o que não acredito - não passarão de meros oásis, isolando os visitantes e torcedores, presos no trânsito caótico, nas enchentes, espremidos nos vagões do metrô ou preenchendo boletins de ocorrências em algum distrito policial.
Bem, mas até agora ficamos só no trololó e diante da imensidão de providências necessárias para atender a demanda estimada, nada foi feito. O DECEA já se adiantou para tirar a instituição da reta, justificando antecipadamente que não poderá fazer nada mais eficiente se as questões aeroportuárias não forem resolvidas. Menos mal para nós controladores de tráfego aéreo. Pelo menos dessa vez teremos um salvo conduto para prover segurança à aviação civil brasileira sem arcar com a pecha de incompetentes ou indisciplinados.
CelsoBigDog

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A hora e a vez da criatividade brasileira na infraestrutura aeroportuária.

19 de Julho de 2010
Enquanto esse humilde especialista em controle de tráfego aéreo se arrisca a analisar e a opinar sobre a falta de consistência do parque aeroportuário brasileiro, a sociedade se mostra completamente surda, mas basta um representante do poder político-econômico sussurrar com seus botões e todos se apavoram.

Não dá tempo de reformar os aeroportos!

A frase acima é de autoria do presidente do SNEA, sindicato representante das empresas aéreas, que apesar de hoje traduzir uma constatação antiga dos verdadeiros especialistas em aviação, não provocou nos últimos dez anos nenhuma reação. Concordo com sua constatação tardia, pois, não se pode parar as operações de um aeroporto para reformá-lo. A única saída é "assoviar e chupar cana" ao mesmo tempo, e isso definitivamente não é seguro. Mas agora a sociedade está com medo!
Por incrível que pareça, esse medo não se relaciona à insegurança no espaço aéreo, se relaciona com a possibilidade de uma desgraça esportiva caso o Brasil seja desqualificado a sediar a Copa do Mundo de Futebol ou as Olimpíadas. Não deixo de dar razão aos “cartolas” quanto à importância do fato, pois um povo que confunde patriotismo com torcida uniformizada não pode ficar sem essa cachaça, apesar de achar que a seleção de futebol não passa de uma vitrine onde um grupo de mercenários se expõe enquanto aguarda por propostas milionárias de contratos. Alguns "ídolos" até se bandeiam para outros países negociando sua cidadania em troca de dinheiro, aprendem a cantar o novo hino e o fazem com a mão espalmada no peito como prova de “Patriotismo”. Patriotismo? Bem, essa é outra história.
Enquanto isso, só o que se espera é que a criatividade do brasileiro floresça e justifique o lema tupiniquim que diz: “Na hora sai!” 
Aeroportos da Copa: prazo apertado para as obras
Medidas urgentes precisam ser tomadas para passageiros não voltarem a conviver com transtornos que marcaram caos aéreo.
O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), José Márcio Mollo, diz que “não compartilha do otimismo das autoridades” em relação ao andamento de ampliações de terminais e melhorias nos sistemas de pista:
– Não dá tempo de reformar os aeroportos.
Clique aqui para ver matéria completa
Celso BigDog

Não me venha com cicuta. Deixe-me filosofar!


 Publicado em 21 de Dezembro de 2008

“- A verdade não está com os homens, mas entre os homens.”
Sócrates
Que desgraça maior pode haver do que a desesperança? O que pode ser tão frustrante quanto um coito interrompido senão um ideal desfeito? O que pode ser mais desanimador hoje do que a chegada dessa ICA 100-25, quando esperávamos ansiosamente por algo mais nobre, como por exemplo o reconhecimento profissional? Enquanto nos esforçamos gratuitamente para atingir a excelência no trabalho ATC, tropeçamos nesse obstáculo burocrático, descabido e desagregador.
Basta passar rapidamente os olhos nas páginas da dita cuja e de pronto já se sente o peso indigesto da discriminação e do preconceito contra o Controlador de Tráfego Aéreo. Mesmo estando na reserva senti-me ferido por essa formalização de apartheid castrense. Deveria ser motivo de honra pertencer à única especialidade do SISCEAB que, pela responsabilidade agregada ao desempenho da função, tem uma instrução só para si, mas não é. Diferente do que se propunha o falecido Manual do Controlador, essa instrução não se manifesta na direção da segurança, da qualidade do trabalho e de vida. Simplesmente recria dentro da corporação uma justificativa para o uso da palmatória, dos joelhos no milho e reedita o chapéu adornado com orelhas de burro, para subjugar e assediar coletivamente seus subordinados, justamente aqueles mais comprometidos e sensíveis à segurança aérea. Acredito que pelo “andar da carruagem”, numa primeira revisão da publicação, podemos esperar a inclusão de emendas como “O uso racional do corrimão nas escadas da TWR”; “Procedimentos para a profilaxia bucal e de próteses dentárias do ATCO”, ou ainda “Tabela de altura para cálculo do distanciamento correto do vaso sanitário para a micção masculina em pé”.
Não imagino onde isso pretende nos levar. Temo que o País pague novamente um alto preço por esses ingênuos equívocos que, de efeito retardado, eclodirão somente daqui a cinco ou dez anos, exatamente quando seus idealizadores já estiverem afastados da ativa da Força e a salvo das responsabilidades administrativas, que o tempo se incumbirá de apagar. Nós já assistimos a esse filme. Amanhã a história se repetirá, reeditada com um novo diretor, novo elenco, novos equipamentos, novos sistemas, mas conservando os velhos problemas de ontem e de hoje.
Num País de esfomeados, de escassez de oportunidades, onde um chefe de família prostitui suas filhas em troca de cestas-básicas, não será difícil arregimentar rapidamente voluntários, em quantidade suficiente para suprir as lacunas deixadas pelo o êxodo dos BCT. Também não será difícil convencer a opinião pública entupindo as torres de controle com jovens uniformizados e servis. E se hoje a questão da qualificação operacional já nos preocupa, o que dizer desse futuro próximo quando a baixa capacidade técnica, a baixa qualidade intelectual e a alta rotatividade na carreira, depararem-se com o vertiginoso aumento das operações aéreas decorrentes da Copa do Mundo de 2014 e, quem sabe, das Olimpíadas Rio 2016? Até quando será possível “alugar os dinossauros do ATC” como se fossem carpideiras a comporem o teatro que disfarça as fraquezas do Sistema?
Não temos muito tempo para corrigir essa deriva, pois a situação se encaminha para uma condição endêmica no SISCEAB. Se não houver um empenho coletivo, se uma respeitosa união de todos os níveis hierárquicos não se consolidar em torno da questão, podem ter a certeza de que em breve a segurança aérea estará sendo silenciosamente estuprada, exposta a riscos indescritíveis, incalculáveis e inacreditáveis.

“- Que se tenha o máximo de documentação. Façam filmes, gravem testemunhos, porque com certeza, ao longo da história, algum idiota se erguerá para dizer que isto nunca aconteceu”.
General Dwight David Eisenhower - 1945

Estando imbuído do mais nobre espírito Sipaer, é assim que eu penso.
Paz e Bem!
Celso BigDog

sábado, 21 de abril de 2012

Aviação Civil Brasileira. A Arquitetura de um fracasso.



Um Anjo me contou!

Como se não bastassem os problemas das negociações do Governo Federal com a iniciativa privada sobre a concessão dos grandes aeroportos, o sadismo da administração aeroportuária de Congonhas, SAC, INFRAERO, DECEA, ANAC, CGNA, começou a abrir slots (horários de voos) nos fins de semana para voos charter e “low fair”. Acostumados com um ligeiro silêncio nos entremeios de suas folgas, o morador do entorno aeroportuário começa a sentir que não há muita diferença entre as manhãs de dias úteis, quando o aeroporto opera como um vespeiro, e os dias de descanso.
O Anjo apostou ainda uma de suas asas, que foram “abertas” possibilidades de mais 220 voos “de e para” Congonhas nos finais de semana e feriados. Como esse crescimento é gradativo, alguns vizinhos mais sensíveis já começaram a reclamar. Pode ter certeza que não é mera coincidência.
A SAC informou que pretende aumentar a aviação regional (cujos aviões são os mesmos) em 61%, e, aumentar o número de aeroportos/aeródromos dos atuais 130 para 210 até 2014. Acredito que teremos que procurar uma maneira de lançar mão de recursos humanos externos, de países africanos de língua portuguesa, para suprir a demanda. Como não há espaço físico para expansão de infraestrutura, puxadinhos e sistemas emergenciais de transporte de bagagens serão estrategicamente posicionados a menos de 100 metros do aeroporto, o que pode ocasionar algumas desapropriações no entorno.
Não assoprando a brasa do pessimismo, acredito que a aviação civil e o transporte aéreo brasileiro já se atolaram até o pescoço nessa pista de areia movediça, afundando mais a cada nova brilhante ideia.
Uma frase política induz seus membros a vencer o Governo Federal pelo cansaço. É jocosamente dita aos cochichos entre os interessados:
"Você pede tudo o que tiver vontade, sabendo que vai receber um NÃO como resposta. Então, trabalhe bastante, para tentar ganhar um SIM." 
Estamos preparando o maior fiasco da história da aviação civil brasileira. Quem viver, verá. Quem sabe, eu também?
Celso BigDog