terça-feira, 20 de abril de 2010

A sombra da dúvida.

Não vou falar sobre a nuvem de poeira que cobriu o planeta e causou a extinção dos dinossauros. Vou tratar apenas de um assunto mais contemporâneo, que leva a aviação a evoluir, a criar normas e a se preparar de forma defensiva ao menor sinal de perigo, a Prevenção.
Depois de muitas quedas com suas máquinas voadoras o homem descobriu, entre outras coisas, que as asas, os tubos de pitot, as janelas, o combustível e tudo o que estivesse exposto ao ar nas alturas, congelava, travando comandos, distorcendo indicações, descompensando a estabilidade de voo e alterando o centro de gravidade da aeronave. Quase sempre, esses eventos culminavam em acidentes. Da necessidade de se contornar a situação, foram desenvolvidos diversos mecanismos de aquecimento, como fuel heat, pitot heat, wing anti-ice e muitos outros, pondo fim àquela circunstância que inviabilizava os voos em grandes altitudes, e consequentemente, voos de longa distância. Mas, esse inconveniente “mas”, como sempre, traz à baila mais uma nova e previsível preocupação: os vulcões.
Depois do quase consumado acidente do Jumbo da British Airways nos idos de 1982, causado por cinzas vulcânicas (vídeo anexo), normas operacionais de prevenção foram criadas, entre elas a suspensão das operações no espaço aéreo contaminado.
Assim como no caso do gelo, enquanto soluções técnicas não forem implementadas, mantém-se as restrições operacionais. O desafio agora é inventar um filtro para entrada de ar da turbina e do tubo de pitot. Providenciar também um escudo externo deslizante sobre o pára-brisa, ao estilo do saudoso Concorde - “Nose down” durante o taxi, pouso e decolagem, e “nose up” durante o resto do voo - Mas, enquanto isso não chega para nos resguardar dos 600 vulcões ativos no mundo, é bom que o usuário do transporte aéreo entenda, de uma vez por todas, que não podemos desprezar o conceito de prevenção que adquirimos, através de experimentos impagáveis, de resultados inimagináveis, com cobaias insubstituíveis. Temos que insistir na doutrina prevencionista, cosmopolita, ainda que o poder econômico nos açoite com insultos, nos torture com a sombra da dúvida, nos ridicularize com ilações jocozas, e use inescrupulosamente o cansaço e a intolerância dos passageiros como arma contra nossas convicções mais cristalinas.

Costumo afirmar que “da mesma forma que alguns dizem não haver maior nobreza do que a tarefa de resgatar corpos e juntar destroços, digo que não há sentimento mais indigno e vergonhoso para um Elo SIPAER, do que constatar que falhas conhecidas tornaram-se fatores contribuintes”.


sábado, 17 de abril de 2010

Qual é o peso do seu Relatório de Prevenção?

A CIRTRAF 100-25 (n.b. eu disse CIRTRAF) que define ou conceitua os indicadores de Segurança Operacional dos Serviços de Tráfego Aéreo, diz:
2.9 RISCO CRÍTICO
Condição na qual não ocorreu um acidente devido ao acaso ou a uma ação evasiva com mudança brusca ou imediata da atitude de vôo ou de movimento.
2.10 RISCO INDETERMINADO
Condição sobre a qual as informações disponíveis não permitiram determinar o nível de comprometimento da segurança da operação.
2.11 RISCO POTENCIAL
Condição na qual a proximidade entre aeronaves, ou entre aeronaves e obstáculos, tenha resultado em separação menor que o mínimo estabelecido pelas normas vigentes, sem, contudo, atingir a condição de risco crítico.
A análise do fato para enquadramento nessa conceituação é feita por quem? É notório que certos Riscos Críticos, vítimas da redação acima, são tratados como Indeterminados ou Potenciais pela falta de expertise do avaliador. Quem estabelece o grau de urgência das ações reparadoras ou mitigadoras?
Não há como negar que as subseções de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos sejam ocupadas por pessoal sem formação adequada para a sutil tarefa de investigar. Por questões de cultura, esses espaços são preenchidos, normalmente, por indivíduos que, por motivos de saúde, administrativos ou operacionais, estão temporária ou definitivamente impedidos de participar da escala operacional do órgão. Esse “Elo SIPAER” deveria ser um elemento escolhido por sua vocação, treinado para justificar sua importância no resultado dos processos e, reconhecido pelo próprio Sistema de Prevenção como sendo “O ELO” mais importante da corrente. Dependendo de sua atuação, o respeito técnico e a credibilidade na eficácia do SIPAER perante o grupo é maior ou menor. Sinto dizer que na maioria dos casos o respeito e a credibilidade são quase nulos.
Conhecedor dessas deficiências localizadas, o controlador deve empenhar-se em elucidar seu relato, quer seja ele em LRO ou RELPREV, para que o Elo local dê o devido tratamento, com a devida importância e o devido grau de urgência no trâmite das providências. Ao deixar de agir dessa forma, contribui-se para alimentar o "monstro das falhas sistêmicas", impiedoso e cruel devorador de vidas.
http://www.aisweb.aer.mil.br/aisweb_files/publicacoes/cirtraf/cirtraf_100-25_050804.pdf

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pás no transporte aéreo brasileiro!

Se voltássemos no tempo, poderíamos resgatar algumas coisas boas na aviação antiga. Uma delas, sem dúvida, seria a operação do L-188, o nosso saudoso Electra-II da Ponte Aérea. A segurança dos quadrimotores. O silêncio de seus pousos e decolagens. A performance adequada às pequenas pistas dos aeroportos metropolitanos. Poderíamos, por assim dizer, resgatar os aeroportos de Congonhas, Pampulha, Santos Dumont e condicionar outros menores em mais capitais para atender essa necessidade executiva, essa que realmente faz a nação crescer economicamente quando traduz tempo em dinheiro.
O que fazem as indústrias aeronáuticas que não investem nessa categoria para cem assentos? O que faz a Embraer só pensar em jatos cada vez maiores? Há uma maneira de também ser grande sem precisar concorrer com Boeing e Airbus.
Se o brasileiro parar para pensar, lembrará que gastava 50 minutos de Electra na ponte aérea entre Rio e São Paulo e hoje, em condições normais, gasta cerca de 35 minutos voando de jato, e horas aguardando na sala de embarque ou enroscado no trânsito entre Guarulhos e Congonhas ou entre Galeão e Santos Dumont.
Acredito mesmo que a operação de quadrimotores turboélices minimizaria a insegurança sobre as grandes cidades. Acredito que a diminuição do ruído devolveria parte da qualidade de vida perdida pelos vizinhos aeroportuários. Acredito que a agilidade do VDC (Voo Direto ao Centro), sem conexões, aumentaria a pontualidade aérea no centro nevrálgico-econômico do país, trazendo confiabilidade e progresso.
Por isso concluo que o transporte aéreo brasileiro precisa mesmo é de pás!

Bons tempos!

Controle de Tráfego Aéreo - "Vocês que são anglófonos que se entendam!"

Busquei saber como anda a conversação inglesa no ATC brasileiro. Por estar afastado já há algum tempo, meus parâmetros se desintegraram e já não consigo avaliar se houve progresso ou não. Aparentemente sim, até porque esse quesito passou a ser avaliado e exigido anualmente pelas autoridades aeronáuticas, mas com que aproveitamento? O conhecimento só é testado nas situações não-rotina e não no emprego da fraseologia padrão. Digo isso com conhecimento de causa, pois, nos meus 30 anos de controle de tráfego, quem me ouviu trabalhar com um inglês medíocre, mas empregando corretamente a fraseologia padrão, certamente pensou: “Uau! Deve ser um texano!”
Devo admitir que tive sorte nas questões não rotina, nas interpretações das inúmeras emergências enfrentadas, até mesmo numa situação de ameaça de bomba a bordo de uma aeronave americana na década de 80. Mas, convenhamos, não podemos contar somente com a sorte.
Nessa busca por informações, acabei me deparando com trabalhos muito interessantes, que me dão conta de que a questão do idioma inglês no tráfego aéreo mundial gera problemas até mesmo dentro dos Estados Unidos, que como o Brasil, por suas dimensões continentais, convive com dialetos, gírias e neologismos regionais imprevisíveis.

E assim concluiu o trabalho:
Levando em conta todos esses inconvenientes do inglês, não é justo impor um aprendizado tão árduo para todos os não-anglófonos. E, além dessa injustiça, é preciso saber que de qualquer forma eles JAMAIS APRENDERÃO O INGLÊS DE FATO, essa língua tão difícil para os estrangeiros. É preciso criar uma comissão encarregada de encontrar uma língua apresentando um número reduzido de inconvenientes, mas precisamente uma língua que atenda aos 7 critérios acima indicados. Em seguida será preciso substituir, pouco a pouco, o inglês por essa outra língua, mais adequada para esse fim.
Enquanto aguardamos, tentemos fazer com que o inglês não seja mais a fonte de tantos problemas. Um estudo realizado em conjunto pela NTSB e pela FAA, com um orçamento de 500 mil dólares, será iniciado em junho de 1998. Mas como declarou Shannon Uplinger: "Supondo até que se faça o melhor ensino possível da língua inglesa, não se suprimirão jamais as ambiguidades inerentes a essa língua e não será compensada a falta de disciplina, a fadiga e os outros problemas da profissão. Mas esse aprendizado aumentará a capacidade dos controladores de vôo e reduzirá fortemente o risco de que eles e os pilotos se comuniquem sem se compreenderem".
E assim eu concluo:
Quando Kent Jones disse em 1998 que: ... “será preciso substituir, pouco a pouco, o inglês por essa outra língua, mais adequada para esse fim”, digo que essa língua já chegou, sem fonética, sem gramática, sem pronúncia ou sotaques, sem equívocos de homofonia ou de homografia, que se troca por meio de dados padronizados entre  interlocutores.
Apesar da sutil insinuação de que o uso do Esperanto seria a solução do futuro, vale à pena dar uma olhada no trabalho e entender alguns problemas do Inglês Aeronáutico que ainda são muito atuais:
Artigo Completo:
http://www.aleph.com.br/kce/artigo24.htm
* Kent Jones é engenheiro civil aposentado. Seu primeiro contato com a aviação foi durante o serviço militar na marinha norte-americana. Foi técnico em eletrônica na unidade de Aproximação Controlada por Terra na Estação Naval de Barber's Point, em Oahu, Havaí.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Enquanto busca parcerias para dominar a tecnologia na fabricação de torradeiras elétricas, o Brasil descobre sua preferência pelo pão francês.

Depois de ter adquirido uma torradeira elétrica importada numa liquidação, Fabiana, uma dona de casa comum, descobriu que o plug do equipamento era incompatível com as tomadas de energia de sua casa. Diante da blindagem do cabo de força, que não permitia remendos, viu-se obrigada a trocar as tomadas da cozinha e da copa para que se pudesse ligar. Agora sim, pensou ela satisfeita, e, logo após posicionar as duas fatias de pão de forma na torradeira percebeu a fumacinha que se lançava para fora das gretas daquela maravilha tecnológica... Olha só! Já está torrando! Que maravilha! Veja só a fumacinha! Fumacinha preta... Preta? Ai meu Deus do céu, a resistência era 110 v!

Certamente está achando essa historinha ridícula, mas esses eventos ocorrem até mesmo em grandes organizações, ou quem sabe, o mais correto seria dizer, em grandes desorganizações. Não se trata somente de aceitar ou não um relatório altamente técnico, mas sim de se desprezar o trabalho sério e abnegado daqueles que o elaboraram. E na verdade, o que se sabe sobre o guerreiro francês? Ninguém sabe. Ele nunca combateu. Até o momento não passa de um falastrão.

E o que acharia se soubesse que os helicópteros russos MI-35, adquiridos recentemente pela FAB, não estão podendo voar porque os capacetes americanos usados pelos brasileiros são incompatíveis com seus aviônicos? Não me surpreenderia se a aquisição de capacetes russos estiver orçada com preços parelhos aos da aquisição dos helicópteros.
Bem de qualquer forma, a protagonista da estória, dona Fabiana, ao ter que desistir do pão americano, declarou sem constrangimentos, que lá no fundo, sua preferência sempre foi pelo francês.

Força Aérea deve recomendar caças franceses ao presidente Lula
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/04/07/forca+aerea+deve+recomendar+cacas+franceses+ao+presidente+lula+9451466.html

Problemas no recebimento dos helicópteros AH-2 (Mi-35) Sabre
http://cavok.com.br/blog/?p=7605

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Controladores americanos se esforçam para disponibilizar KU no acoplamento!

Discovery apresenta problema em sua principal antena.
Redação do Site Inovação Tecnológica - 06/04/2010
A antena de banda Ku do ônibus espacial Discovery não concluiu com êxito a sequência de ativação padrão inicial. Pouco depois que o ônibus espacial Discovery entrou em órbita, os controladores da missão verificaram que sua principal antena, que opera na banda Ku, não concluiu com êxito a sequência de ativação padrão inicial. Até o momento, a antena não está operacional. Com isto, em vez de transmitir ao vivo as imagens da inspeção do escudo de proteção da nave, a tripulação do Discovery está gravando as imagens em cinco ou seis fitas de 40 minutos. Os filmes serão transmitidos para o controle da missão após o acoplamento com a Estação Espacial Internacional, usando o sistema de banda Ku da ISS.
Segundo a NASA, a revisão de eventuais danos será atrasada, mas o problema não afetará a qualidade dos dados. A inspeção do escudo de reentrada tornou-se rotina depois do acidente com o Colúmbia, em 2003.

Acoplamento com a Estação Espacial
A antena de banda Ku, em forma de prato, é usada para comunicações de banda larga, com uma alta taxa de transmissão de dados, incluindo as transmissões de televisão e para o sistema de radar da nave, que é usado durante o acoplamento com a Estação Espacial Internacional.
O ônibus espacial, contudo, pode se acoplar com segurança com a Estação e concluir com êxito todos os objetivos da atual missão sem o uso da antena Ku, se isto for necessário, afirma a NASA.

Antenas dos ônibus espaciais
O sistema de banda Ku é um dentre vários sistemas de comunicações que os ônibus espaciais dispõem para se comunicar com o controle em terra, tanto para transmissões de voz quanto de dados. Os outros sistemas - banda S e UHF - estão operando normalmente.
O ônibus espacial Discovery também tem múltiplos sistemas de backup para o sistema de radar de aproximação com a Estação Espacial Internacional.
Além disso, a Estação possui seu próprio sistema de banda Ku, que também é utilizado para as transmissões de TV e que pode ser usado para transmitir as imagens do ônibus espacial depois da acoplagem.

Inspeção do escudo térmico
Os controladores de voo continuam tentando resolver o problema com a antena do Discovery em banda Ku, ao mesmo tempo que formulam os planos para realizar a missão sem a utilização desse sistema, se for necessário.
A antena Ku é tipicamente utilizada pela tripulação e pelas equipes em terra durante o dia 2 de voo de todas as missões dos ônibus espaciais, para a inspeção do escudo térmico do ônibus espacial, o que é feito por meio de câmeras fixadas no braço robótico das naves.
No Brasil, os controladores costumam dizer que “Quem tem essa antena, tem medo!” Dizem também que, “Controlador que “vetora entrando” sabe a antena que tem”. Ou ainda, “Assumir o serviço com degradação RADAR é uma antena pra conferir!”. E para aqueles que gostam de tomar umas biritas, cuidado, pois “Antena de controlador bêbado não tem dono!”
Desculpem pelos trocadilhos infames, mas não resisti a essas associações interessantes, já que nos EUA é antena, na França é pescoço, na Alemanha é vaca, e só no Brasil que isso é isso mesmo?


http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=antena-banda-ku&id=010175100406hei

domingo, 4 de abril de 2010

Transporte Aéreo. É pra agora ou quer que embrulhe?

Um dia na Feira de Aviação Civil...

- Bom dia senhola Solanze! O que vai quelê hoze?
- Bom dia! Me veja 6 PLA, 15 privados, 8 agrícolas, 9 PCH, 20 PPH
- Ixi dona Solanze! Não tem PLA, só daqui há tlês anos. Plivado vai sair só pala a semana que vem. Tenho seis aglícolas e tlês asas lotativas. Vai quelê?
- Mas o que está acontecendo seu Mifú? Onde encontro isso?
- Ah! Dona Solanze. Passou polaquí um pessoal da China, da Malásia, da Áflica e como estava balato levalam todos. Disselam que vem busca mais.
- Posso deixar encomendado então?
- Sim dona Solanze, mas com pagamento adiantado. Se quiser também pode levá massa plonta e a senhola mesmo faz.
- Ah! E mecânicos e comissários tem?
- Tenho alguns comissálios bem flesquinhos. Mecânicos tão no óleo.
- Meu vizinho pediu para eu levar alguns controladores de tráfego aéreo para ele. Me veja 200.
- Olha dona Solanze, tão meio clú ainda. Asso que vai demolá um pouco pla ficar no ponto. Se quisé levá, a zente pode emblulhar e o seu vizinho nem nota. Tenho alguns velhos que soblalam e que zá estão meio embololados. Outlo dia seu vizinho levou um montão desses.
- A propósito Seu Mifú, estou precisando de três diretores. Sabe onde encontro?
- Zá ploculou na fáblica de cabides Pala Todos? Lá semple tem.
- Isso mesmo, boa idéia! Semana que vem volto para ver o que o senhor já conseguiu para mim.
- A senhola tem que tê paciência. Pensa que isso é igual pastel? Hi Hi Hi! Vai um de palmito?

Pensa que estou brincando é? Pensa que a crise que se anuncia no setor aéreo diz respeito somente à infraestrutura aeroportuária? Então leia essas matérias:

Falta de pilotos pode travar setor aéreo em dois anos.

Número de formandos não acompanha o crescimento estimado para aviação brasileira.
http://noticias.r7.com/economia/noticias/falta-de-pilotos-pode-travar-setor-aereo-em-dois-anos-20100403.html

Anac oferece bolsa de estudo para piloto.
Programa vai formar 139 pilotos privados e 74 comerciais em aeroclubes de todo país.
http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/anac-oferece-bolsa-de-estudo-para-piloto-ate-a-proxima-quinta-feira-25-20100323.html

ANAC tem 3 diretorias vagas e não pode tomar decisões importantes, prejudicando setor aéreo.
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/04/03/anac-tem-3-diretorias-vagas-nao-pode-tomar-decisoes-importantes-prejudicando-setor-aereo-916242809.asp

Celso BigDog

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Alternância da pista em uso.

Pista em uso (no momento) é a 10!

Há um assunto de grande relevância que quero abordar aqui: o conceito de “pista em uso” (active runway).
Em muitos aeródromos de pouca densidade de tráfego, onde a topografia não permitiu a construção da pista alinhada ao vento predominante, os controladores costumam empregar a cabeceira de melhor conveniência, geralmente para uma aproximação e pouso direto ou uma decolagem com saída direta ao destino. Essa alternância constante é comprovadamente nociva aos princípios do controle do tráfego aéreo, pois induz o controlador ao erro de julgamento num momento crítico e de decisão.
Há um infindável histórico de ocorrências relativo a esse comportamento em diversas localidades brasileiras. A maioria delas se deu por insistência dos pilotos, que inconformados com a negativa do controlador buscaram pressionar as chefias locais para que o termo empregado seja “pista em uso no momento”.
Pude testemunhar em Manaus, acreditem, por diversas vezes, ocorrências gravíssimas onde aeronaves se cruzaram sem a mínima separação nos momentos mais críticos do voo, ou seja, uma aeronave na reta final da pista 10, e outra no eixo de decolagem da pista 28. Algumas piadinhas posteriores como, “para maior separação recolha o trem de pouso” ou “autorizado aproximação Matrix para pista 10”, ainda que de péssimo gosto, expressam com certa fidelidade o grau de risco da situação vivida.
Cabe aos supervisores, ou na ausência deles, aos mais antigos e experientes, firmar posição na operacionalidade do aeródromo e não ceder a essas pressões externas, quer sejam elas de pilotos, quer sejam elas de suas próprias chefias. A interação entre TWR e APP na seleção de pista deve ser firme, uníssona, pois demanda planejamento tanto das saídas previstas quanto das chegadas em progresso.
O termo internacional “Active Runway” foi criado com o firme propósito de estabelecer status de operacionalidade do aeródromo, coordenado entre órgãos de controle de tráfego, pilotos, empresas aéreas, CVE, SCI, SM e a Administração Aeroportuária. Pense nisso!
Celso BigDog

RIMA - Como contornar o impacto ambiental no entorno aeroportuário?

Infraero diz que passou 2009 destravando processos.
Pan Rotas - 31/3/2010
De acordo com o diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Infraero, Jaime Parreira, o planejamento da Infraero é bem consolidado e confiável. “Trabalhamos todo o ano de 2009 para destravar processos emperrados na Justiça, no Ministério Público e no Congresso. Considero que conseguimos limpar todas as pendências e poderemos seguir de fato com os projetos”, afirmou o diretor, acrescentando que 80% dos projetos definidos para os aeroportos já tem licenças.
Além dos projetos de infraestrutura aeroportuária, Parreira informou que a Infraero também está investindo fortemente nos serviços para os passageiros. “Estamos agilizando procedimentos junto a Anvisa e a Receita federal, por exemplo, instalando mais balcões de atendimento, implementando novas tecnologias etc, para melhorar a qualidade dos serviços prestados”, disse.
Segundo Parreira, que participou da reunião do Conselho de Turismo da CNC, hoje, no Rio, estão garantidos R$ 6,5 bilhões em investidos em aeroportos entre 2011 e 2014 – R$ 5,3 bi só nos equipamentos das cidades-sede. O diretor disse que, com isso, o setor aeroportuário está estabilizado para atender o crescimento da demanda até 2014.
Uma coisa é realizar um estudo de impacto ambiental onde se pretenda instalar um aeroporto. Outra coisa, muito diferente, é um estudo do impacto ambiental que certas modificações causarão no entorno aeroportuário já instalado.
No primeiro caso o estudo se detém na topografia, fauna, flora e possíveis desapropriações que possam ser necessárias para se assentar as instalações. Não se pensa hoje em dia em construção de aeroporto em área urbanizada, que além de multiplicar os problemas sociais, inviabilizará o orçamento no pagamento de indenizações à população.
No caso de modificações estruturais, de layout, de ampliação de um aeroporto já instalado, o impacto ambiental só pode ser contornado com medidas “maquiadoras” de fachada que escondem alguns dos malefícios das vistas da população. Ainda assim, por mais que se tente esconder com tapumes, não se pode eliminar a dinâmica anormal do trânsito, do ruído, dos equipamentos de rampa, tratores e turbinas. A queda observada na qualidade de vida da vizinhança é diretamente proporcional ao crescimento do movimento aeroportuário.
Podemos ver, por exemplo, que o movimento do Aeroporto de Congonhas, desde há muito tempo, impõe aos seus vizinhos uma qualidade de vida ruim. O que mudou então? A única coisa que mudou de fato foi a sociedade, que hoje mais madura e politizada, descobriu que tem direitos garantidos, e os exige, senão pela extinção dos malefícios, pelo menos na redução do período desses malefícios.
Não acredito que problemas ambientais sejam resolvidos no entorno dos aeroportos urbanos, pois até mesmo a luta de órgãos do governo contra o fantasma do perigo aviário, tem como seus maiores oponentes os órgãos do próprio governo na preservação inconteste da fauna e da flora.
Celso BigDog

quarta-feira, 31 de março de 2010

Crescimento da Aviação Civil justifica a criação de 13.745 cargos militares na Aeronáutica.

Aprovada criação de 13.745 cargos no Comando da Aeronáutica
Simone Franco / Agência Senado 31/03/2010
O aumento do efetivo do Comando da Aeronáutica em tempos de paz foi aprovado, nesta quarta-feira (31), pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A criação de 13.745 cargos de militares foi estabelecida por projeto de lei da Câmara (PLC 11/10) elaborado pela Presidência da República e que ainda será votado, em decisão terminativa, pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).
Do total de cargos, 745 são de oficiais superiores (majores, tenentes-coronéis e coronéis); 2.100 de oficiais intermediários (capitães) e subalternos (segundo e primeiro-tenentes); 7.800 de suboficiais e sargentos e 3.100 de cabos e soldados. O PLC 11/10 também extingue 250 cargos de taifeiros. No parecer favorável ao projeto, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) citou trecho da exposição de motivos interministerial que justifica a medida para adequação do efetivo da Aeronáutica "às contínuas e crescentes demandas do transporte aéreo brasileiro". Em outro trecho citado, afirma-se que o projeto não implicará impacto orçamentário significativo de forma imediata, pois essas vagas deverão ser preenchidas gradualmente, estimando-se em 32 anos a integralização dos 20% de acréscimo proposto ao atual efetivo da Força.
"O aumento do tráfego aéreo no Brasil é uma realidade inegável. O crescimento da economia e a incorporação de segmentos significativos da população à classe média têm feito com que as viagens aéreas no país atinjam níveis inéditos e sinalizam para a continuidade dessa tendência. Além disso, esse processo vem gerando, também, a ampliação geográfica do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), que hoje se estende por toda a Amazônia", ressaltou Romero Jucá no relatório.
(Grifos meus) Sem comentários!
 
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=100633&codAplicativo=2&codEditoria=3

Coelhinho da Páscoa chega esta semana com a decisão sobre caças.

Relatório sobre caças fica pronto após a Páscoa
25 de março de 2010 - WILSON TOSTA - Agencia Estado
Em meio a notícias sobre lobbies de americanos, franceses e suecos em torno da licitação para escolha dos novos aviões de caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje que a fase em que os concorrentes poderiam apresentar novas ofertas para o negócio está encerrada. "Já passou isso, estamos na fase, digamos, do afunilamento final", afirmou, após falar na abertura do seminário "Segurança Internacional: perspectivas brasileiras, o cenário global", na Fundação Getúlio Vargas.
Ele prometeu para depois da Páscoa o relatório no qual recomendará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a escolha de um dos modelos entre o F/A-18 Super Hornet (da Boeing, EUA), o Rafale (da Dassault, França) e o Gripen NG (da Saab, Suécia)
A disputa pelo contrato do projeto FX-2, de US$ 10 bilhões, envolve os governos dos três países. Os EUA aproveitaram a passagem do porta-aviões USS Carl Vinson pelo Rio, com alguns Super Hornet a bordo, e a visita da secretária de Estado, Hillary Clinton, ao País, para promover sua aeronave. O presidente francês Nicolas Sarkozy recorreu a seu bom relacionamento com o presidente Lula para defender o seu produto, que tem a preferência de autoridades brasileiras. E até o rei da Suécia, Carl Gustaf, veio ao Brasil e abordou o assunto em conversa com o presidente brasileiro. No momento, o assunto está muito perto da decisão, segundo o ministro.
"Está terminando. Agora, o trabalho está com a consultoria jurídica do Ministério da Defesa, fazendo o exame jurídico da legalidade toda do procedimento, para que depois eu faça a exposição de motivos ao presidente", declarou. "Com isso, creio que depois da Páscoa terei condições de apresentar ao presidente a exposição de motivos, em dois aspectos. Um, fazendo uma sugestão em relação a uma das opções. Ou seja, o Ministério da Defesa entende a necessidade de que o próprio Ministério tenha uma posição e a leve ao presidente. Segundo, fixando parâmetros para o prosseguimento de negociações com o eventual escolhido."
Jobim assegurou que a escolha ainda não foi feita. "Não dá para botar a carroça à frente dos bois", destacou. O ministro afirmou que o Brasil não está comprando um avião, mas um "pacote tecnológico", que capacite o País a produzir as aeronaves, futuramente. Disse também que começará a trabalhar no relatório para Lula assim que a consultoria jurídica concluir seu parecer.
Certa vez, quando ainda era Adjunto Operacional no DTCEA SP, pedí ao meu braço direito, o saudoso amigo SGT Renato Santos, que fizesse um documento endereçado aos supervisores de equipes do APP SP, para algumas ações que estaríamos implementando naquela ocasião. Pouco tempo depois apresentou-me um texto impecável, de um vocabulário invejável. Li e relí até que, não me contendo questionei se o conteúdo seria entendido por todos os supervisores. Olhando-me nos olhos por alguns segundos e esboçando um sorriso maroto assim disse Renato: -" Por favor, emburreça o texto pra mim!"
Da mesma forma, acredito que o relatório a ser apresentado ao Excelentíssimo senhor Presidente da República deve estar passando por um processo parecido, para que surta o efeito esperado, cheio de desenhos para facilitar o entendimento. Deve ser isso, pois, o sério relatório da Força Aérea Brasileira já estava pronto desde... Ah! quer saber? Prefiro não comentar!
Celso BigDog

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,relatorio-sobre-cacas-fica-pronto-apos-a-pascoa,529182,0.htm

A Organização da Aviação Civil Internacional e sua bola de cristal.

Acidentes aéreos devem cair 45% em seis anos
(AFP)
MONTREAL — A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) anunciou nesta segunda-feira em Montreal que espera reduzir em 45% a taxa de acidentes aéreos no mundo em seis anos, apesar de prever um aumento de 10% ao ano do tráfego aéreo nos próximos anos.
Para alcançar esse objetivo, a OACI aposta, entre outras ações, em um aumento de 10% ao ano do nível de aplicação das normas internacionais por seus 190 Estados membros, graças a novos poderes.
O plano foi divulgado pela diretora da denominada comissão técnica de "navegação aérea" da OACI, Nancy Graham, na abertura nesta segunda-feira à tarde em Montreal (Canadá) de uma conferência extraordinária da agência da ONU, reunindo cerca de 660 delegados de 150 países.
O número de acidentes mortais no mundo caiu quase pela metade nos últimos dez anos, passando de 26 em 2000 para 14 em 2009, enquanto o número de vítimas foi de 654, contra 955 de antes, indicou Graham. Entretando, a taxa global de acidentes "infelizmente permaneceu estável" durante o mesmo período, ou seja, em cerca de quatro por um milhão de voos por ano. Copyright © 2010 AFP.
Então...
Mesmo com todo o respeito que sempre dediquei à OACI, diante da perspectiva anunciada esta semana, não posso deixar de discordar. Enquanto os procedimentos ditados pela Organização continuarem sendo expedidos sob a forma de "recomendação", nada será factível. A anunciada “aposta” da OACI não passa de um inócuo palpite, que infelizmente, nos últimos anos, tem justificado resultados de um mero jogo de azar. Os países membros deveriam ter por obrigação cumprir à risca as resoluções da Organização, sob pena de desqualificarem-se perante a comunidade aeronáutica internacional na edição dos acórdãos que eles mesmos assinam.
Quem sou eu para afirmar isso? Sou um eterno Controlador de Tráfego Aéreo (ret) que por 30 anos segurou a ponta da linha desse complexo sistema, tão abstruso, que até mesmo seu staff não consegue entendê-lo. Pois é...

Celso BigDog

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5j_IPrYzd36q_RGQuqbsmLOyOmiIg

Brasileiros divorciam-se para prestar concurso na Aeronáutica!

Aeronáutica irá aceitar casados e baixos como sargentos
A abertura para esses candidatos se deu após uma recomendação feita pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO).
O último concurso (2009) para sargento da Aeronáutica enfrentou a mesma complicação. A Justiça Federal atendeu pedido do procurador da República e do procurador regional dos Direitos do Cidadão permitindo as inscrições de candidatos casados e com estatura inferior a 1,65m. Entretanto, este ano, a Aeronáutica manteve as exigências iniciais e foi obrigada a retificar o edital.
As oportunidades estão distribuídas entre as seguintes especialidades: eletrônica, administração, enfermagem, eletricidade, sistemas de informação, laboratório, música (flauta, clarineta, saxofone, trompa, teclado e bateria), pavimentação, radiologia e topografia. As remunerações podem variar de R$ 2.061 a R$ 2.910.
Para participar, os candidatos devem ter idade máxima de 24 anos, ensino médio completo e curso técnico na área desejada - exceto para música, que pede registro emitido pela Ordem dos Músicos do Brasil.
O período de inscrições ficará aberto até as 15h do dia 20 de abril. Os interessados poderão garantir participação nos sites do Comando da Aeronáutica (www.fab.mil.br) ou da EEAR (www.eear.aer.mil.br). A taxa é de R$ 50.
A oportunidade de emprego está tão difícil, mas tão difícil, que já tem casais separando os trapinhos para poderem prestar o tal concurso. Mas não pensem que é só para ele não! As mulheres também já pensam que depois do “fora de forma” da sua Graduação, trocam o quepe pela grinalda e saem correndo para a igreja com seu amado para selar o vantajoso “projeto seis S”, ou seja, um 3S + 3S =6S.
Penso que não se deve obrigar, por via de justiça, uma pessoa que não tenha voz, apresentar-se num programa de televisão a cantar desafinadamente, ou a ser contratada por uma gravadora. Penso que não se deve obrigar, por via de justiça, que um “perna de pau” seja escalado para a seleção brasileira de futebol. Penso que não se deve obrigar, por via de justiça, que uma pessoa vítima de obesidade mórbida seja contratada para desfilar no São Paulo Fashion Week. Penso que, penso... Ah! Sei lá! Pense você agora, por favor!
Não duvido muito que em breve algum parlamentar apresente um programa de cotas para concursos militares. Serão 5% para anões e pessoas de baixa estatura e 5% para casados e amancebados que, com certeza, abrirá precedente para cotas de obesos, GLS, índios, afro-descendentes, nipo-descendentes, luso-descendentes, ítalo-descendentes, para uma Força Armada demagógica e totalmente descendente.
Celso BigDog


http://www.cursocerto.com.br/index.php?area=noticias&sub=ler&idNoticia=1098

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tráfego Aéreo - "Em caso de dúvida...

“Dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço”! Calma caro Arquimedes! Faltou dizer, “mas não ao mesmo tempo”.

Ao aplicarmos a Lei da Física no controle de tráfego aéreo podemos concluir que, basta a aeronave que entra na pista para decolar, no momento de soltar os freios e iniciar a corrida, ter um CB saltando no painel de sistemas, um aural warning tocando ou a informação da comissária de que um passageiro está passando mal, para transformar a separação provida pelo controlador, considerando-se o tempo “médio” de ocupação de pista, insuficiente. O que resta ao controlador fazer é instruir a arremetida da aeronave que está na aproximação final. O que há de tão anormal nisso?
O sensacionalismo da mídia coloca o controlador contra a parede e, dependendo do grau de experiência e reação do mancebo, essa ameaça constante pode levá-lo a cometer um erro de julgamento muito grave. O medo de ser alvejado por críticas leigas e tendenciosas podem levá-lo a retardar ao máximo o recurso da arremetida, a tal ponto que ela venha a ser comandada tardiamente pelo piloto. Pela minha experiência, 99% de arremetidas em aeródromos controlados são cumpridas por determinação do controlador, e apenas 1% pela habilidade ou falta de habilidade dos pilotos.
Está aí um bom assunto para ser discutido em brieffing operacional: "Em caso de dúvida, ...

... ARREMETA!"
Celso BigDog

Autoridades afirmam: Lavar as mãos é a melhor maneira de não pegar Gripen

Depois do voo, o "lobby"
19 de março de 2010 - O Estadao de S.Paulo
Depois de o Alto Comando da Aeronáutica lavar as mãos sobre a compra de caças, entra em cena um dos principais aliados do presidente Lula, o prefeito de São Bernardo do Campo e ex-ministro do Trabalho e da Previdência, Luiz Marinho (PT). Ele está desde sábado na Suécia e ontem afirmou que a escolha do caça Gripen, fabricado pela empresa Saab, "trará impacto positivo para a indústria brasileira".
Para evitar dores de cabeça e ao menor sinal de fraqueza, lave as mãos. Essa é a maneira preventiva mais eficaz de não se pegar a nova Gripen N1G1.
Celso BigDog

segunda-feira, 22 de março de 2010

Aviação brasileira de rédea solta.

Novo Código Brasileiro de Aeronáutica

Mudanças no setor aéreo
O Estadao de S.Paulo - 21/03/2010
São profundas as mudanças no Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) propostas pelo governo no projeto que acaba de enviar ao Congresso. Elas reduzem acentuadamente o poder de intervenção do Estado na operação das companhias aéreas, inclusive assegurando-lhes formalmente a liberdade tarifária - que hoje depende muito do humor das autoridades -, elevam para até 49% o limite da participação de capital estrangeiro no capital total das empresas e praticamente acabam com o regime de concessão em vigor, mantendo-o em raríssimas situações e substituindo-o, nas demais, pelo regime de autorização, bem mais simples e menos sujeito ao controle estatal.
Vejo o empenho das Aéreas em popularizar o transporte aéreo como uma ceva. Mais do que facilitar a vida do brasileiro é mudar seus conceitos. Nesse país de dimensões continentais, onde uma viagem de ônibus de São Paulo a Recife dura até três dias, basta uma vez no ar e dificilmente alguém se sujeitará a seguir por terra novamente. Com essa dependência estabelecida, aí sim, é hora de mudar as regras.

A população deve estar atenta às análises e comentários dos especialistas em aviação, pois o assunto estará sendo discutido e votado em um ambiente leigo, onde o lobby do poder econômico das aéreas é forte, ganancioso e sem escrúpulos.
Segura Peão!

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100321/not_imp527166,0.php
Celso BigDog

domingo, 21 de março de 2010

Desmilitarização do ATC - Me engana que eu gosto!

A desmilitarização do controle aéreo - proposta que surgiu em meio à crise que parou aeroportos brasileiros e deixou milhares de passageiros sem voo - está cada vez mais distante.


Três anos depois do caos, o governo deixou de lado as promessas feitas durante as negociações. Projeto apresentado aos operadores de voo aponta que o início desse processo só será feito em 2017. Primeiro, nos destacamentos (torres de controle). E, depois, em 2025, nos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindactas). A data não foi escolhida por acaso. A partir daquele ano, o controle aéreo mundial será feito por satélites e o Brasil é signatário do acordo de implantação do sistema Comunicações, Navegação, Vigilância e Tráfego Aéreo (CNS/ATM).
Demorei um pouco para digerir essa notícia. Não sei o porquê, mas senti um gosto estragado e um aroma que não cheira bem, assim como a aparência e o cheiro do jenipapo que vai acabar deixando a coisa preta. Tenho me perguntado de que vai adiantar a desmilitarização e a regulamentação da profissão de Controlador de Tráfego Aéreo se a função não vai mais existir? É o mesmo que formar motorneiros de bonde; desenhistas arquitetônicos com prancheta e régua "T"; operador de mimeógrafo; dactilógraphos de máquinas Remingthon; operador de calculadora FACIT; técnico em videocassete; especialista em toca-fitas Rod Star e TKR; soldador de pinicos de ágatha; ...
Acredito firmemente que há uma grande maldade e um processo maquiavélico em curso, em que no momento derradeiro, dentro desses anos que faltam, quando a autoridade aeronáutica, seja ela civil ou militar, dirá: "Concurso Público: 1000 vagas para Gerentes de Tráfego Aéreo - Idade de 21 a 35 anos, inglês fluente, nível superior. Os aprovados serão matriculados no ICEA para curso de capacitação em dois anos percebendo salário inicial de R$1.000,00 durante o curso. O salário do GTA será à partir de R$8.000,00. As vagas remanescentes serão preenchidas com oficiais do SISCEAB após estágio de adaptação, quando passarão à condição de agregados."

E os BCT? Ah! Não se iludam. Os graduados do quadro básico de controle de tráfego aéreo serão remanejados nos quadros internos da Força, de acordo com as necessidades do serviço. E aí meus amigos... Um abraço pro gaiteiro!
Diz um ditado chinês que "Deus é tão benevolente, que quando quer castigar alguém, atende seus pedidos."

Veja matéria publicada:
Celso BigDog

sábado, 20 de março de 2010

Controle de Tráfego Aéreo - A relação Custo X Malefício

Profissionais de saúde são os mais afectados pelo suicídio
RTP - 18/03/2010
Os profissionais de saúde são a classe mais afectada pelo suicídio em Portugal. A pressão constante a que estão sujeitos é uma das explicações para esta situação. Entre médicos e enfermeiros há também um elevado número de casos de doenças psiquiátricas, depressão e abuso de estupefacientes. Os policias, professores, investidores na bolsa e controladores de tráfego aéreo também apresentam taxas elevadas de suicídios.
Portanto amigo, quando você acreditar que é o único certo e que todo o resto do mundo está errado, é hora de procurar ajuda. Cuide-se!
Assista reportagem:

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Profissionais-de-saude-sao-os-mais-afectados-pelo-suicidio.rtp&headline=20&visual=9&article=328753&tm=2

Celso BigDog

Colisão com pássaros

Não querendo ser repetitivo, mas, ... era uma vez uma viagem aérea como tantas outras, até que...

- V one!
- Rotate!
- Landing gear!
- Up!
- Você viu isso? Pergunta o comandante ao seu primeiro oficial.
- Acho que era um urubu
- Veja o EGT do motor dois!
- Alto! Muito alto!
- Vibração...
- Temperatura, fire detection...
- Disparando garrafa do dois
- Estol de compressor... cortando o dois...
- Dindon... dindon!
- Diga Samantha!
- Capitão... está um cheiro horrível na cabine!
- Fiquem sentadinhas aí, estamos voltando!
- Senhoras e senhores passageiros, aqui é o comandante... temos um problema técnico e por precaução, estamos retornando. Mantenham-se sentados e obedeçam aos avisos luminosos. Obrigado!
- Torre de controle, NNN3456 bird strike motor direito, EMERGÊNCIA, retornando com curva à esquerda!
- Ciente... vento calmo... autorizado cabeceira oposta, se desejar...

Assim se contam anualmente algumas centenas de histórias de colisões com pássaros. Graças a Deus, a maioria delas termina com um pouso duro, com passageiros assustados e algumas fan blades danificadas. Mas nem sempre é assim. Algumas menos afortunadas já nos deram histórias tristes e são responsáveis por aumentar consideravelmente nossa preocupação em viajar de avião.

O Conselho Nacional do Meio Ambiente, com a participação ativa do CENIPA, criou, em 1995, a Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº 04, que estabelece a Área de Segurança Aeroportuária – ASA, que compreende um círculo com raio de 20 Km para os aeródromos que operam IFR, e 13 Km, para aqueles que operam VFR, onde ficou proibida a implantação de qualquer atividade que atraia ou possa vir a atrair aves.

Como participar de um movimento? Denuncie ao Ministério Público o descumprimento da lei. Exija de seu alcaide o cumprimento do que estabelece o plano de proteção de aeródromos, eliminando áreas de depósito de lixo nas proximidades dos aeroportos.

Ah! Você não tem nada com isso, pois não viaja de avião? Claro! Então torça para que um não caia em sua rua, sobre seus amigos, sobre sua casa, sobre sua família.

Perigo aviário! Responsabilidade de todos!


Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=cIa7RXWqnl8&feature=player_embedded

Celso BigDog

terça-feira, 16 de março de 2010

Aerocirco - A solução para o transporte aéreo!

Aeroportos brasileiros terão estruturas temporárias para ampliar capacidade de passageiros.

Correio Braziliense, 12/03/2010
“O módulo operacional á uma estrutura quase pré-moldada, com um projeto pronto e um custo baixo. Você faz a licitação por leilão, porque é um projeto padrão da Infraero. Tendo a área adequada para o módulo, você o instala muito mais rapidamente. E é uma instalação que posso transferir para outros aeroportos. Agora mesmo, na África do Sul, isso está sendo usado”, disse o presidente da Infraero, Murilo Marques Barboza.

Aeroportos terão estruturas temporárias até obras da Copa
Agência Estado, 12/03/2010
A estrutura para receber até três milhões de passageiros começa operar em 2011. Antes da Copa do Mundo de 2014, alguns aeroportos como o de Guarulhos, em São Paulo, receberão estruturas operacionais temporárias como forma de aumentar a capacidade enquanto não ficam prontas as obras definitivas. A Infraero também pretende instalar módulos operacionais em outros aeroportos. Dois módulos para Brasília, Galeão e Viracopos.

Respeitável público! A Infracirco apresenta:
o Aerocirco Internacional.

Acomodações confortáveis para 1000 pessoas. Poltronas infláveis, lojas de artesanato, barracas de pastel, pipoqueiros, banheiros químicos higienizados e muito mais. E tudo isso num piscar de olhos. Contrate já um Aerocirco Internacional para sua cidade.
Toda a aeroestrutura instalada é acompanhada de um grupo de profissionais do transporte aéreo brasileiro, acostumado a viver na corda bamba, fazendo malabarismo com salário, comendo os coelhos que consegue tirar da cartola e rindo de sua própria condição de palhaço. De bônus, o contratante ainda recebe um chefe, que apesar de não se considerar parte da trupe, quando contrariado, cospe fogo!
Celso BigDog
 
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/12/brasil,i=179327/AEROPORTOS+BRASILEIROS+TERAO+ESTRUTURAS+TEMPORARIAS+PARA+AMPLIAR+CAPACIDADE+DE+PASSAGEIROS.shtmlTEMPORARIAS+PARA+AMPLIAR+CAPACIDADE+DE+PASSAGEIROS.shtml
 
http://noticias.r7.com/economia/noticias/aeroportos-terao-estruturas-temporarias-ate-obras-da-copa-de-2014-20100312.html

segunda-feira, 15 de março de 2010

O tamanho dos problemas no transporte aéreo

Anac cobra investimentos em aeroportos brasileiros
Jornal do Brasil 13/03/2010

À espera de novo terminal, Cumbica ganha ''puxadinhos''
Agência Estado 15/03/2010

Acompanhando as notícias e analisando a reação da opinião pública sobre as obras provisórias nos aeroportos brasileiros, terminais puxadinhos, patiozinhos, Torres de Controle em Containers, etc, cheguei a pensar, a princípio, que tudo isso não passaria de um processo de popularização do transporte aéreo. Como os aeroportos estão, cada vez mais, se parecendo com grandes estações rodoviárias, não me surpreenderia se essas obras de ampliação estivessem sob a batuta da COHAB, sendo construídas com paredes de gesso, forros de “prástico” e banheiros químicos pelos cantos da sala de embarque, azuis para os cavalheiros e pink para as damas. Mas não é bem assim. Acho que tem alguma coisa muito sutil nessa história. Será que o Governo Federal está tentando dar um grande arranque tecnológico e secretamente está a implantar a...? Só pode ser isso! Quem sabe se reduzindo a infraestrutura... não reduzem também... os problemas. Podemos até entender, pois o adágio popular diz que “aquilo que o olho não vê... o coração... não... sente!” Eureka! Então é isso! Descobri! O Governo está implantando a nanotecnologia no transporte aéreo brasileiro!

Olha gente, bastava observar o que já temos hoje em nosso microcosmo aeronáutico, como o nanosalário que ganhamos, os nanodireitos que temos, a nanoinstrução que recebemos, e fica fácil compreender, não é mesmo? Poxa, que bonitinho. Já imaginaram? Nanotorre, nanorradar, nanopista, nanopátio, nanocopa do mundo, nanolimpíadas... êpa! Será?

Celso BigDog

sábado, 13 de março de 2010

Comissão aprova sigilo em investigação de acidente.

Comissão aprova sigilo em investigação de acidente

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta (dia 10) o Projeto de Lei 2453/07, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do tráfego aéreo, que assegura a inviolabilidade de informações e depoimentos recolhidos em investigações do Sistema de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer). A proposta também normatiza os procedimentos e competências nas investigações do órgão. A informação é da Agência Câmara.
O relator, deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), recomendou a aprovação do substitutivo da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Segundo o relator, o substitutivo acentua o caráter exclusivamente preventivo de manifestações, provas e conclusões derivadas de investigações Sipaer.
São admitidas investigações, em separado, para outros fins que não a prevenção, mas a precedência é garantida às investigações no âmbito do Sipaer. É prevista a cooperação da Aeronáutica com a investigação policial, mas é vedada a conclusão de investigação do Sipaer como prova de culpa, e fica assegurado o sigilo das fontes.
Macris explica ainda que a proposta cumpre a finalidade principal de conferir status de lei a normas e práticas de investigação de acidentes aeronáuticos recomendadas pela Organização de Aviação Civil Internacional.
O relator explica que o objetivo da investigação aeronáutica é reunir o máximo de informações sobre os acidentes sem a preocupação de identificar responsáveis, mas de propor, ao final do processo, recomendações de segurança.
O projeto será analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.
http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/aviacao/comissao-aprova-sigilo-em-investigacao-de-acidente_56102.html?pesquisa=1
O projeto, que poderia ser chamado de “Vaca Amarela”, visa resgatar o princípio do sigilo perdido desde as investigações dos últimos acidentes ocorridos no Brasil. O intervencionismo imposto pelo Congresso nos assuntos de extrema complexidade técnico-aeronáutica fez chorar em público o sargento e o brigadeiro, e, alegando o exercício do direito democrático, desmantelou a estrutura imaculada do SIPAER. O dano ético causado foi incalculável.
O ambiente da investigação de um acidente aeronáutico deve ser como água de poço, estática e cristalina. Mas é um ambiente tão sensível que basta um pequeno agito para que a água se turve, e a falta de nitidez dificulte as conclusões.
Enquanto Deus nos livra de novos acidentes, nós vamos treinando:

- “Vaca amarela... quem falar primeiro...”
Celso BigDog

domingo, 7 de março de 2010

Transporte Aéreo - Se a moda pega...

Para aliviar peso e gasto, aérea pede xixi antes do embarque.

A companhia aérea japonesa All Nippon Airways testa desde 1º de outubro uma nova maneira de economizar combustível em suas aeronaves, com o pedido aos passageiros para que usem o banheiro antes de embarcar. Isso reduziria o peso do avião na decolagem. A experiência, que deve durar um mês, acontece em 38 voos domésticos entre Tóquio, Sapporo e Okinawa, além de quatro voos internacionais.
http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=15,46731
A notícia foi recebida com euforia por desenvolvedores de sistemas no Brasil. Analistas já procuram parcerias com empresas de Boston e Chicago, especializadas em QTU para atuar no Pré-embarque, pesando os passageiros no check-in e no check-out. Já se comenta também o desenvolvimento de um vaso sanitário eletrônico (QTU-Tronic) que calcula os dejetos deixados pelo passageiro e emite um ticket com pontuação que pode ser trocado por milhagem ou por barras de cereais, após a viagem é claro.

Que tal se as empresas aéreas incentivassem uma redução nos 20 Kg de bagagem a que o passageiro tem direito? A cada quilo reduzido uma pontuação para ser convertida em descontos ou milhagens, ou qualquer outro tipo de vantagem ao passageiro. O resto? O resto é para o restroom!
Celso BigDog

sábado, 6 de março de 2010

Tráfego aéreo brasileiro diz adeus à Magnetron.


Adeus Magnetron!

Um pulso de onda de rádio é vigorosamente amplificado e projetado ao espaço à velocidade da luz. Em seu caminho um obstáculo o reflete fazendo-o voltar certeiro à antena de onde partiu. Nasce assim um “eco RADAR”. A cada emissão, a cada rotação da antena, infinitas operações matemáticas calculam o tempo gasto do ir e voltar do pulso, traduzindo tempo em distância! É dessa “simples” operação que originou a sigla RADAR – Radio Detection And Range, ou seja, detecção e distância por ondas de rádio.
Essa introdução se fez necessária para a homenagem que pretendo prestar a uma grande personagem do elenco aeronáutico que hoje encerra suas atividades na história da aviação brasileira, a Válvula Magnetron.
Quisera eu ter idéia de quantas aeronaves foram detectadas e conduzidas com segurança aos seus destinos. Quantas vidas passaram por seu raio de ação, sob o manto da proteção ao voo nos momentos mais difíceis, nas turbulências mais severas, nos voos mais cegos?
Ainda que seu inventor a tenha criado para a guerra, certamente recebeu o perdão Divino pelo bem que fez à humanidade. Mas o progresso tecnológico é ingrato. Substituídas hoje por modernos SSP – Solid State Power, que compõem os atuais RADARES, as Válvulas Magnetron foram aposentadas sem homenagens, sem honrarias, sem sequer uma nota de agradecimento no rodapé de um reles informativo aeronáutico qualquer. Mas eu não as esqueci.

Obrigado Magnetron por ter me dado a necessária confiança nos 30 anos de controle RADAR. Obrigado por permitir a operação que salvaguardou a família de Dino Tofini na aeronave PT-KZO com seu comandante Oliveira. Quando garantiu a segurança da Diretoria da Nestlé do Brasil em seus difíceis momentos vividos na aeronave PT-DJU sob o comando de Benedito Bertolini. Quando me permitiu conduzir o FAB 2613 sob o comando do então coronel Délcio e major Braga com mais três ocupantes, em vetoração sem giro à pista de um campo fechado por instrumentos. Ainda que tenha ignorado o regulamento e as intempéries, o fiz em prol da vida, pois, há de se frisar que a aeronave parou por pane seca no taxi, logo após o pouso.
Obrigado Magnetron por permitir que eu, um humilde e apaixonado controlador, desempenhasse com convicção e confiança meu labor diante de eventos tão decisivos, tão difíceis.

Encerrando esse depoimento aproveito para agradecer também a todos os técnicos e mantenedores de RADAR, meus camaradas que, zelosos de suas responsabilidades, sempre garantiram a precisão do equipamento.

Que a Aeronáutica tenha para a Magnetron, um lugar de destaque nos museus aeronáuticos desse nosso imenso País, à altura de sua importância histórica no tráfego aéreo brasileiro.

Celso BigDog

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Puxa "cabra"! Empurra "pica"!


Gol prevê dobrar margem operacional para 13%
A Gol Linhas Aéreas pretende alcançar uma margem operacional de 13% este ano, praticamente o dobro do resultado do terceiro trimestre de 2009, de 6,6%. A companhia também pretende crescer até 18% em volume de passageiros transportados em 2010, a mesma taxa que prevê para a expansão da demanda por voos domésticos no mercado.

"O Brasil está num momento muito bom, com o crescimento da nova classe média. Cada vez mais pessoas estão preparadas para viajar de avião", afirma o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia, Leonardo Pereira.

O executivo diz que a projeção de demanda tem como base um crescimento de até 6% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, já que a aviação comercial cresce, em média, três vezes o resultado do PIB. Já a estimativa de dobrar a sua margem operacional está fundamentada na política da companhia de reduzir custos, aumentar a oferta com aviões maiores e ampliar a utilização diária das aeronaves.

TAM prevê crescimento de 10% a 12% para o setor em 2010

25/11 - 20:02 - Nelson Rocco, iG São Paulo
As companhias aéreas brasileiras devem ter um 2010 mais tranquilo quando comparado a este ano. Isso porque a demanda deverá crescer mais que a oferta de assentos. As previsões são de Líbano Barroso, presidente-interino e diretor financeiro da TAM. Segundo ele, as empresas devem vender entre 10% e 12% mais no ano que vem. “Nosso cenário prevê um aumento no Produto Interno Bruto (PIB) de 5% a 6%, o dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,85, e o preço do barril de petróleo entre US$ 70 e US$ 90. Assim, acreditamos que a indústria tem condições de manter a capacidade histórica de crescimento, da ordem de 2,5 vezes a 3 vezes o PIB, algo entre 10% e 12%”, explica.
  “Puxa cabra! Empurra pica!”
É simples assim. A aviação brasileira desconsidera as restrições do meio, puxa o manche e impõe um pitch à máquina muito superior àquele que o ser humano está preparado para assimilar. Esse desequilíbrio que despreza a essência do trinômio SIPAER vem a galope, arregimentando e expondo indivíduos com pouca experiência, tripulantes, mecânicos e profissionais de controle do espaço aéreo, como se fossem apenas periféricos desses revolucionários e complexos sistemas, uns com asas e outros com olhos eletrônicos. A fatoração do tripulante técnico racionaliza seu trabalho a ponto de permitir, por enquanto, que a pilotagem se resuma a poucos minutos de operação. O que existe numa etapa de voo compreendido entre o “gear up” e o “three green” não passa de uma operação do sistema, realizada com perfeição até por jovens leigos em jogos de Flight Simulator.

Até as “anfitriãs do ar” já não se preocupam com o ritual mímico que deixava cair a máscara de oxigênio apontando elegantemente para as saídas de emergência da aeronave. O velho “Thank you for flying with us” deu lugar ao automatismo dos sistemas de bordo, de monitores escamoteáveis futuristas, programados com desenhos animados, um luxo.

Acredito que esse crescimento anunciado com jactância tenha como único propósito a disputa do meio comercial que hoje se resume a um duopólio. Qualquer profissional experiente que se dignou a examinar esse processo avarento, com projeções de crescimento surreais, já deve estar com seus olhos arregalados, procurando uma saída e pronto para correr.

Na condição de controlador de tráfego aéreo aposentado, ainda me restará falar, falar, falar, mas em breve, a voz amiga do controlador ativo se calará de vez. As instruções, alertas e intervenções, chegarão às aeronaves por dados, frios, silenciosos e calculistas, numa comunicação inaudível e invisível, travada entre um piloto automático e um controlador cibernético.

E referenciando a assertiva de que “tudo o que sobe, desce!”, é bom explicar aos leigos administradores e marqueteiros das aéreas que, “quando se puxa cabra, mas quando se empurra, pica!”
 
Celso BigDog
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

NG – O produto de uma geração distraída.


NG – O produto de uma geração distraída
A amplidão do assunto me obriga a trazê-lo para a esfera ATC, donde a experiência me credencia a abordar alguns pontos de vista, emitir alguma análise técnica e até mesmo arriscar algum palpite para os destinos dessa insólita atividade.
No controle de tráfego aéreo já fui considerado "New Generation". Em trinta anos de labuta, saltei do restrito “grão de arroz” de uma tela de RADAR irradiado, para alvos identificados por barras de controle, dali para as etiquetas aplicadas aos alvos-radar. Num piscar de olhos abandonei as salas escuras e cheguei aos conhecidos sistemas de visualização que compilam dados de um ou mais RADARES e os transformam em sinais gráficos de computador. Assisti resignadamente ao definhamento e a morte da válvula magnetron, a varrer fielmente os céus brasileiros, num silencioso pulsar, seu valioso e preciso cálculo de distância.
Ah eu já fui NG, mas sequer notei que à minha volta coisas aconteciam; que idéias brotavam; que a tecnologia aflorava no controlador recém chegado, pois um caprichoso atalho do tempo se encarregava de poupá-los dos “tortuosos caminhos” que eu trilhei. Basta lembrar que Francisco Drezza, o nosso eterno Nº1, foi um dia um NG, nem tanto por ser o primeiro controlador, mas por ser o primeiro controlador-RADAR.
Lutar contra a tecnologia é malhar em ferro frio e uma atitude pouco sensata, mas alertar dos perigos que só nós, os antigos, conhecemos, das experiências vividas naqueles “tortuosos caminhos” que o tempo fez questão de pular, é nosso dever.

Cuidemos para que as armadilhas da tecnologia não produzam vítimas. Cuidemos para que nossos sucessores não sofram os revezes da ignorância operacional. Cuidemos para que, ainda que hoje não estejamos mais a controlar o tráfego aéreo, aviões não caiam sobre nossas cabeças.
Falemos, ainda que não nos ouçam; ainda que não nos respeitem, ou até mesmo, ainda que o “Sistema” não nos dê o devido valor.

Deus nos Abençoe!

Celso BigDog